Biotecnologia no melhoramento genético de hortaliças
Objetivo: Entender a importância da Biotecnologia na agricultura de hortaliças, contribuindo para o objetivo Fome Zero – ODS 2.
Isadora Coelho Mathias Duarte
Aluna de graduação em Biotecnologia, Universidade de São Paulo.
A alimentação moderna, por conta da industrialização, urbanização e globalização, tem caminhado para dietas ricas em gordura, sal e açúcar e pobres em carboidratos complexos, vitaminas e minerais. Essas dietas, aliadas a um estilo de vida sedentário, propiciam doenças como obesidade, diabetes, problemas cardiovasculares e hipertensão. Uma forma de superar esse problema que ameaça toda a sociedade é consumindo hortaliças pois elas têm pouca gordura e calorias enquanto são ricas em carboidratos, fibras e compostos funcionais, auxiliando na prevenção destas doenças (Carvalho, et al. 2006). Dessa forma, o cultivo de hortaliças tem sido um foco da Biotecnologia, que visa, através do melhoramento genético, tornar o cultivo mais eficiente para suprir as necessidades da população.
Um exemplo disso é o caso da alface, que é a hortaliça folhosa mais consumida do mundo, e é promissora para sistemas de cultivo orgânico, mas seu cultivo sofre com algumas doenças. A doença que mais atrapalha as plantações de alface é a Lettuce mosaic virus (LMV), um vírus transmitido por pulgões alados ou por sementes contaminadas, e está presente em todas as regiões brasileiras. O uso de inseticidas não resolve totalmente o problema pois o vírus é transmitido por picada de prova, e em cultivo orgânico seu uso não é permitido. Por conta disso, a pesquisa de Silva, et al. (2021) procurou estimar parâmetros genéticos e fenotípicos para identificar progênies da alface resistentes ao LMV para cultivo em sistema orgânico.
Foi utilizado o método de melhoramento genético participativo, que une agricultores e pesquisadores para desenvolver uma planta resistente, valorizando o conhecimento e escutando a preferência dos agricultores. A partir disso, foram escolhidas duas cultivares distintas para se fazer o cruzamento entre elas: a cultivares Salinas 88, que é resistente ao LMV, e a Colorado, que não é resistente. Também se escolheu cultivares testemunhas: Regina 71, Verônica e Laurel. O primeiro entre cruzamento foi feito entre a Salinas 88 e a Colorado, e os subsequentes foram de autofecundação, tendo uma etapa de seleção fenotípica das progênies a cada cruzamento feita, por parte dos agricultores, para que prevalecesse as alfaces mais comercializáveis.
Após todo esse processo de seleção e produção das sementes, foi feita a avaliação de resistência ao LMV começando pela semeadura. Após as plantas atingirem 5-6 folhas, elas foram inoculadas com o vírus e 25 dias depois, avaliadas conforme a manifestação dos sintomas. No final da pesquisa, conseguiram reunir duas progênies que são homozigotas recessivas, para resistência a LMV, e podem ser usadas em programas de melhoramento genético, além de três progênies segregantes para a resistência ao LMV, que podem ser utilizadas para nova seleção dentro das progênies.
Em conclusão, a pesquisa de Silva et al. (2021) é um ótimo exemplo de como a Biotecnologia pode ser utilizada para melhorar a agricultura, valorizando os sistemas de cultivo orgânico, que são mais sustentáveis, e também otimizando os cultivos ao reduzir as perdas pelo LVM.
Referência:
CARVALHO, P. G., et al. (2006). Hortaliças como alimentos funcionais. Horticultura Brasileira, 24, 397-404.
SILVA, S., et al. (2021). Melhoramento genético participativo de alface resistente ao LMV para a agricultura orgânica. Revista em Agronegócio e Meio Ambiente, 14(Supl. 1), 1-15.