{"id":4641,"date":"2017-04-17T10:28:28","date_gmt":"2017-04-17T13:28:28","guid":{"rendered":"https:\/\/sites.usp.br\/cedihus\/?p=4641"},"modified":"2025-08-30T13:07:24","modified_gmt":"2025-08-30T16:07:24","slug":"sofrimento-moral-de-enfermeiros-no-seculo-xxi","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.usp.br\/cedihus\/sofrimento-moral-de-enfermeiros-no-seculo-xxi\/","title":{"rendered":"Sofrimento Moral de Enfermeiros no S\u00e9culo XXI"},"content":{"rendered":"\t\t<div data-elementor-type=\"wp-post\" data-elementor-id=\"4641\" class=\"elementor elementor-4641\" data-elementor-post-type=\"post\">\n\t\t\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-24407ab2 elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"24407ab2\" data-element_type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-2c863686\" data-id=\"2c863686\" data-element_type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-367216b elementor-widget__width-initial elementor-widget elementor-widget-heading\" data-id=\"367216b\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"heading.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t<h2 class=\"elementor-heading-title elementor-size-default\">Por: Jo\u00e3o Paulo Victorino e Carla A. Arena Ventura<\/h2>\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-444e745f elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"444e745f\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t<p>O processo de trabalho desenvolvido pelos enfermeiros nos diferentes contextos em que atuam pode exp\u00f4-los a situa\u00e7\u00f5es nas quais a necessidade de realizar a tomada de decis\u00f5es tange suas cren\u00e7as pessoais e morais. Desta forma, os enfermeiros tendem a se deparar com situa\u00e7\u00f5es nas quais suas a\u00e7\u00f5es tornam-se incoerentes com as suas pr\u00f3prias convic\u00e7\u00f5es (CORLEY et al, 2001). Quest\u00f5es como qualidade de vida, tomada de decis\u00e3o \u00e9tica e o direito de recusa a alguma oferta de tratamento s\u00e3o somente alguns dos dilemas que enfermeiros e outros profissionais de sa\u00fade tendem a lidar rotineiramente.<\/p><p>Deste modo, o profissional reconhece o correto a ser feito \u2013 aquilo que julga como moralmente aceito &#8211;\u00a0 mas depara-se impossibilitado de empreender essa a\u00e7\u00e3o, seja por erros de julgamento, falhas pessoais, fraquezas de car\u00e1ter ou mesmo circunst\u00e2ncias alheias ao controle pessoal (BARLEM et al, 2012).<\/p><p>Este conjunto de a\u00e7\u00f5es foi definido na d\u00e9cada de 1980 por Andrew Jameton como sofrimento moral \u2013 <em>moral distress<\/em> &#8211;\u00a0 ou seja, o sofrimento decorrente da incoer\u00eancia entre as a\u00e7\u00f5es das pessoas e suas convic\u00e7\u00f5es (JAMETON, 1984). Trata-se de um desequil\u00edbrio psicol\u00f3gico que resulta do reconhecimento de uma a\u00e7\u00e3o eticamente apropriada, mas que \u00e9 dif\u00edcil de ser realizada devido a obst\u00e1culos institucionais, como imposi\u00e7\u00e3o hier\u00e1rquica da equipe m\u00e9dica frente a equipe de enfermagem, pol\u00edticas institucionais, n\u00famero insuficiente de profissionais na equipe e tempo insuficiente para as tomadas de decis\u00f5es (VEER et al, 2013; CORLEY et al, 2001 &amp; JAMETON, 1984). Configura-se como um fen\u00f4meno que apresenta s\u00e9rias implica\u00e7\u00f5es para os enfermeiros e pacientes, e que nunca poder\u00e1 ser definitivamente eliminado, embora haja a possibilidade de \u201catenuar\u201d suas causas e efeitos. Nesse sentido, \u00e9 importante sua correta identifica\u00e7\u00e3o e acurada compreens\u00e3o de todos os fatores relacionados (O\u2019CONNELL, 2014).<\/p><p>Embora grande parte dos estudos acerca desta tem\u00e1tica tenha sido desenvolvido na terapia intensiva, tendo em vista a complexidade do cuidado prestado e a constante exposi\u00e7\u00e3o dos profissionais de sa\u00fade \u00e0s tomadas de decis\u00f5es (PENDRY, 2007), \u00e9 importante elucidar que o sofrimento moral pode afetar todos os profissionais, embora em n\u00edveis distintos, de acordo com a exposi\u00e7\u00e3o aos fatores que resultam em sua ocorr\u00eancia.<\/p><p>Como enfermeiros dispostos a lidarem com esse tipo de situa\u00e7\u00e3o, eles tendem a ter seus valores pessoais e profissionais comprometidos e ent\u00e3o, vivenciam o que \u00e9 denominado sofrimento moral \u2013 ou seja, aquilo que ocorre como resultado de a\u00e7\u00f5es contr\u00e1rias aos valores pessoais e profissionais (AMERICAN ASSOCIATION OF CRITICAL-CARE NURSES, 2004).<br \/>Embora o sofrimento moral tenha se tornado campo de diversos estudos mundialmente, deve-se considerar a aus\u00eancia de investiga\u00e7\u00f5es que relacionam esse tema \u00e0s diversas \u00e1reas do conhecimento, o que nos permite afirmar a exist\u00eancia de uma lacuna expressiva no contexto cient\u00edfico sobre esta tem\u00e1tica. Logo, \u00e9 imperativa a necessidade de estudos que abordem esse assunto e contribuam com a produ\u00e7\u00e3o cient\u00edfica do saber relacionada ao tema em quest\u00e3o.<\/p><p>A literatura cient\u00edfica mundial tem caracterizado o sofrimento moral como um dos principais problemas \u00e9ticos que afetam n\u00e3o somente a sa\u00fade do profissional, mas tamb\u00e9m a qualidade do cuidado prestado e o sistema de sa\u00fade, seja ele p\u00fablico ou privado (BARLEM &amp; RAMOS, 2014; JOHNSTONE &amp; HUTCHINSON, 2013), visto que afeta a sa\u00fade mental, f\u00edsica e espiritual dos profissionais, al\u00e9m dos aspectos associados \u00e0s rela\u00e7\u00f5es sociais e de trabalho.<\/p><p>O sofrimento moral provoca sentimentos como frustra\u00e7\u00e3o, culpa, estresse, ansiedade, inseguran\u00e7a, medo e depress\u00e3o, o que interfere diretamente na capacidade decis\u00f3ria destes profissionais. Sobretudo o sofrimento moral pode ainda ocasionar <em>burnout<\/em> e consequentemente contribuir com a sa\u00edda do profissional de seu emprego (SHOORIDEH et al, 2014), ocasionando uma sobrecarga na equipe de trabalho e, consequentemente, no pr\u00f3prio sistema de sa\u00fade.<\/p><p>Durante a rotina de trabalho, os enfermeiros podem vivenciar o sofrimento moral sem compreender seu significado, consequ\u00eancias e, sobretudo, sem poder exercer a profiss\u00e3o em sua plenitude, o que inviabiliza a garantia dos direitos do cliente, de advogar em sua defesa sem saber como enfrentar tais contextos permeados por d\u00favidas, impot\u00eancia e sofrimento, sintomas b\u00e1sicos associados ao sofrimento moral (BARLEM, 2012).<\/p><p>\u00a0<\/p><h2 style=\"font-size: 30px;\"><span data-contrast=\"auto\">\ud83d\udccc <\/span>Refer\u00eancias<\/h2><p>AMERICAN ASSOCIATION OF CRITICAL-CARE NURSES. AACN Public Policy Position Statement: Moral Distress. Aliso Viejo, Calif: American Association of Critical-Care Nurses; July, 2004.<\/p><p>BARLEM, E.L.D; LUNARDI, V.L; LUNARDI. G.L et al. Viv\u00eancia do Sofrimento Moral na Enfermagem: Percep\u00e7\u00e3o da Enfermeira. Rev. Esc Enferm USP. V. 46, n. 3, p.681-68, 2012.<\/p><p>BARLEM, E.L.D. &amp; RAMOS, F.R.S. Constructing a Theoretical Model of Moral Distress. Nursing Ethics. V.22, n. 5, p. 608-615, 201<\/p><p>BARLEM, E.L.D. Reconfigurando o Sofrimento Moral na Enfermagem: Uma Vis\u00e3o Focaultiana. Tese (Doutorado). Universidade Federal do Rio Grande. Escola de Enfermagem, Rio Grande, 2012.<\/p><p>CORLEY, M.C; ELSWICK, R.K; GORMAN, M and CLOR T. Development and Evaluation of a Moral Distress Scale. Methodological Issues in Nursing Research, V.33, n. 2, p. 250-256, 2001.<\/p><p>JAMETON, A. Nursing Practice: The Ethical Issues. Englewood Cliff, NJ; Prentice-Hall Inc; 1984.<\/p><p>JOHNSTONE, M.J &amp; HUTCHINSON A. Moral Distress \u2013 Time to Abandon a Flawed Nursing constructo? Nursing Ethics, V. 22, n.1, p. 5-14, 2013.<\/p><p>O\u2019CONNELL, C. Gender and the Experience of Moral Distress in Critical-Care Nurses. Nursing Ethics, V. 22, n. 1, p. 32-42, 2014.<\/p><p>PENDRY, P.S. Moral Distress: Recognizing it to Retain Nurses. Nursing Economics, V. 25, n. 4, p.217-221, 2007.<\/p><p>SHOORIDEH, F A; ASHKTORAB, T; YAGHMAEI, F and MAJD, V.E.R. Relationship Between ICU Nurses\u2019 Moral Distress With Bournout and Antecipated Turnover. Nursing Ethics, V. 22, n. 1, p. 64-76, 2014.<\/p><p>VEER, A.J.E; FRANCKE, A.L; STRUIJS, A and WILLEMS, D.L. Determinants of Moral Distress in Daily Nursing Practice: A Cross Sectional Correlational Questionnaire Survey. International Journal of Nursing Studies, V. 50, p. 100-108, 2013.<\/p>\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por: Jo\u00e3o Paulo Victorino e Carla A. 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