ODS 9 e o papel da Biotecnologia no Desenvolvimento Industrial Sustentável

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Jheniffer Aparecida Souza de Oliveira

Aluna de graduação em Biotecnologia, Universidade de São Paulo.

A Organização das Nações Unidas (ONU) criou a Agenda 2030 ao perceber que o modelo tradicional de desenvolvimento econômico não é sustentável a longo prazo. Esse modelo, baseado no uso intenso de recursos naturais e em processos industriais poluentes, tem causado impactos ambientais significativos, como aumento da poluição e degradação dos ecossistemas (NAÇÕES UNIDAS, 2026).

Nesse contexto, surge a ODS 9: Indústria, Inovação e Infraestrutura, com o objetivo de promover um crescimento econômico mais equilibrado. O principal problema que levou à criação dessa ODS foi a dificuldade de conciliar industrialização com sustentabilidade, além das desigualdades entre países no acesso à tecnologia e à inovação. Historicamente, embora a industrialização tenha melhorado a qualidade de vida, ela também intensificou problemas ambientais e sociais, tornando necessária a busca por novos modelos de desenvolvimento (IPEA, 2026).

A ODS 9 é colocada em prática por meio de metas que incentivam investimentos em infraestrutura, indústria e tecnologia. Entre essas metas estão a melhoria de sistemas de transporte, ampliação do acesso à internet e incentivo à inovação científica e tecnológica (IPEA, 2026). No entanto, ainda existem desafios, como os muitos processos industriais que continuam sendo altamente poluentes e dependentes de recursos naturais, o que entra em conflito com os objetivos de sustentabilidade.

Diante desse cenário, a biotecnologia se destaca como uma alternativa mais sustentável. Ela utiliza organismos vivos ou partes deles para desenvolver produtos e processos industriais menos agressivos ao meio ambiente. Por exemplo, a produção de biocombustíveis e enzimas industriais por meio de microrganismos pode reduzir o consumo de energia e a geração de resíduos quando comparada aos processos químicos tradicionais (STANBURY; WHITAKER; HALL, 2016). Além disso, a biotecnologia permite o reaproveitamento de resíduos industriais e agrícolas, contribuindo para a redução do desperdício e para o desenvolvimento de uma economia mais circular.

Outro aspecto importante é a relação entre universidades e indústrias, que facilita a transformação do conhecimento científico em aplicações práticas. Segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, o investimento em pesquisa e desenvolvimento é essencial para fortalecer a indústria e reduzir desigualdades entre países (IPEA, 2026). Apesar disso, países em desenvolvimento ainda enfrentam dificuldades, como falta de recursos financeiros e infraestrutura adequada, o que limita a implementação dessas soluções.

 Por fim, essa ODS tem como foco melhorar a forma como os países se desenvolvem economicamente. De acordo com a definição oficial, seu objetivo é construir infraestruturas resilientes, promover a industrialização inclusiva e sustentável e fomentar a inovação (NAÇÕES UNIDAS, 2026). Isso significa que não basta apenas crescer economicamente, mas sim crescer com organização, tecnologia e menor impacto ambiental.

Em resumo, ela busca criar uma base sólida para o desenvolvimento dos países, unindo infraestrutura, indústria e inovação. Portanto, para que ela funcione de forma eficiente, é necessário reduzir desigualdades, investir em tecnologia e garantir que o crescimento econômico aconteça de maneira sustentável, com destaque para o uso de soluções como a biotecnologia.

Referência:

INSTITUTO DE PESQUISA ECONÔMICA APLICADA (IPEA). ODS 9 – Indústria, inovação e infraestrutura. Disponível em: https://www.ipea.gov.br/ods/ods9.html. Acesso em: 20 abr. 2026.

NAÇÕES UNIDAS. Objetivo 9: Indústria, inovação e infraestruturas. Disponível em: https://unric.org/pt/ods-9/. Acesso em: 20 abr. 2026.

UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO (USP). ODS 9 – Indústria, inovação e infraestrutura. Disponível em: https://projetoods.ib.usp.br/2021/06/28/ods-9/. Acesso em: 20 abr. 2026.

STANBURY, P. F.; WHITAKER, A.; HALL, S. J. Principles of Fermentation Technology. 3. ed. Oxford: Butterworth-Heinemann, 2016.