Biotecnologia e Compartilhamento de Dados Biológicos: Parcerias Globais para Acelerar o Desenvolvimento Sustentável
Objetivo: Apresentar como a biotecnologia contribui para a ODS 17, com foco no compartilhamento global de dados biológicos e genômicos, destacando como essas colaborações fortalecem a pesquisa científica, promovem inovação e impulsionam soluções sustentáveis.
Livia de Oliveira Barros
Aluna de graduação em Biotecnologia, Universidade de São Paulo.
A biotecnologia tem se consolidado como uma das áreas científicas mais estratégicas para enfrentar desafios globais relacionados à saúde, meio ambiente e segurança alimentar. Esse campo multidisciplinar integra conhecimentos da biologia, química, engenharia e ciência de dados, possibilitando o desenvolvimento de soluções inovadoras. Nesse contexto, a colaboração internacional torna-se essencial, uma vez que a geração e análise de dados biológicos demandam infraestrutura, recursos financeiros e expertise técnica que frequentemente ultrapassam as capacidades de um único país ou instituição (OECD, 2020).
A ODS 17, estabelecida pela Agenda 2030 das Nações Unidas, destaca a importância de parcerias globais para alcançar o desenvolvimento sustentável. No campo da biotecnologia, essas parcerias são particularmente relevantes para o compartilhamento de dados biológicos e genômicos, que permitem avanços científicos mais rápidos e eficientes. O desenvolvimento de tecnologias como o sequenciamento de nova geração (NGS) gerou um grande volume de dados genéticos, cuja análise depende de cooperação entre pesquisadores e instituições de diferentes regiões do mundo (Stephens et al., 2015).
Um exemplo importante dessa colaboração global é a criação de bancos de dados biológicos internacionais. Esses repositórios permitem que pesquisadores compartilhem informações genéticas de microrganismos, plantas, animais e seres humanos, promovendo o avanço científico coletivo. A disponibilização desses dados facilita a identificação de novos alvos terapêuticos, o desenvolvimento de vacinas, a conservação da biodiversidade e o aprimoramento de culturas agrícolas mais resistentes às mudanças climáticas.
Figura 1 — Ilustração de banco de dados genéticos. Fonte: Teste da Bochechinha, 2021
Além disso, o compartilhamento de dados biológicos tem sido essencial para o desenvolvimento da bioeconomia, que busca utilizar recursos biológicos de forma sustentável para gerar produtos e serviços inovadores. A bioeconomia depende fortemente da cooperação internacional, especialmente em regiões com grande biodiversidade, como países tropicais. Nessas áreas, parcerias entre universidades, centros de pesquisa e empresas biotecnológicas permitem a exploração sustentável de recursos naturais, promovendo desenvolvimento econômico aliado à conservação ambiental (Bugge et al., 2016).
Outro aspecto relevante é o papel da biotecnologia na conservação da biodiversidade global. Projetos colaborativos internacionais utilizam ferramentas biotecnológicas, como sequenciamento genético e bioinformática, para mapear espécies e monitorar ecossistemas. Essas iniciativas dependem do compartilhamento de dados entre diferentes países e instituições, fortalecendo a cooperação científica e contribuindo diretamente para os objetivos da Agenda 2030. Dessa forma, a biotecnologia não apenas gera conhecimento, mas também fortalece redes globais de pesquisa e inovação (Lewin et al., 2018).
Além das contribuições científicas, a biotecnologia também promove parcerias entre setores público e privado. Empresas de biotecnologia frequentemente colaboram com universidades e institutos de pesquisa para desenvolver novas tecnologias. Essas parcerias aceleram a transferência de conhecimento e facilitam a aplicação prática das descobertas científicas, contribuindo para o desenvolvimento sustentável e fortalecendo a ODS 17 (Leal Filho et al., 2022).
Portanto, a biotecnologia desempenha um papel fundamental na promoção de parcerias globais, especialmente por meio do compartilhamento de dados biológicos e genômicos. Essas colaborações permitem avanços científicos mais rápidos, promovem inovação e contribuem para soluções sustentáveis em diversas áreas.
Referência:
BUGGE, M.; HANSEN, T.; KLITKOU, A. What is the bioeconomy? A review of the literature. Sustainability, v. 8, n. 7, p. 691, 2016.
LEAL FILHO, W. et al. The role of biotechnology in achieving sustainable development goals. Environmental Sciences Europe, v. 34, p. 1–12, 2022.
LEWIN, H. A. et al. Earth BioGenome Project: Sequencing life for the future of life. Proceedings of the National Academy of Sciences, v. 115, n. 17, p. 4325–4333, 2018.
OECD. The Bioeconomy to 2030: Designing a Policy Agenda. Paris: OECD Publishing, 2020.
STEPHENS, Z. D. et al. Big data: Astronomical or genomical? PLoS Biology, v. 13, n. 7, 2015.
TESTE DA BOCHECHINHA. Bancos de dados genéticos: o que é e qual sua importância. Maio de 2021. Disponível em: https://testedabochechinha.com.br/banco-de-dados-diagnostico-doencas-raras-comuns/. Acesso em: 28 mar. 2026.