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O Homo Naledi

http://press.nationalgeographic.com/2015/09/10/homo_naledi/ Mark Thiessen/National Geographic

Todos os ossos retirados do sistema Rising Star totalizam partes de esqueletos de, pelo menos, quinze indivíduos da espécie batizada como Homo Naledi. A equipe de Lee Berger, pesquisador responsável pela expedição que o descobriu, identificou bebês, crianças, adultos e idosos entre os fósseis .

Oclusal Mandíbula. cc John Hawks_Wits University
Crânio do Homo Naledi. cc Wits University
Mãos do Naledi.
Espécime holótipo do Homo Naledi, hominídeo Dinaledi.
Homo naledi. cc John Hawks_Wits University
Pés do Naledi. cc Peter Schmid e Wits University

 

Mark Thiessen/National Geographic

Este hominídeo media cerca de 1,5 metros de altura e pesava 45 quilos em média. Algumas de suas características, bastante primitivas, o assemelham a gêneros mais antigos na cronologia da evolução humana. O tamanho do cérebro, por exemplo, com aproximadamente 500 cm3 (tamanho de uma laranja), está dentro da gama de Australopithecus – uma espécie de pré-humano com idade entre 3,9 e 2,9 milhões de anos. Já configuração dos ombros é semelhante a dos macacos e a curvatura das mãos sugere que o Naldi era capaz de usar ferramentas. No entanto, de acordo com os artigos publicados, a forma geral do crânio , os longos ossos das pernas e os pés exibem um aspecto moderno suficiente para justificar sua colocação no gênero Homo.

O gênero Homo compreende desde os humanos modernos a espécies relacionadas, consideradas os primeiros ancestrais do homem. Os primeiros representantes do gênero surgiram há cerca de 2,5 – 3,2 milhões de anos, evoluindo de ancestrais dos Australopithecos com o surgimento do Homo Habilis. A capacidade de andar sobre duas pernas e o desenvolvimento cerebral e cognitivo são traços importantes na trajetória evolutiva dos membros do gênero Homo. Juntamente com os humanos modernos, essas espécies extintas de humanos são conhecidas como “hominídeos”.

Comparação das características do crânio de Homo Naledi e de outros hominídeos.

Embora ainda não se saiba sua idade, o Homo Naledi é muito mais próximo em aparência do Homo Erectus do que dos australoptecíneos. Algumas características nunca antes vistas em outros hominídeos faria de Naledi uma espécie completamente nova de ancestral humano. Além disso, os pesquisadores acreditam que a maneira como os ossos foram encontrados indica um comportamento ritualístico dos Naledi: a preocupação em depositar os corpos de seus mortos.

http://news.nationalgeographic.com/2015/09/150915-humans-death-burial-anthropology-Homo-naledi/

Na representação deste artista, Homo Naledi dispõe de seus mortos na caverna Rising Star, da África do Sul. Embora tal comportamento avançado seja desconhecido em outros hominídeos iniciais, os cientistas que descobriram os fósseis dizem que nenhuma outra explicação faz sentido. Arte por Jon Foster. FONTE: LEE BERGER, WITS.

De acordo com os artigos publicados sobre a descoberta do Homo Naledi, nenhum dos fósseis possui qualquer sinal de trauma ou marca de dentes que indiquem que um predador os tenha arrastado até lá. Uma vez na câmara, eles também poderiam ter sido atacados por algum animal. No entanto, apenas uma pequena amostra de ossos de pássaros e restos fragmentários de roedores retirados da câmara diferem de Naledi.

Os pesquisadores também não acreditam que os corpos tenham chegado simultaneamente, nem que tenham sido levados por inundação ou deslizamento de terra. “Nós exploramos cada cenário alternativo, incluindo a morte em massa, um carnívoro desconhecido, transporte de água de outro local, ou morte acidental em uma armadilha, entre outros”, disse Berger. “Ao examinar todas as outras opções, ficamos com a eliminação corporal intencional pelo Homo Naledi como o cenário mais plausível”.

Mas não é o que pensam outros cientistas.