Biotecnologia sem fronteiras: caminhos para a ODS 17

Objetivo: Analisar como a biotecnologia tem contribuído para o alcance das metas da ODS 17, relacionada à criação e ao fortalecimento de parcerias e meios de implementação entre diferentes blocos geopolíticos através de iniciativas científicas nacionais e internacionais (ONU, 2015).

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Gabriela Maria Gardinalli Jeronimo

Aluna de graduação em Biotecnologia, Universidade de São Paulo.

A ODS 17 se concentra na importância da cooperação internacional, da mobilização de recursos financeiros, da transferência de tecnologia e da construção de capacidades científicas e institucionais. A cooperação na mobilização de recursos, disseminação de tecnologias e fortalecimento de parcerias assumiu, por vezes, papel central para o desenvolvimento da biotecnologia. Isso se dá pois essa ciência, que se utiliza de organismos vivos, sistemas biológicos ou processos celulares para desenvolver produtos e tecnologias que atendam necessidades humanas em áreas como saúde, agricultura, indústria e meio ambiente depende de infraestrutura científica avançada, compartilhamento de dados e colaboração entre instituições de diferentes países  (NELSON; COX, 2017). 

O Projeto Genoma Humano é um exemplo de cooperação científica internacional. Iniciado em 1990 e concluído em 2003, esse projeto envolveu pesquisadores de diversos países, incluindo Estados Unidos, Reino Unido, Japão, França, Alemanha e China. Seu objetivo principal foi mapear e sequenciar todo o genoma humano, produzindo uma base de dados aberta que permitiu avanços significativos em medicina genética, diagnóstico molecular e biotecnologia médica. Tal projeto demonstra, portanto, como a colaboração internacional e o compartilhamento de dados científicos pode  beneficiar a comunidade científica global (COLLINS et al., 2003).

Figura 1 — Adaptação via inteligência artificial ( Chat GPT)  da linha do tempo dos principais avanços da genética e da genômica até o sequenciamento do genoma humano. Fonte: NHGRI (National Human Genome Research Institute), NIH.

Outro exemplo da interligação entre biotecnologia e cooperação internacional, e de como um eixo fortalece o outro mutuamente, é o Consórcio Internacional do Arroz (International Rice Genome Sequencing Project – IRGSP), que reuniu instituições científicas de vários países a fim de sequenciar o genoma do arroz (Oryza sativa), tornando-se referência para programas de melhoramento genético voltados ao aumento da produtividade agrícola e da resistência a estresses ambientais. Tal sequenciamento completo, publicado na revista Nature (IRGSP, 2005), possibilitou o desenvolvimento de variedades mais adaptadas a mudanças climáticas, contribuindo, assim, para a segurança alimentar global.

Já no contexto brasileiro, a biotecnologia também tem se beneficiado de parcerias internacionais alinhadas aos princípios da ODS 17.  O país conta, por exemplo, com o Projeto Genoma da bactéria Xylella fastidiosa, conduzido pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) em colaboração com diversos centros de pesquisa. Esse estudo, publicado na revista Nature (SIMPSON et al., 2000), resultou no primeiro sequenciamento completo de um fitopatógeno realizado no hemisfério sul. 

Portanto, a cooperação nacional e  internacional facilita o acesso a tecnologias avançadas, promovendo a formação de pesquisadores e ampliando a capacidade científica de países em desenvolvimento. Nesse cenário, a biotecnologia representa um dos caminhos para a implementação da Agenda 2030.

Referência:

COLLINS, F. S. et al. The Human Genome Project: lessons from large-scale biology. Science, v. 300, n. 5617, p. 286–290, 2003.

INTERNATIONAL RICE GENOME SEQUENCING PROJECT. The map-based sequence of the rice genome. Nature, v. 436, p. 793–800, 2005.

NATIONAL HUMAN GENOME RESEARCH INSTITUTE (NHGRI). Landmarks in genetics and genomics. Bethesda: National Institutes of Health. Disponível em:  https://www.genome.gov/sites/default/files/media/files/2020-09/HGP_Timeline.pdf. Acesso em: 15 mar. 2026.

 

NELSON, D. L.; COX, M. M. Lehninger Principles of Biochemistry. 7. ed. New York: W.H. Freeman, 2017.

ONU – ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS. Transformando nosso mundo: a Agenda 2030 para o desenvolvimento sustentável. Nova York: ONU, 2015.

SIMPSON, A. J. G. et al. The genome sequence of the plant pathogen Xylella fastidiosa. Nature, v. 406, p. 151–157, 2000.