{"id":826,"date":"2021-06-30T00:00:00","date_gmt":"2021-06-30T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/acaua.info\/?p=826"},"modified":"2023-04-25T08:47:47","modified_gmt":"2023-04-25T11:47:47","slug":"entrevista-numero-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.usp.br\/acaua\/entrevista-numero-2\/","title":{"rendered":"Entrevista para o N\u00famero 2, com Carlos Milani"},"content":{"rendered":"\t\t<div data-elementor-type=\"wp-post\" data-elementor-id=\"826\" class=\"elementor elementor-826\" data-elementor-post-type=\"post\">\n\t\t\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-c3ec7dc elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"c3ec7dc\" data-element_type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-4da88ae\" data-id=\"4da88ae\" data-element_type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-inner-section elementor-element elementor-element-e6a8f0d elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"e6a8f0d\" data-element_type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-50 elementor-inner-column elementor-element elementor-element-463e2dd\" data-id=\"463e2dd\" data-element_type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-fcbd1c1 elementor-widget elementor-widget-image\" data-id=\"fcbd1c1\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"image.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<img decoding=\"async\" width=\"200\" height=\"249\" src=\"https:\/\/sites.usp.br\/acaua\/wp-content\/uploads\/sites\/1523\/2021\/06\/Carlos_Milani.jpg\" class=\"attachment-large size-large wp-image-827\" alt=\"\" \/>\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-50 elementor-inner-column elementor-element elementor-element-b762de2\" data-id=\"b762de2\" data-element_type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-777711f elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"777711f\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t<p>Carlos R. S. Milani \u00e9 Professor associado da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), professor do Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Ci\u00eancia Pol\u00edtica do Instituto de Estudos Sociais e Pol\u00edticos (IESP). Fundador e coordenador do Observat\u00f3rio Interdisciplinar de Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas (OIMC) (<span style=\"color: #d5c067;\"><a style=\"color: #d5c067;\" href=\"http:\/\/obsinterclima.eco.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/obsinterclima.eco.br\/<\/a><\/span>), Carlos Milani \u00e9 Pesquisador CNPQ\/1-B e j\u00e1 contribuiu para o desenvolvimento das seguintes \u00e1reas de pesquisa em Rela\u00e7\u00f5es Internacionais:<\/p>\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-0ede842 elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"0ede842\" data-element_type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-d9b6b5e\" data-id=\"d9b6b5e\" data-element_type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-088947b elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"088947b\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t<p><span style=\"color: #728b8d;\">atores e agendas da pol\u00edtica externa brasileira, pol\u00edtica externa comparada (M\u00e9xico, Turquia, \u00c1frica do Sul e China), coopera\u00e7\u00e3o internacional para o desenvolvimento, direitos humanos e mudan\u00e7as clim\u00e1ticas.<\/span><\/p>\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-9e90563 elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"9e90563\" data-element_type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-fe4cf4d\" data-id=\"fe4cf4d\" data-element_type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-cca2cf5 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"cca2cf5\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t<p><strong>Professor Carlos Milani, como surgiu e quais os principais objetivos do OIMC?<\/strong><\/p><p>No ano passado, em 2020, a partir de uma s\u00e9rie de conversas com colegas da faculdade de Oceanografia, de educa\u00e7\u00e3o, no \u00e2mbito do pr\u00f3prio IESP, do departamento de rela\u00e7\u00f5es internacionais da UERJ, propus a cria\u00e7\u00e3o de um Observat\u00f3rio Interdisciplinar de Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas (OIMC). Partimos da constata\u00e7\u00e3o de que era chegado o momento de ter um olhar complexo, multidimensional e interdisciplinar sobre o tema das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. Alguns autores designam o tema como um hiperobjeto, como lembraria Timothy Morton ou D\u00e9borah Danowsky, no sentido de que \u00e9 muito complexo, diz respeito a muitos setores de pol\u00edticas p\u00fablicas, podendo gerar paralisia e ina\u00e7\u00e3o de indiv\u00edduos e institui\u00e7\u00f5es, sem saber necessariamente como tratar do tema.<\/p><p>Partindo da constata\u00e7\u00e3o da import\u00e2ncia das Universidades \u2013 e da UERJ em particular \u2013 e ter programas de pesquisa, de forma\u00e7\u00e3o, disciplinas, e capacidade de incid\u00eancia na comunidade, fora da universidade, torna-se importante termos uma plataforma de di\u00e1logo, coopera\u00e7\u00e3o e a\u00e7\u00e3o coletiva em torno das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. Assim, podemos incluir o papel tr\u00edplice da Universidade: o papel da pesquisa, forma\u00e7\u00e3o e extens\u00e3o no foco do tema das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas.<\/p><p>Nesse contexto, o OIMC tem contado com o apoio certeiro e importante financiamento do Instituto Clima e Sociedade, o que nos permitiu investir em material bibliogr\u00e1fico, capacitar estudantes, fornecer bolsas de estudo, financiar algumas pesquisas e atividades, al\u00e9m de criar o website que descreve e divulga os objetivos do Observat\u00f3rio (<a href=\"http:\/\/obsinterclima.eco.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/obsinterclima.eco.br\/<\/a>). O OIMC \u00e9 uma iniciativa recente, mas cheia de ambi\u00e7\u00f5es para o futuro.<\/p><p><b>Como \u00e9 a rela\u00e7\u00e3o da sua trajet\u00f3ria acad\u00eamica com a tem\u00e1tica das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas? Foi um tema recorrente em sua trajet\u00f3ria ou trata-se de uma tem\u00e1tica de pesquisa recente para voc\u00ea?<\/b><\/p><p>Bom, eu tenho 53 anos, fiz a minha pesquisa de doutorado h\u00e1 mais de 20 anos na <em>\u00c9cole des Hautes \u00c9tudes en Sciences Sociales<\/em> em Paris \u2013 Fran\u00e7a. Defendi minha tese em 1997 sobre o meio ambiente como uma problem\u00e1tica das rela\u00e7\u00f5es internacionais. Naquela \u00e9poca, foi a primeira tese sobre os fen\u00f4menos ambientas nas rela\u00e7\u00f5es internacionais na Fran\u00e7a, e curiosamente uma tese feita por um estrangeiro. Depois disso eu pesquisei ainda mais uns anos sobre a tem\u00e1tica ambiental, mas eu fui trabalhar como um funcion\u00e1rio internacional da UNESCO na sede de Paris, dei aula em <em>Sciences Po<\/em>, tamb\u00e9m em Paris, durante 5 anos, e retornei ao Brasil somente em 2002. Naquela ocasi\u00e3o fui para Salvador, ser professor na Universidade Federal da Bahia (UFBA), onde eu comecei a trabalhar com a tem\u00e1tica da coopera\u00e7\u00e3o internacional para o desenvolvimento, e n\u00e3o mais com a tem\u00e1tica ambiental. Deixei por um tempo o tema e agora, mais recentemente, resolvi retom\u00e1-lo como o centro das minhas aten\u00e7\u00f5es de pesquisa, de forma\u00e7\u00e3o, de ensino, orienta\u00e7\u00e3o de disserta\u00e7\u00f5es de mestrado, de TCCs, e tamb\u00e9m de teses de doutorado. Assim, posso dizer que nos meus pr\u00f3ximos anos a minha meta \u00e9 dedicar os meus pr\u00f3ximos anos de vida acad\u00eamica \u00e0 tem\u00e1tica das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, retornando a uma agenda original de trabalhos e pesquisas l\u00e1 nos anos 90 sobre ecopol\u00edtica internacional.<\/p><p><b>Uma das principais propostas do Observat\u00f3rio \u00e9 a interdisciplinaridade. De que forma voc\u00ea acha que esse conceito (e pr\u00e1tica) contribui para o estudo das Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas?<\/b><\/p><p>Eu sou da \u00e1rea de Rela\u00e7\u00f5es Internacionais, n\u00e3o pretendo entrar no debate (sem fim) se Rela\u00e7\u00f5es Internacionais seria uma disciplina ou um campo interdisciplinar. A minha abordagem, do ponto de vista te\u00f3rico e emp\u00edrico, dos temas que eu pesquiso em rela\u00e7\u00f5es internacionais, \u00e9 sempre uma abordagem que busca suas fontes na sociologia pol\u00edtica, na ci\u00eancia pol\u00edtica, na economia pol\u00edtica, na hist\u00f3ria, etc. Eu acredito que seja absolutamente fundamental n\u00f3s termos uma abordagem que coloque diferentes disciplinas e campos de conhecimento em di\u00e1logo, para entender as Rela\u00e7\u00f5es Internacionais como um todo e as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas como um fen\u00f4meno fundamental das rela\u00e7\u00f5es internacionais.<\/p><p>A interdisciplinaridade no campo de pesquisa e de a\u00e7\u00e3o em mat\u00e9ria de clima se imp\u00f5e, porque o tema foi constru\u00eddo ao longo dos \u00faltimos 150 anos, aproximadamente, nas ci\u00eancias do clima, na meteorologia, e na climatologia, mais recentemente. \u00c9 muito importante que as ci\u00eancias sociais e as humanidades se apropriem do tema e invistam com pesquisa, com conhecimento, com gera\u00e7\u00e3o de conceitos e de problematiza\u00e7\u00f5es para pensar de modo interdisciplinar as suas causas, os seus efeitos, os processos de constru\u00e7\u00e3o da vulnerabilidade enquanto suscetibilidade, sensibilidade e resili\u00eancia. N\u00e3o h\u00e1 como entender a vulnerabilidade nesse trip\u00e9 (suscetibilidade, sensibilidade e resili\u00eancia) sem associar a vulnerabilidade dos ecossistemas aos processos humanos, processos sociais, econ\u00f4micos, ao desenvolvimento do capitalismo e \u00e0 evolu\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica internacional.<\/p><p>N\u00e3o por acaso, quando surge o debate sobre o antropoceno \u2013 a partir da publica\u00e7\u00e3o de um artigo curto, de uma p\u00e1gina, elaborado por Crutzen e Stoermer em 2000 (The \u201cAnthropocene.\u201d <em>Global Change Newsletter<\/em> 41: 17\u201318), o termo surge das ci\u00eancias exatas e da natureza. A partir do momento que as ci\u00eancias sociais e humanas entram no debate, a problematiza\u00e7\u00e3o sobre o antropoceno se complexifica, e hoje temos uma s\u00e9rie de conceitos correlatos que tendem a provocar tens\u00f5es no debate sobre antropoceno, capitaloceno, plantationceno, etc. O antropoceno seria uma nova era geol\u00f3gica \u2013 segundo cientistas do clima \u2013 na qual n\u00f3s humanos ter\u00edamos adquirido uma ag\u00eancia geol\u00f3gica e estrutural de incid\u00eancia sobre os mecanismos de funcionamento do Sistema Terra, o chamado <em>Earth System<\/em>. O que seria trazido das ci\u00eancias sociais e humanas \u00e9 justamente a no\u00e7\u00e3o de diferen\u00e7a e desigualdade. A humanidade enquanto tal \u00e9 uma abstra\u00e7\u00e3o, pois existem muitas humanidades distintas. Alguns humanos incidem mais negativamente e s\u00e3o maiores emissores de gases de efeito estufa do que muitos outros. Assim como existem humanos que sofrem os efeitos nefastos das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas de modo muito mais premente no curto prazo e mais intenso do que outros. Nesse contexto, como entender vulnerabilidade e antropoceno sem levar em considera\u00e7\u00e3o os processos sociais, pol\u00edticos e econ\u00f4micos que est\u00e3o por detr\u00e1s do modo como se chega a esses conceitos de vulneralibidade e antropoceno?<\/p><p>Neste contexto, se tem falado muito sobre capitaloceno, plantationceno, chcutuloceno, nas abordagens de Donna Haraway e de Anna Tsing. Al\u00e9m do plantatioceno, dentre outras terminologias, muitas t\u00eam surgido para debater aspectos do antropoceno e sobre qual humanidade seria essa, que impacta no sistema Terra. Existem alguns humanos que impactam mais do que outros, e existiriam alguns humanos que sofrem muito mais intensamente do que outros; ent\u00e3o digamos que essa abordagem interdisciplinar das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas \u00e9 absolutamente fundamental para entendermos como os processos sist\u00eamicos complexos e multidimensionais como as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas apresentam causas e efeitos desiguais e diferentes em fun\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria evolu\u00e7\u00e3o do sistema econ\u00f4mico capitalista. H\u00e1 uma complexidade de aspectos a serem identificados, ao se tratar de mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, em fun\u00e7\u00e3o das distribui\u00e7\u00f5es desiguais e diferenciadas de recursos de adapta\u00e7\u00e3o entre o Norte e o Sul do sistema internacional, entre pa\u00edses centrais e perif\u00e9ricos, entre classes sociais mais ricas e mais pobres que podem existir nos pa\u00edses em desenvolvimento e dentro de pa\u00edses desenvolvidos<\/p><p><b>Sabemos que o Observat\u00f3rio possui parcerias com grupos como o ACA Brasil e universidades de fora do estado do Rio de Janeiro e do pa\u00eds, como a Universidade de Brown, atrav\u00e9s do grupo <em>Climate Social Network. <\/em>Quais s\u00e3o as parcerias do OIMC e qual a import\u00e2ncia dessa network para o Observat\u00f3rio?<\/b><\/p><p>O OIMC nasce como um observat\u00f3rio da UERJ, e isso tem sido debatido entre os principais pesquisadores do observat\u00f3rio e a decis\u00e3o, pelo menos at\u00e9 agora, foi a de que se trata de um observat\u00f3rio da UERJ. Evidentemente, o OIMC encontra-se aberto para parcerias com outras universidades do Rio de Janeiro, do Brasil e de fora do pa\u00eds, e a organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil que n\u00e3o sejam Universidades, ONGs, funda\u00e7\u00f5es etc. Estamos construindo parcerias importantes com um amplo leque de atores acad\u00eamicos, da sociedade civil e tamb\u00e9m de entidades subnacionais, como no caso do F\u00f3rum Municipal das Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas de Niter\u00f3i.<\/p><p>O nosso trip\u00e9 de a\u00e7\u00e3o \u2013 que \u00e9 pesquisa, forma\u00e7\u00e3o e incid\u00eancia social e pol\u00edtica \u2013 nos leva evidentemente a desenvolver parcerias com grupos de pesquisa e Universidades, como \u00e9 o caso da Universidade de Brown nos Estados Unidos, em Providence, por meio do <em>Climate Social Science Network<\/em>, onde eu a professora brit\u00e2nica Ruth McKie coordenamos o grupo de trabalho sobre o Sul Global e v\u00e1rios outros temas de pesquisa instigantes dentro desse programa. N\u00f3s somos signat\u00e1rios membros da ACA Brasil (A\u00e7\u00e3o Clim\u00e1tica no Cap\u00edtulo Brasil), temos uma parceria que est\u00e1 sendo constru\u00edda com o Observat\u00f3rio do Clima, que tem uma larga trajet\u00f3ria, al\u00e9m de outras Universidades e pesquisadores de outras universidades que fazem parte do OIMC da UERJ, como \u00e9 o caso da pesquisadora Daniele Costa da Silva (UFRJ-IRID), do professor Rubens Duarte (ECEME), assim como o professor Ismael Silveira (UFBA), dentre outros. Enfim, no site voc\u00eas podem ver a lista mais completa dos membros do OIMC e das parcerias.<\/p><p>A parceria mais importante que o Observat\u00f3rio tem no momento \u00e9 a parceria com o Instituto Clima e Sociedade. \u00a0Essa \u00e9 a parceria que est\u00e1 na origem do OIMC, o ICS \u00e9 nosso principal financiador e at\u00e9 o final de 2022 n\u00f3s temos um projeto em execu\u00e7\u00e3o que garante o desenvolvimento das atividades do Observat\u00f3rio.<\/p><p><strong>Existem pretens\u00f5es de produ\u00e7\u00f5es conjuntas, qual \u00e9 a agenda do OIMC para os pr\u00f3ximos anos?<\/strong><\/p><p>Nossas atividades est\u00e3o planejadas at\u00e9 o final de 2022 e elas est\u00e3o distribu\u00eddas nesses 3 eixos (pesquisa, incid\u00eancia e forma\u00e7\u00e3o), como j\u00e1 dito anteriormente. Quanto \u00e0 pesquisa, n\u00f3s temos as pesquisas individuais dos pesquisadores associados ao OIMC, em que cada um poderia explicar melhor sobre suas pesquisas; eu coordeno um projeto, que \u00e9 meu projeto de bolsa de produtividade do CNPQ e tamb\u00e9m junto a FAPERJ, que diz respeito \u00e0 funda\u00e7\u00e3o e desenvolvimento dos <em>negacionismos<\/em> clim\u00e1ticos no Brasil. A perspectiva de minha pesquisa \u00e9 a do aprofundamento qualitativo sobre as rela\u00e7\u00f5es entre <em>negacionismo<\/em> clim\u00e1tico como campo pol\u00edtico e a emerg\u00eancia de lideran\u00e7as autorit\u00e1rias no Brasil. O objetivo seria, ap\u00f3s de conclu\u00eddo o estudo de caso sobre o Brasil, fazer pesquisas comparativas sobre como outras lideran\u00e7as autorit\u00e1rias mundo afora que integram o <em>negacionismo<\/em> clim\u00e1tico nas suas agendas de pol\u00edtica externa e nos seus perfis de comportamento internacional em mat\u00e9ria de negocia\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica multilateral.<\/p><p>Existem pesquisas coletivas no Observat\u00f3rio sobre vulnerabilidades, junto com cientistas sociais e pesquisadores da \u00e1rea de Oceanografia e da Educa\u00e7\u00e3o; pesquisas voltadas para a constru\u00e7\u00e3o de imagens, mapas, gr\u00e1ficos, matrizes, na produ\u00e7\u00e3o da mapoteca do OIMC. J\u00e1 h\u00e1 uma mapoteca e uma s\u00e9rie de imagens dispon\u00edveis em diferentes idiomas no site do Observat\u00f3rio. Assim, o objetivo em termos de pesquisa e agenda do OIMC \u00e9 desenvolver atividades que sejam ao mesmo tempo individuais, em alguns casos envolvendo pesquisadores de uma mesma \u00e1rea, e tamb\u00e9m pesquisas coletivas que envolvam pesquisadores de diferentes campos do conhecimento. Essa agenda se desdobra em termos de pesquisa e forma\u00e7\u00e3o. Um exemplo para citar \u00e9 uma disciplina que ministrei em 2020 junto com o professor Jos\u00e9 Maur\u00edcio Domingues da \u00e1rea de Sociologia do IESP\/UERJ sobre mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. Nesse semestre de 2021 estou ministrando uma disciplina sobre <em>negacionismos<\/em> clim\u00e1ticos, e no pr\u00f3ximo semestre oferecerei na p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o uma disciplina com o professor da Universidade Nacional de San Martin, de Buenos Aires, sobre pol\u00edtica, meio ambiente e mudan\u00e7as clim\u00e1ticas na Am\u00e9rica Latina. Eu penso que na forma\u00e7\u00e3o ainda temos o desafio de construir \u2013 e \u00e9 o que est\u00e1 sendo planejando agora \u2013 cursos de extens\u00e3o e cursos de treinamento para lideran\u00e7as de movimentos sociais n\u00e3o ambientais e n\u00e3o clim\u00e1ticos. A ideia \u00e9 levar ao movimento negro, ao movimento das mulheres, aos movimentos ind\u00edgenas, aos movimentos urbanos etc., a agenda do clima de um modo acess\u00edvel e compreens\u00edvel, construindo pontes entre o clima e outras agendas por direitos e por novos modelos de desenvolvimentos no Brasil.<\/p><p><strong>Na sua vis\u00e3o, quais s\u00e3o os maiores desafios de se produzir conhecimento sobre mudan\u00e7as clim\u00e1ticas atualmente, tanto no \u00e2mbito da academia quanto da comunidade n\u00e3o acad\u00eamica?<\/strong><\/p><p>Em primeiro lugar, o desafio \u00e9 o da compreens\u00e3o do tema. Em fun\u00e7\u00e3o da complexidade do tema, o primeiro desafio \u00e9 definitivamente o de apresentar um recorte para a dimens\u00e3o do estudo sobre as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. Penso que esse \u00e9 o primeiro grande desafio na produ\u00e7\u00e3o de conhecimento, para n\u00e3o se perder o tema no oceano das complexidades, das multidimensionalidades, etc. Com essa meta muito clara em mente, eu decidi focar fundamentalmente em tr\u00eas agendas de pesquisa que eu pretendo estar desenvolvendo nos pr\u00f3ximos meses e anos: a agenda sobre a rela\u00e7\u00e3o entre <em>nagacionismo<\/em> clim\u00e1tico e outras formas de <em>negacionismo<\/em> e a emerg\u00eancia de governos autorit\u00e1rios mundo afora. Ou seja, de que modo a eros\u00e3o da democracia \u00e9 afetada tamb\u00e9m pelas express\u00f5es hist\u00f3ricas e emp\u00edricas de <em>negacionismo<\/em> clim\u00e1tico. Uma segunda agenda \u00e9 a da seguran\u00e7a coletiva e seguran\u00e7a planet\u00e1ria. Pretendo trabalhar como conceitualmente as amea\u00e7as que as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas representam incidem sobre a agenda de seguran\u00e7a e de defesa dos Estados, sobretudo os Estados com os quais eu tenho trabalhado mais detalhadamente que s\u00e3o meus 6 pa\u00edses de predile\u00e7\u00e3o: Brasil, M\u00e9xico, \u00c1frica do Sul, Turquia, \u00cdndia e China. Um terceiro canteiro de pesquisa que vai ser o de dar continuidade \u00e0 agenda que eu j\u00e1 tinha anteriormente, de pol\u00edtica externa comparada com o foco em mudan\u00e7as clim\u00e1ticas em torno desses 6 pa\u00edses. Acho que fundamentalmente s\u00e3o esses os temas que pretendo desenvolver nos pr\u00f3ximos anos, durante essa \u00faltima fase de minha carreira acad\u00eamica.<\/p><p><strong>Sabemos que o tema do <em>negacionismo<\/em> tem sido foco de suas reflex\u00f5es e agenda de pesquisa e ensino. Poderia nos falar mais especificamente, como voc\u00ea interpreta o crescente <em>negacionismo<\/em> no Brasil e no mundo?<\/strong><\/p><p>Em primeiro lugar, nos Estados Unidos o <em>negacionismo<\/em> surge fundamentalmente junto com a agenda clim\u00e1tica. Ou seja, quando surgem os primeiros consensos em torno da necessidade de cria\u00e7\u00e3o de um Painel Intergovernamental das Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas, estabelecido em 1988, j\u00e1 havia sementes importantes do <em>negacionismo<\/em>. O <em>negacionismo<\/em> surge junto com a pr\u00f3pria agenda, em fun\u00e7\u00e3o do perigo que um consenso em torno das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas poderia gerar para o modelo capitalista neoliberal de desenvolvimento &#8211; modelo assentado e ancorado na combust\u00e3o f\u00f3ssil. Como pensar a redu\u00e7\u00e3o ou mitiga\u00e7\u00e3o das emiss\u00f5es de gases de efeito estufa sem levar em considera\u00e7\u00e3o o problema que as energias f\u00f3sseis, petr\u00f3leo, g\u00e1s, carv\u00e3o, etc. \u00a0representam para a manuten\u00e7\u00e3o de um clima est\u00e1vel como um bem p\u00fablico global?<\/p><p>Isso \u00e9 o primeiro elemento. Os <em>negacionismos<\/em> clim\u00e1ticos surgem no centro do capitalismo, sobretudo nos Estados Unidos e no Reino Unido e v\u00e3o se difundindo em dire\u00e7\u00e3o ao Canad\u00e1, Austr\u00e1lia, alguns pa\u00edses europeus ocidentais, onde a agenda de pesquisa sobre o <em>negacionismo<\/em> clim\u00e1tico se encontra mais desenvolvida, com a constru\u00e7\u00e3o de conceitos e tipologias, com conhecimentos emp\u00edricos sobre atores, agendas, din\u00e2micas pol\u00edticas que explicam o funcionamento dessas redes de <em>negacionistas<\/em> transnacionais. Os think tanks mais conservadores exercem tamb\u00e9m um papel importante nesse processo de difus\u00e3o.<\/p><p>No caso brasileiro, a partir do momento em que existe o an\u00fancio da descoberta do Pr\u00e9-Sal e o Brasil se torna um agente importante na agenda energ\u00e9tica global, os <em>negacionismos<\/em> clim\u00e1ticos come\u00e7am a se organizar. O Brasil sempre foi uma lideran\u00e7a, at\u00e9 muito recentemente, nas negocia\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas multilaterais. A diplomacia brasileira foi um construtor de pontes entre pa\u00edses desenvolvidos e pa\u00edses em desenvolvimento. Ajudou a forjar e a disseminar princ\u00edpios de negocia\u00e7\u00e3o muito importantes, como o princ\u00edpio das responsabilidades comuns, por\u00e9m historicamente diferenciadas; e o princ\u00edpio dos c\u00edrculos conc\u00eantricos, em mat\u00e9ria de responsabilidades a serem assumidas e implementadas pelos Estados. Ou seja, o Brasil sempre foi um pa\u00eds muito importante na negocia\u00e7\u00e3o mundial sobre o clima.<\/p><p>\u00c9 claro que essa lideran\u00e7a foi perdida. Desde o governo Temer, mas sobretudo no governo Bolsonaro, o Itamaraty deixa de ocupar esse papel de lideran\u00e7a em fun\u00e7\u00e3o do fato de, sobretudo a partir de janeiro de 2019, o <em>negacionismo<\/em> clim\u00e1tico ter ganho um estatuto quase oficial na desconstru\u00e7\u00e3o da agenda do clima no Brasil. Embora o <em>negacionismo<\/em> clim\u00e1tico esteja no Brasil muito associado \u00e0 emerg\u00eancia do governo Bolsonaro, as suas sementes podem ser encontradas em publica\u00e7\u00f5es, na circula\u00e7\u00e3o de cientistas e lideran\u00e7as <em>negacionistas<\/em>, alguns institutos e funda\u00e7\u00f5es <em>negacionistas<\/em> aqui no Brasil desde o come\u00e7o do s\u00e9culo XXI. Eu tenho pesquisado e mapeado atores e agendas no Brasil no \u00e2mbito de uma pesquisa que est\u00e1 em andamento.<\/p><p>A entrevista realizada com o Professor Carlos Milani foi gravada e a transcri\u00e7\u00e3o exigiu adapta\u00e7\u00f5es no texto de responsabilidade nossa. Mais informa\u00e7\u00f5es podem ser encontradas nos links abaixo:<\/p><p><span style=\"color: #d5c067;\"><a style=\"color: #d5c067;\" href=\"http:\/\/www.obsinterclima.eco.br\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">www.obsinterclima.eco.br<\/a><\/span><\/p><p><span style=\"color: #d5c067;\"><a style=\"color: #d5c067;\" href=\"http:\/\/www.carlosmilani.com.br\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">www.carlosmilani.com.br<\/a><\/span><\/p>\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-f153767 elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"f153767\" data-element_type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-37caa81\" data-id=\"37caa81\" data-element_type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-197271b elementor-author-box--layout-image-left elementor-author-box--align-left elementor-author-box--image-valign-middle elementor-widget elementor-widget-author-box\" data-id=\"197271b\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"author-box.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-author-box\">\n\t\t\t\t\t\t\t<div  class=\"elementor-author-box__avatar\">\n\t\t\t\t\t<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/sites.usp.br\/acaua\/wp-content\/uploads\/sites\/1523\/2021\/02\/4-e1671472088407-300x300.png\" alt=\"Picture of Ana Paula Tostes\" loading=\"lazy\">\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\n\t\t\t<div class=\"elementor-author-box__text\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div >\n\t\t\t\t\t\t<h4 class=\"elementor-author-box__name\">\n\t\t\t\t\t\t\tAna Paula Tostes\t\t\t\t\t\t<\/h4>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\n\t\t\t\t\n\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Carlos R. S. Milani \u00e9 Professor associado da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), professor do Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Ci\u00eancia Pol\u00edtica do Instituto de Estudos Sociais e Pol\u00edticos (IESP). Fundador e coordenador do Observat\u00f3rio Interdisciplinar de Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas (OIMC) (http:\/\/obsinterclima.eco.br\/), Carlos Milani \u00e9 Pesquisador CNPQ\/1-B e j\u00e1 contribuiu para o desenvolvimento das [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":24211,"featured_media":827,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-826","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-entrevistas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.usp.br\/acaua\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/826","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.usp.br\/acaua\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.usp.br\/acaua\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/acaua\/wp-json\/wp\/v2\/users\/24211"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/acaua\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=826"}],"version-history":[{"count":15,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/acaua\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/826\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1667,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/acaua\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/826\/revisions\/1667"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/acaua\/wp-json\/wp\/v2\/media\/827"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.usp.br\/acaua\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=826"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/acaua\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=826"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/acaua\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=826"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}