Biotecnologia e igualdade de gênero: avanços científicos em direção à ODS 5

Objetivo: Relacionar a biotecnologia com a ODS 5 (Igualdade de Gênero), destacando como os avanços biotecnológicos podem contribuir para a promoção da equidade de gênero, tanto no acesso à saúde quanto na participação feminina na ciência e na inovação.

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Marina Gabriela Lopes Pagiato

Aluna de graduação em Biotecnologia, Universidade de São Paulo.

A ODS 5, estabelecida pela Organização das Nações Unidas, tem como propósito alcançar a igualdade de gênero e empoderar todas as mulheres e meninas, sendo considerada fundamental para o desenvolvimento sustentável global. A redução das desigualdades de gênero está diretamente associada à melhoria de indicadores sociais, econômicos e de saúde, evidenciando seu papel central na construção de sociedades mais justas (SCHOLZ et al., 2022).

Nesse contexto, a biotecnologia se apresenta como uma área estratégica, tanto pelo seu potencial de inovação quanto por sua capacidade de impactar diretamente a qualidade de vida da população. Um dos principais pontos de conexão entre a biotecnologia e a ODS 5 está na saúde da mulher, com o desenvolvimento de diagnósticos mais precisos, terapias personalizadas e avanços em saúde reprodutiva, que ampliam o acesso a cuidados médicos e contribuem para a autonomia feminina (KUHLMANN et al., 2022).

A ODS 5 é estruturada a partir de metas específicas que abrangem desde a eliminação da violência até a promoção da participação feminina em espaços de decisão. Conforme apresentado na Figura 1, esses objetivos são acompanhados por indicadores que permitem monitorar o progresso em diferentes dimensões da igualdade de gênero.

Figura 1 —  Metas e indicadores da ODS 5 relacionados à igualdade de gênero. Legenda: A tabela apresenta os principais alvos da ODS 5 e seus respectivos indicadores, utilizados para monitorar o progresso na promoção da igualdade de gênero, abrangendo aspectos como eliminação da violência, acesso à saúde, participação em liderança e empoderamento econômico das mulheres. Fonte: Adaptado da Organização das Nações Unidas (2015).

Além disso, a biotecnologia também se relaciona com a ODS 5 ao evidenciar a importância da participação feminina na ciência. Apesar dos avanços nas últimas décadas, mulheres ainda enfrentam desigualdades no acesso a oportunidades, financiamento e posições de liderança em áreas científicas e tecnológicas. Essa sub-representação limita não apenas a equidade, mas também o potencial inovador da ciência, uma vez que equipes diversas tendem a produzir soluções mais completas e eficazes (BELOSKAR; HALDAR; GUPTA, 2024).

No contexto brasileiro, observa-se a presença de mulheres em posições de destaque na pesquisa científica, incluindo na biotecnologia. Instituições como a Universidade de São Paulo contam com pesquisadoras que lideram grupos de pesquisa em áreas como biologia molecular, imunologia e biotecnologia aplicada à saúde, contribuindo para o avanço científico nacional. Ainda assim, persistem desafios estruturais, especialmente nas áreas de Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática, nos quais mulheres enfrentam dificuldades relacionadas à progressão na carreira, acesso a cargos de liderança e desigualdade de oportunidades, o que impacta diretamente o desenvolvimento científico e tecnológico (KEMECHIAN et al., 2023).

Dessa forma, a promoção da igualdade de gênero na biotecnologia não se limita à inclusão de mulheres no meio científico, mas também envolve a criação de condições mais equitativas para produção e aplicação do conhecimento. Ao integrar diversidade e inovação, a biotecnologia se fortalece como ferramenta essencial para o desenvolvimento sustentável, contribuindo diretamente para o alcance da ODS 5.

Entretanto, ainda existem desafios significativos a serem superados, especialmente no que diz respeito às desigualdades estruturais presentes no meio científico e no acesso a tecnologias de saúde. Assim, o fortalecimento de políticas públicas, o incentivo à educação e a promoção da inclusão são fundamentais para garantir que os benefícios da biotecnologia sejam distribuídos de forma justa, contribuindo efetivamente para o alcance da ODS 5.

Referência:

BELOSKAR, V. D.; HALDAR, A.; GUPTA, A. Gender equality and women’s empowerment: a bibliometric review of the literature on SDG 5 through the management lens. Journal of Business Research, v. 172, 2024.

KEMECHIAN, T. et al. Towards the SDGs for gender equality and decent work: investigating major challenges faced by Brazilian women in STEM careers with international experience. Discover Sustainability, v. 4, 2023.

SCHOLZ, I. et al. Promoting gender equality across the sustainable development goals. Environment, Development and Sustainability, 2022.

UNITED NATIONS. Transforming our world: the 2030 Agenda for Sustainable Development. New York: United Nations, 2015.