DNA ambiental (eDNA): a biotecnologia que está revolucionando o monitoramento da biodiversidade

Objetivo: De acordo com a ODS 15, que busca proteger a vida terrestre e conservar a biodiversidade, este texto tem como objetivo apresentar o DNA ambiental (eDNA) como uma ferramenta biotecnológica inovadora para o monitoramento de espécies, mostrando como essa tecnologia permite identificar organismos presentes em um ambiente sem a necessidade de captura direta, contribuindo para a conservação dos ecossistemas e a proteção de espécies ameaçadas.

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Maria Eduarda Ferraz Reis

Aluna de graduação em Biotecnologia, Universidade de São Paulo.

A perda de biodiversidade é um dos principais desafios ambientais da atualidade. Muitas espécies desaparecem antes mesmo de serem estudadas, o que dificulta ações de conservação. Nesse cenário, novas tecnologias vêm sendo desenvolvidas para tornar o monitoramento ambiental mais eficiente, e o DNA ambiental, conhecido como eDNA, tem se destacado como uma das ferramentas mais promissoras.

Fonte: ENVIRONMENTAL PROTECTION AUTHORITY (EPA). What is eDNA? Disponível em: https://www.epa.govt.nz/community-involvement/open-waters-aotearoa/what-is-edna/⁠

O eDNA consiste em fragmentos de material genético que os organismos liberam no ambiente, por meio de pele, fezes, urina ou secreções. Esses fragmentos ficam presentes no solo, na água ou até no ar, podendo ser coletados e analisados por pesquisadores. A partir dessas amostras, é possível identificar quais espécies estão presentes em determinado local sem a necessidade de observação direta [1][2].

Essa técnica tem se mostrado extremamente útil para o monitoramento da biodiversidade, especialmente em áreas de difícil acesso ou onde as espécies são raras e difíceis de detectar. Estudos demonstram que o eDNA pode identificar organismos com alta sensibilidade, sendo uma ferramenta importante para detectar espécies ameaçadas e acompanhar mudanças nos ecossistemas ao longo do tempo [2][3].

Além disso, o uso do eDNA contribui para reduzir impactos sobre os organismos estudados. Métodos tradicionais de monitoramento muitas vezes envolvem captura ou manipulação de animais, o que pode causar estresse ou interferir no comportamento das espécies. Com o eDNA, esse impacto é minimizado, tornando o processo mais ético e sustentável [1].

Outra aplicação importante está no controle de espécies invasoras. O eDNA permite detectar a presença dessas espécies em estágios iniciais, antes que se espalhem de forma significativa. Isso possibilita ações mais rápidas e eficientes para proteger os ecossistemas nativos [3][4].

A biotecnologia é fundamental para o funcionamento dessa técnica. Métodos como a reação em cadeia da polimerase (PCR) permitem amplificar pequenas quantidades de DNA, tornando possível a identificação das espécies mesmo quando o material genético está em baixa concentração. Com os avanços da biologia molecular, o uso do eDNA tem se tornado cada vez mais acessível e preciso [2].

Apesar das vantagens, ainda existem desafios. A interpretação dos resultados pode ser complexa, já que o DNA pode permanecer no ambiente por diferentes períodos de tempo, dificultando a determinação exata de quando a espécie esteve presente. Além disso, fatores ambientais podem influenciar a degradação do material genético [4].

Dessa forma, o eDNA se destaca como uma ferramenta inovadora e promissora para a conservação da biodiversidade. Ao permitir o monitoramento eficiente e não invasivo das espécies, essa tecnologia contribui para a proteção dos ecossistemas terrestres, reforçando a importância da biotecnologia no alcance dos objetivos da ODS 15.

Referência:

[1] TABERLET, P. et al. (2012). Environmental DNA. Molecular Ecology, 21(8), 1789–1793.

[2] THOMSEN, P. F.; WILLERSLEV, E. (2015). Environmental DNA – An emerging tool in conservation for monitoring past and present biodiversity. Biological Conservation, 183, 4–18.

[3] REES, H. C. et al. (2014). The detection of aquatic animal species using environmental DNA – a review of eDNA as a survey tool. Journal of Applied Ecology, 51, 1450–1459.

[4] BARNES, M. A.; TURNER, C. R. (2016). The ecology of environmental DNA and implications for conservation genetics. Conservation Genetics, 17, 1–17.