{"id":4015,"date":"2019-12-04T12:13:07","date_gmt":"2019-12-04T15:13:07","guid":{"rendered":"https:\/\/www.fmrp.usp.br\/?p=4015"},"modified":"2021-01-15T12:26:02","modified_gmt":"2021-01-15T14:26:02","slug":"arquivos-4015","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.usp.br\/devfmrp\/en\/arquivos-4015\/","title":{"rendered":"Cientistas descobrem como age o v\u00edrus que agrava a leishmaniose"},"content":{"rendered":"<div class=\"elementor-element elementor-element-f56ebad elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"f56ebad\">\n<div class=\"elementor-widget-container\">\n<div class=\"elementor-text-editor elementor-clearfix\">\n<p dir=\"ltr\">Casos graves de leishmaniose, que desfiguram a face dos doentes e podem levar \u00e0 morte, s\u00e3o causados pelo parasita Leishmania infectado por um v\u00edrus, o Leishmania RNA v\u00edrus (LRV). Esse fato j\u00e1 era conhecido da ci\u00eancia, mas agora pesquisadores da Faculdade de Medicina de Ribeir\u00e3o Preto (FMRP) da USP descobriram a forma como o v\u00edrus age no organismo humano para agravar a doen\u00e7a.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">A leishmaniose \u00e9 end\u00eamica na Am\u00e9rica Latina e, segundo a ONG M\u00e9dicos Sem Fronteiras, trata-se da segunda doen\u00e7a transmitida por parasita que mais mata no mundo. No Brasil, o\u00a0<a href=\"http:\/\/saude.gov.br\/saude-de-a-z\/leishmaniose-tegumentar\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-saferedirecturl=\"https:\/\/www.google.com\/url?q=http:\/\/saude.gov.br\/saude-de-a-z\/leishmaniose-tegumentar&amp;source=gmail&amp;ust=1574452332861000&amp;usg=AFQjCNFX2au4C-KMiMGyrzQo8Cno8A6yOQ\">Minist\u00e9rio da Sa\u00fade<\/a>\u00a0registra cerca de 21 mil novos casos todos os anos, a maioria na regi\u00e3o Norte, seguida das regi\u00f5es Centro-Oeste e Nordeste.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Um grande n\u00famero de doentes apresenta les\u00f5es na pele. H\u00e1, no entanto, casos mais graves, em que as les\u00f5es se espalham pelo corpo: \u00e9 a chamada leishmaniose mucocut\u00e2nea, forma mais grave da doen\u00e7a, que surge nas mucosas, frequentemente nariz, boca e garganta. Essas les\u00f5es podem se tornar desfigurantes e s\u00e3o bastante graves.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Quando atingem o nariz, as les\u00f5es podem causar entupimentos, sangramentos, coriza, aparecimento de crostas e feridas. Quando atingem a garganta, os sintomas s\u00e3o dor ao engolir, rouquid\u00e3o, tosse.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Em alguns casos, os doentes com leishmaniose cut\u00e2nea se recuperam. Em muitos outros, a doen\u00e7a progride para a fase mucocut\u00e2nea e os pacientes chegam at\u00e9 mesmo a morrer.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">O pesquisador Renan Carvalho desenvolveu sua pesquisa de doutorado na FMRP com o objetivo de entender o que provoca esses casos mais graves de leishmaniose. Junto ao seu orientador, o professor Dario Zamboni, Carvalho identificou os alvos celulares do sistema imunol\u00f3gico humano atacados pelo v\u00edrus LRV.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"elementor-element elementor-element-b07e5e8 elementor-widget elementor-widget-image\" data-id=\"b07e5e8\">\n<div class=\"elementor-widget-container\">\n<div class=\"elementor-image\">Desarmando o sistema de defesa<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"elementor-element elementor-element-51bb791 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"51bb791\">\n<div class=\"elementor-widget-container\">\n<div class=\"elementor-text-editor elementor-clearfix\">\n<p dir=\"ltr\">Ao confirmar que os casos mais graves, decorrentes da leishmaniose mucocut\u00e2nea, s\u00e3o provocados pelo parasita infectado pelo v\u00edrus LRV, os pesquisadores tamb\u00e9m conseguiram compreender como o v\u00edrus atua ao aumentar a gravidade das les\u00f5es mucocut\u00e2neas. Para isso, eles estudaram, em laborat\u00f3rio, material coletado de pacientes doentes e analisaram a doen\u00e7a em ratos.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Os cientistas verificaram que o v\u00edrus, introduzido no organismo pelo parasita da Leishmania, ativa um receptor nas c\u00e9lulas humanas chamado TLR3. Ap\u00f3s essa ativa\u00e7\u00e3o, o sistema imunol\u00f3gico come\u00e7a a produzir interferon tipo 1. O interferon, por sua vez, induz a autofagia das c\u00e9lulas humanas. Autofagia \u00e9 o processo de degrada\u00e7\u00e3o e reciclagem de componentes da c\u00e9lula.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">O professor Dario Zamboni conta que, quando o sistema imune come\u00e7a a produzir interferon do tipo 1, as c\u00e9lulas humanas ficam muito mais vulner\u00e1veis. Isto acontece porque a presen\u00e7a do interferon impede a a\u00e7\u00e3o do inflamassoma, que \u00e9 um conjunto de prote\u00ednas do sistema imune que ajuda a combater a infec\u00e7\u00e3o. Arma importante para matar o protozo\u00e1rio Leishmania, \u201co inflamassoma ajuda nossas c\u00e9lulas a se defender do parasita\u201d.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">\u00c9 como se o v\u00edrus LRV \u201cdriblasse nosso sistema imune\u201d, comenta Renan Carvalho. Agora, \u201centendemos como o v\u00edrus age para manipular as defesas do nosso organismo e favorecer o crescimento do parasita\u201d. Sem o v\u00edrus, diz o pesquisador, \u201cdesenvolvemos uma resposta imune que, muitas vezes, \u00e9 capaz de eliminar o parasita, mas na presen\u00e7a do v\u00edrus ele consegue driblar nosso sistema imunol\u00f3gico\u201d e provocar os problemas faciais da leishmaniose tegumentar mucocut\u00e2nea.<\/p>\n<div class=\"elementor-element elementor-element-c7ba811 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"c7ba811\">\n<div class=\"elementor-widget-container\">\n<div class=\"elementor-text-editor elementor-clearfix\">\n<p dir=\"ltr\">Caminho aberto para novos tratamentos<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"elementor-element elementor-element-5e303e4 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"5e303e4\">\n<div class=\"elementor-widget-container\">\n<div class=\"elementor-text-editor elementor-clearfix\">\n<p dir=\"ltr\">De acordo com Carvalho, essa descoberta \u00e9 importante porque abre novas perspectivas para o desenvolvimento de terapias para a doen\u00e7a. \u201cSe conseguirmos direcionar tratamentos que atuem nesses alvos manipulados pelo v\u00edrus, poderemos melhorar o combate ao parasita promovido pelo nosso sistema imune e impedir o agravamento da doen\u00e7a\u201d, diz.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">E s\u00e3o esses os pr\u00f3ximos passos da pesquisa, garante o pesquisador. Como j\u00e1 comprovaram os achados tanto\u00a0<em>in vitro<\/em>\u00a0(culturas de c\u00e9lulas humanas) quanto\u00a0<em>in vivo<\/em>\u00a0(animais de laborat\u00f3rio), agora eles devem validar os achados em humanos. Segundo Carvalho, o mais importante \u00e9 que as descobertas j\u00e1 podem orientar os m\u00e9dicos para novas abordagens terap\u00eauticas para a leishmaniose.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">O pesquisador diz que se um paciente estiver com diagn\u00f3stico confirmado da doen\u00e7a, deve-se verificar tamb\u00e9m, atrav\u00e9s de t\u00e9cnicas de biologia molecular, a presen\u00e7a ou n\u00e3o do v\u00edrus. Se o parasita tiver o v\u00edrus, \u201ctalvez o manejo cl\u00ednico desse paciente tenha que ser diferenciado\u201d, alerta Carvalho.<\/p>\n<p><span id=\"m_-8229150330807498213gmail-docs-internal-guid-18618050-7fff-d72c-5760-82f7c0d27220\">Os resultados desse estudo acabam de ser publicados na\u00a0<em><a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41467-019-13356-2\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-saferedirecturl=\"https:\/\/www.google.com\/url?q=https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41467-019-13356-2&amp;source=gmail&amp;ust=1574452332861000&amp;usg=AFQjCNGh9epbOZjqvQI5F2UAtsM8EWy8qA\">Nature Communications<\/a>,\u00a0<\/em>\u00a0pelos pesquisadores Carvalho e Zamboni e equipe nos laborat\u00f3rios da FMRP, no \u00e2mbito do Centro de Pesquisas em Doen\u00e7as Inflamat\u00f3rias (<a href=\"http:\/\/crid.fmrp.usp.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-saferedirecturl=\"https:\/\/www.google.com\/url?q=http:\/\/crid.fmrp.usp.br\/&amp;source=gmail&amp;ust=1574452332861000&amp;usg=AFQjCNE8HyWTY9ugPVtqsvuz4GhVzgKndg\">CRID<\/a>), um dos Centros de Pesquisa, Inova\u00e7\u00e3o e Difus\u00e3o (<a href=\"http:\/\/cepid.fapesp.br\/home\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-saferedirecturl=\"https:\/\/www.google.com\/url?q=http:\/\/cepid.fapesp.br\/home\/&amp;source=gmail&amp;ust=1574452332861000&amp;usg=AFQjCNFmRYlWvFNh86SKWbe-f2oY7gw6Dg\">Cepids<\/a>) apoiados pela Funda\u00e7\u00e3o de Amparo \u00e0 Pesquisa do Estado de S\u00e3o Paulo (<a href=\"http:\/\/www.fapesp.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-saferedirecturl=\"https:\/\/www.google.com\/url?q=http:\/\/www.fapesp.br\/&amp;source=gmail&amp;ust=1574452332861000&amp;usg=AFQjCNHb6Lqo3MFnzkofSHG03scd5D2P0Q\">Fapesp<\/a>).<\/span><\/p>\n<p><em>Refer\u00eancia: Jornal da USP \u2013 Por:\u00a0<\/em>Rita Stella e Ferraz Jr. \u2013\u00a0Foto: Wikimedia Commons CC<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Casos graves de leishmaniose, que desfiguram a face dos doentes e podem levar \u00e0 morte, s\u00e3o causados pelo parasita Leishmania 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