26/05 às 20h

Espetáculo Diana, de Celso Frateschi

Teatro do SESC São Carlos (presencial)

A história acontece na cidade de São Paulo, durante o final dos anos sessenta. É a saga de um professor de línguas de um colégio da periferia que, descrente e cansado das palavras das pessoas, prefere conversar com as coisas. Traído pela mulher, só dá crédito ao que dizem os inanimados. Sai de casa e se apaixona pela escultura “Saindo do Banho”, de Victor Brecheret, instalada no Largo do Arouche, a quem ele batiza de Diana. De repente, nosso “herói” é sequestrado por agentes da polícia, sendo confundido com um militante de esquerda. A peça se concentra nesse curto momento em que ele se encontra em um cativeiro, para ele um não lugar, onde busca entender o seu desentendimento. Em oito cenas curtas, ele repassa a sua vida e o seu fim.

Ficha Técnica:
texto e interpretação: Celso Frateschi
direção: Rudifran Pompeu
cenário e figurino: Sylvia Moreira
trilha sonora original: Demian Pinto
concepção de luz: Wagner Freire
direção de movimento: Vivien Buckup
coordenação de produção e gestão do projeto: Marlene Salgado
produção: Ágora Teatro

DIANA E O ÁGORA TEATRO

O patético de nossa situação nos leva a algumas questões: O que leva o cidadão a se desinteressar da vida social a ponto de alienar-se do convívio humano? Ou, o que leva uma pessoa a entregar a sua existência àquilo e àqueles que a oprimem? O que causa o desinteresse pelo outro? O que nos leva a desentender o óbvio que se torna mistério quando nos alienamos de nossa própria ignorância? O que é capaz de quebrar a nossa empatia pelo humano? Essas são algumas das questões éticas que justificam a pesquisa estética que o Ágora Teatro desenvolve desde a sua formação em 1999, onde DIANA foi a primeira peça a ser produzida e fazer parte dessa formulação de questões, acreditando-se que a arte e a estética só arriscam respostas para formular melhor as questões.O texto de DIANA foi elaborado e discutido por muito tempo. Essa é uma característica do Ágora Teatro: aprofundar o material artístico ao extremo para que se possa chegar a dimensões desconhecidas. Em um de seus poemas, Brecht nos diz:

“… fôssemos infinitos tudo mudaria
como somos finitos muito permanece…”

O verso nos inspira a manter o foco e o material da pesquisa por vezes até além do limite, para que possamos atingir as mais diversas camadas dos seus significados possíveis.

O Ágora Teatro fez isso em suas montagens de “Ricardo III”, de Shakespeare, “Tio Vânia”, de Tchecov, “Antes do Café”, de O’Neill, “Sonho de um Homem Ridículo” e “O Grande inquisidor”, de Dostoiévski, e “Horácio”, de Heiner Muller.

Em tempos ditados pelas aparências, a busca para se compreender as estruturas pessoais e sociais que nos movimentam e nos definem pode nos entreter e mesmo nos divertir.

A pesquisa do Ágora Teatro e DIANA procura criar signos que instiguem o espectador a se

emocionar, a se divertir e a refletir sobre o ser humano e suas relações sociais e com o planeta. O teatro se realiza na sua relação com a plateia que frui a obra, de acordo com a sua época e interesses. DIANA se situa num momento ditatorial da história do Brasil, vivido pelo autor no final dos anos 60 e que permanece escondido nos interesses daqueles que novamente assumem a direção de nosso país. Não se trata de peça denúncia ou teatro documentário; é pura ficção, apesar de inspirada em alguns episódios reais. O que nos interessa é abordar o comportamento do homem banal que sofre as consequências do ato arbitrário, apesar de não identificar de onde ele vem e nem conseguir entender o porquê.