{"id":3331,"date":"2018-11-08T13:57:29","date_gmt":"2018-11-08T15:57:29","guid":{"rendered":"http:\/\/www.fmrp.usp.br\/?p=3331"},"modified":"2021-01-15T11:35:20","modified_gmt":"2021-01-15T13:35:20","slug":"arquivos-3331","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.usp.br\/devfmrp\/arquivos-3331\/","title":{"rendered":"Pesquisa da FMRP-USP avan\u00e7a no entendimento de mecanismos associados \u00e0 pneumonia"},"content":{"rendered":"<p><em><img decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-3332 alignright\" src=\"http:\/\/www.fmrp.usp.br\/wp-content\/uploads\/sites\/356\/2018\/11\/Tha\u00eds_30.10_Streptococcus-pneumoniae-bact\u00e9ria-causadora-da-pneumonia-Fonte_-Wikimedia-Commons-600x338-150x85.jpg\" alt=\"\" width=\"150\" height=\"85\" \/>Estudo foca em casos que ocorrem ap\u00f3s gripe e pode ajudar no desenvolvimento de tratamentos e estrat\u00e9gias de vacina\u00e7\u00e3o<\/em><\/p>\n<p>Um grupo de cientistas integrado por profissionais da USP e de centros de pesquisa do Reino Unido e da Holanda deu um importante passo para entender uma doen\u00e7a que mata 1,6 milh\u00e3o de pessoas por ano no mundo e s\u00f3 em 2016 causou mais de 82 mil mortes no Brasil: a pneumonia. O estudo foi publicado no peri\u00f3dico cient\u00edfico<a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41590-018-0231-y\" target=\"_blank\" rel=\"external noopener noreferrer\">\u00a0<em>Nature Immunology<\/em><\/a>.<\/p>\n<p>Segundo a Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia, tr\u00eas em cada dez casos de pneumonia s\u00e3o fruto da a\u00e7\u00e3o da bact\u00e9ria\u00a0<em>Streptococcus pneumoniae<\/em>, tamb\u00e9m conhecida como pneumococo. Estima-se que 40 a 95% das crian\u00e7as e 10 a 25% dos adultos sejam colonizados naturalmente por essa bact\u00e9ria, que se aloja na nasofaringe, regi\u00e3o do sistema respirat\u00f3rio localizada atr\u00e1s do nariz e acima do palato mole (parte de tr\u00e1s do c\u00e9u da boca).<\/p>\n<p>Grande parte dos casos de pneumonia ocorre ap\u00f3s uma gripe, principalmente entre idosos e crian\u00e7as, que t\u00eam uma imunidade menor em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s outras pessoas. \u201cMuita gente morre n\u00e3o por causa da gripe em si, mas da pneumonia que vem depois. Se a imunidade j\u00e1 est\u00e1 comprometida e ocorre uma gripe, ela diminui ainda mais e essa coloniza\u00e7\u00e3o pelo pneumococo se transforma em pneumonia, o que acaba matando o indiv\u00edduo\u201d, explica o docente da Faculdade de Ci\u00eancias Farmac\u00eauticas (FCF) da USP e pesquisador do Centro de Pesquisa em Doen\u00e7as Inflamat\u00f3rias (CRID) Helder Nakaya.<\/p>\n<p>Embora evid\u00eancias epidemiol\u00f3gicas e experimentos em animais j\u00e1 mostrassem isso, ainda n\u00e3o havia um estudo detalhado feito em humanos por que esse tipo de infec\u00e7\u00e3o \u00e9 bastante r\u00e1pido. Por isso, os pesquisadores recrutaram 117 volunt\u00e1rios no\u00a0<em>Royal Liverpool University Hospital<\/em>\u00a0e criaram um modelo novo para estud\u00e1-la.<\/p>\n<p>Para que o sistema imunol\u00f3gico dos volunt\u00e1rios pudesse desenvolver os efeitos de uma gripe, eles receberam a vacina feita com v\u00edrus atenuado, que, mesmo estando vivo, n\u00e3o consegue causar a doen\u00e7a. O ensaio cl\u00ednico foi feito utilizando-se a metodologia duplo-cego, quando nem os m\u00e9dicos que o aplicam e nem os volunt\u00e1rios sabem se a subst\u00e2ncia que est\u00e3o usando \u00e9 a vacina ou um placebo. \u201cO v\u00edrus \u00e9 atenuado porque s\u00f3 consegue se reproduzir bem em temperaturas baixas, o que est\u00e1 associado com a mucosa nasal. Portanto, ele n\u00e3o consegue se espalhar pelo corpo, ficando restrito ao nariz\u201d, diz Nakaya.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s tr\u00eas dias, todos os volunt\u00e1rios foram infectados com pneumococos. Por\u00e9m, segundo Nakaya, apesar de receberem a bact\u00e9ria, apenas uma parte deles desenvolvia a coloniza\u00e7\u00e3o. Ao final, os volunt\u00e1rios foram divididos nos seguintes grupos: vacinados, n\u00e3o-vacinados, colonizados e n\u00e3o-colonizados. Nos quatro grupos, os pesquisadores coletaram o l\u00edquido resultante da lavagem do nariz com soro fisiol\u00f3gico. Dessas amostras, foram extra\u00eddas c\u00e9lulas, citocinas e RNA para an\u00e1lise.<\/p>\n<p>\u201cEmbora as evid\u00eancias epidemiol\u00f3gicas j\u00e1 mostrassem que a gripe interfere no desenvolvimento da pneumonia, faltava saber os genes afetados, as vias, as citocinas e os tipos de c\u00e9lulas envolvidos na infec\u00e7\u00e3o de gripe que vem antes da infec\u00e7\u00e3o pela bact\u00e9ria. Como t\u00ednhamos um modelo em que sab\u00edamos exatamente quando a pessoa foi infectada pelo v\u00edrus e pela bact\u00e9ria, foi poss\u00edvel estudar tudo de uma forma sim\u00e9trica\u201d, conta o pesquisador.<\/p>\n<p>As an\u00e1lises geraram uma quantidade muito grande de dados, por isso a bioinform\u00e1tica teve um papel fundamental no estudo. Por meio de uma ferramenta in\u00e9dita desenvolvida pela equipe de Nakaya chamada CEMiTool, ou, em portugu\u00eas, Ferramenta de Identifica\u00e7\u00e3o de M\u00f3dulos de Co-express\u00e3o, os pesquisadores observaram, por exemplo, a atividade da citocina CXCL10, tamb\u00e9m conhecida como IP10, que pode ser um marcador para identificar alta suscetibilidade ao pneumococo e at\u00e9 mesmo um alvo terap\u00eautico para infec\u00e7\u00f5es bacterianas associadas a infec\u00e7\u00f5es virais. Em estudos anteriores do grupo, crian\u00e7as com pneumonia e co-infec\u00e7\u00f5es virais ou bacterianas (predominantemente pneumoc\u00f3cicas) apresentaram altas concentra\u00e7\u00f5es de CXCL10 quando comparadas a crian\u00e7as apenas com pneumonia bacteriana ou viral.<\/p>\n<p>\u201cEla \u00e9 uma pe\u00e7a-chave na promo\u00e7\u00e3o da infec\u00e7\u00e3o viral e est\u00e1 relacionada at\u00e9 mesmo com os n\u00edveis de pneumococos na cavidade nasal. A partir da observa\u00e7\u00e3o dessa citocina, descrevemos v\u00e1rias vias envolvidas na infec\u00e7\u00e3o e na coloniza\u00e7\u00e3o. Entender o comportamento dos genes respons\u00e1veis pela express\u00e3o dessa citocina ajuda a entender melhor o que est\u00e1 acontecendo e a complexidade da resposta imune\u201d, explica.<\/p>\n<p>De acordo com o pesquisador, os resultados obtidos neste trabalho ser\u00e3o importantes para desenvolver terapias espec\u00edficas e assim evitar que a pneumonia leve \u00e0 morte. \u201cO que acontece \u00e9 que geralmente o tratamento \u00e9 feito quando a pneumonia j\u00e1 est\u00e1 acontecendo. Este trabalho est\u00e1 olhando para um momento anterior, para entender por que isso se torna uma pneumonia. Saber as citocinas e os tipos celulares envolvidos na infec\u00e7\u00e3o secund\u00e1ria por pneumococos vai ajudar a pensar novas op\u00e7\u00f5es de terap\u00eauticas e at\u00e9 de vacina\u00e7\u00e3o\u201d, diz Nakaya.<\/p>\n<p><em>Refer\u00eancia: Portal de Informa\u00e7\u00f5es da USP Ribeir\u00e3o Preto &#8211; Por: Tha\u00eds Cardoso \/ Assessoria de Comunica\u00e7\u00e3o do IEA Polo Ribeir\u00e3o Preto &#8211; Imagem:\u00a0Wikimedia CC<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Estudo foca em casos que ocorrem ap\u00f3s gripe e pode ajudar no desenvolvimento de tratamentos e estrat\u00e9gias de vacina\u00e7\u00e3o Um 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