Abrindo caminhos: a Biotecnologia como peça fundamental de novos parcerias científicas
Lauren Marques Graff
Aluna de graduação em Biotecnologia, Universidade de São Paulo.
A Biotecnologia é um campo de ciência multidisciplinar com extenso potencial social, abrangendo assuntos dos mais variados. Em especial, medicina, agricultura, farmácia e gestão ambiental têm ilustrado a aplicabilidade deste campo como melhoria na qualidade de vida e na diminuição dos impactos ambientais da ação humana (Afshan, 2022). Em face dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU (ODS), nota-se que o aprofundamento de alternativas biológicas em processos humanos desempenha um papel fundamental.
Não é de se estranhar que a Biotecnologia esteja intrinsecamente relacionada ao ODS 17, relativo à formação de parcerias para o cumprimento das metas da Agenda 2030. Por se tratar de uma área de caráter aplicado e teórico, o estudo de novas soluções com viés biotecnológico ocorre por meio de parcerias tanto de natureza pública e privada como nacionais e internacionais (Martins et al., 2026). Curiosamente, um dos pilares para a Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) é o compartilhamento de conhecimentos, técnicas, materiais e, inclusive, de pessoas entre as organizações. Assim, é esperado que a Biotecnologia seja uma peça importante para o fortalecimento do ODS 17.
Fonte: Adaptado de Stibbe e Prescott (2020), com auxílio da ferramenta OpenAI®.
Visando o aumento dessas parcerias, a Universidade de São Paulo dedica-se ao fortalecimento e estabelecimento de vínculos institucionais com agentes externos, seja no eixo Sul-Sul ou Norte-Sul. Nestas parcerias, é necessário pensar não apenas no processo de elaboração da união dos pares, como também nos efeitos esperados destas.
Oportunidades de parceria na interface entre negócios e desenvolvimento | ||
Resultados para as empresas | Oportunidade de parceria | Resultados de desenvolvimento |
• Aumentar o acesso a talentos suficientemente qualificados e capacitados | Educação e desenvolvimento da força de trabalho | • Aumentar a taxa de emprego • Aumentar a renda individual |
• Aumentar a confiabilidade e a eficiência • Reduzir o custo de produtos e serviços | Fortalecimento da cadeia de suprimentos | • Aumentar a renda de fornecedores (ex.: agricultores) • Melhorar o acesso aos mercados |
• Aumentar o acesso a novos mercados • Desenvolvimento de novos produtos em mercados existentes | Produtos e serviços acessíveis | • Aumentar o acesso a bens e serviços acessíveis e de alta qualidade que promovam o desenvolvimento |
• Melhorar o ambiente favorável aos negócios • Reduzir o risco de entrada no mercado | Fortalecimento da capacidade governamental | • Melhorar a democracia e aumentar a estabilidade política • Reduzir a corrupção |
Fonte: Adaptado de Stibbe e Prescott (2020).
E
m relatório prévio da Comissão de Negócios e Desenvolvimento Sustentável, foi estimado que as oportunidades de investimento para empresas em 60 áreas-chave geradas pelos ODS foi em US$ 12 trilhões, nas quais as principais áreas de investimento foram em sistemas de mobilidade, novas soluções de saúde, eficiência energética, energia limpa e habitação acessível, soluções agrícolas e infraestrutura urbana (Stibbe; Prescott, 2020). Nestas subáreas, a Biotecnologia é atuante direta, sendo ativa tanto em segmentos industriais tradicionais, como também em empresas start-up.
Como exemplo para novas soluções de saúde, o projeto desenvolvido no Instituto de Física de São Carlos (IFSC – USP) pelo grupo Grupo de Nanomedicina e Nanotoxicologia (GNano) e coordenado pelo professor doutor Valtencir Zucolotto é exemplo do papel biotecnológico para a saúde humana (Sintra, 2025). Com o financiamento dado pela Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP), o grupo de pesquisa procura encontrar alternativas na nanomedicina capazes de diagnosticar e gerar terapias para câncer e doenças raras. Além desse auxílio financeiro público, houve também colaboração de ordem institucional, com o Hospital de Amor, à Faculdade de Medicina da USP e o Instituto do Câncer do Estado de São Paulo, além de parcerias internacionais, como com a Universidade do Porto, Universidade Joseph Fourier e o Centro de Investigação em Materiais Avançados (“GNano – Laboratório de Nanomedicina e Nanotoxicologia”, [S.d.]).
Tal como proposto pelo ODS 17, o estudo liderado pelo professor Valtencir Zucolotto é um exemplo real de como a ciência pode promover a Agenda 2030, assim como ser dependente desta para sua efetividade e realização. Tecnologias novas e soluções sustentáveis podem ser encontradas por meio de pesquisas nos âmbitos acadêmicos e industriais, porém tal elaboração é dependente do apoio entre países, instituições e público-privado (Donato et al., 2023). Justamente por isso, o objetivo 17 pode ser definido como guia para atingir os demais, culminando no papel central deste para um futuro saudável ecologicamente, socialmente e economicamente (Leal Filho et al., 2025).