{"id":339,"date":"2018-02-27T15:08:21","date_gmt":"2018-02-27T18:08:21","guid":{"rendered":"http:\/\/sites.usp.br\/fmrpnew\/?p=339"},"modified":"2021-01-15T10:29:21","modified_gmt":"2021-01-15T12:29:21","slug":"arquivos-339","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.usp.br\/devfmrp\/arquivos-339\/","title":{"rendered":"Estudo da FMRP-USP conclui que reprograma\u00e7\u00e3o de c\u00e9lulas \u00e9 o caminho para estudar e tratar anemia"},"content":{"rendered":"<p>A reprograma\u00e7\u00e3o das c\u00e9lulas de pacientes com anemia a pl\u00e1stica adquirida auxilia no estudo da doen\u00e7a e poder\u00e1 ser utilizada, no futuro, em transplantes aut\u00f3logos (de c\u00e9lulas originadas pelo pr\u00f3prio paciente) de medula \u00f3ssea. A conclus\u00e3o \u00e9 de pesquisa da Faculdade de Medicina de Ribeir\u00e3o Preto (FMRP) da USP, realizada pela geneticista Maria Florencia Tellechea.<\/p>\n<p>A anemia apl\u00e1stica pode ter causas gen\u00e9ticas ou ser adquirida, o que ocorre em 80% dos casos identificados. \u201cNa anemia apl\u00e1stica adquirida, as c\u00e9lulas do sistema imune s\u00e3o as respons\u00e1veis pela destrui\u00e7\u00e3o das c\u00e9lulas-tronco hematopoi\u00e9ticas, por\u00e9m a origem da doen\u00e7a n\u00e3o \u00e9 bem definida\u201d, afirma a pesquisadora. \u201cA incid\u00eancia no Brasil \u00e9 de um a dois casos por milh\u00e3o de habitantes por ano.\u201d<\/p>\n<p>Utilizando a express\u00e3o for\u00e7ada de genes espec\u00edficos introduzidos nas c\u00e9lulas, o\u00a0estudo obteve as chamadas c\u00e9lulas-tronco pluripotentes induzidas (iPSCs). Neste caso,\u00a0elas foram induzidas a se diferenciar em c\u00e9lulas do sangue que est\u00e3o afetadas e diminu\u00eddas na doen\u00e7a, que s\u00e3o as c\u00e9lulas-tronco e progenitoras hematopoi\u00e9ticas presentes na medula \u00f3ssea. Estas s\u00e3o precursoras, \u201crespons\u00e1veis pela produ\u00e7\u00e3o de todas as linhagens celulares presentes na circula\u00e7\u00e3o sangu\u00ednea, como gl\u00f3bulos brancos, vermelhos e plaquetas\u201d, conta Maria Florencia. \u201cA car\u00eancia de c\u00e9lulas-tronco hematopoi\u00e9ticas na medula \u00f3ssea resulta na diminui\u00e7\u00e3o das diversas linhagens celulares sangu\u00edneas, causando sintomas como fadiga, infec\u00e7\u00f5es e hemorragias que podem ser fatais.\u201d<\/p>\n<figure id=\"attachment_317\" aria-describedby=\"caption-attachment-317\" style=\"width: 639px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/sites.usp.br\/fmrpnew\/wp-content\/uploads\/sites\/356\/2018\/02\/news26022018-2.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-317\" src=\"http:\/\/sites.usp.br\/fmrpnew\/wp-content\/uploads\/sites\/356\/2018\/02\/news26022018-2-300x158.jpg\" alt=\"Estudo da FMRP-USP conclui que reprogramacao de c\u00e9lulas eh o caminho para estudar e tratar anemia\" width=\"639\" height=\"337\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-317\" class=\"wp-caption-text\">A partir de c\u00e9lulas do paciente, reprograma\u00e7\u00e3o gera linhagens de c\u00e9lulas sangu\u00edneas que est\u00e3o afetadas ou diminu\u00eddas em casos de anemia apl\u00e1stica \u2013 Foto: Gerd Altmann via Pixabay -CC<\/figcaption><\/figure>\n<h2>Efetividade<\/h2>\n<p>Na anemia apl\u00e1stica grave, o tratamento de primeira escolha \u00e9 o transplante de medula \u00f3ssea, por\u00e9m ele \u00e9 indicado apenas para pacientes com at\u00e9 40 anos de idade e com doador compat\u00edvel aparentado. No caso de pacientes acima dos 40 anos ou sem doador dispon\u00edvel, o tratamento indicado \u00e9 a chamada terapia imunossupressora, buscando-se eliminar as c\u00e9lulas do sistema imune respons\u00e1veis pela destrui\u00e7\u00e3o das c\u00e9lulas-tronco hematopoi\u00e9ticas. Os medicamentos usados s\u00e3o\u00a0a globulina anti-timoc\u00edtica (ATG) e a ciclosporina. A pesquisadora aponta, por\u00e9m, que os as terapias existentes podem n\u00e3o ser totalmente efetivas.<\/p>\n<p>\u201cNo caso do tratamento imunossupressor, a medica\u00e7\u00e3o que atua suprimindo as c\u00e9lulas do sistema imune do paciente, como a ATG, tem como efeito adverso a suscetibilidade dos pacientes a infec\u00e7\u00f5es que podem ser letais. Al\u00e9m disso, um ter\u00e7o dos pacientes apresenta reca\u00edda\u201d, ressalta Maria Florencia. \u201cO transplante de medula \u00f3ssea depende da idade do paciente, assim como da disponibilidade de doador. Contudo, apenas 30% dos pacientes t\u00eam um doador compat\u00edvel aparentado. Al\u00e9m do mais, em 10% dos casos, existe rejei\u00e7\u00e3o imunol\u00f3gica das c\u00e9lulas-tronco hematopoi\u00e9ticas transplantadas no paciente, causando a doen\u00e7a do enxerto contra hospedeiro, que \u00e9 extremamente grave.\u201d<\/p>\n<figure id=\"attachment_340\" aria-describedby=\"caption-attachment-340\" style=\"width: 641px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/sites.usp.br\/fmrpnew\/wp-content\/uploads\/sites\/356\/2018\/02\/news26022018-2b.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\" wp-image-340\" src=\"http:\/\/sites.usp.br\/fmrpnew\/wp-content\/uploads\/sites\/356\/2018\/02\/news26022018-2b-300x158.jpg\" alt=\"\" width=\"641\" height=\"337\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-340\" class=\"wp-caption-text\">No futuro, c\u00e9lulas-tronco hematopoi\u00e9ticas poder\u00e3o ser usadas em transplantes de medula \u00f3ssea \u2013 Foto: SGT Johnson \/ For\u00e7a A\u00e9rea Brasileira via Flickr \u2013 CC<\/figcaption><\/figure>\n<h2>Reprograma\u00e7\u00e3o<\/h2>\n<p>As c\u00e9lulas-tronco hematopo\u00e9ticas s\u00e3o multipotentes, ou seja, sua capacidade de originar outras c\u00e9lulas \u00e9 limitada apenas para linhagens celulares do sangue. O diferencial das c\u00e9lulas pluripotentes\u00a0\u00e9 a capacidade de dar origem a todos os tipos de c\u00e9lulas presentes no corpo. Isso vale tanto para as pluripotentes embrion\u00e1rias quanto para as artificialmente induzidas, isto \u00e9, derivadas de uma c\u00e9lula-tronco n\u00e3o-pluripotente pela indu\u00e7\u00e3o da manifesta\u00e7\u00e3o de certos\u00a0genes, como feito no estudo.<\/p>\n<p>As c\u00e9lulas-tronco pluripotentes induzidas s\u00e3o obtidas por reprograma\u00e7\u00e3o nuclear de c\u00e9lulas comuns provenientes de praticamente qualquer tecido, como, por exemplo, a pele ou o sangue perif\u00e9rico (aquele que\u00a0est\u00e1 em circula\u00e7\u00e3o, e n\u00e3o na medula \u00f3ssea).\u00a0Esse processo \u00e9 realizado atrav\u00e9s da express\u00e3o for\u00e7ada de alguns genes introduzidos nas c\u00e9lulas. \u201cAs c\u00e9lulas reprogramadas adquirem caracter\u00edsticas semelhantes \u00e0s c\u00e9lulas-tronco embrion\u00e1rias, como morfologia e express\u00e3o de marcadores de pluripot\u00eancia\u201d, detalha a cientista.<\/p>\n<p>A\u00a0pluripot\u00eancia, ou a capacidade das iPSCs de darem origem a todos os tipos de tecidos presentes no organismo, foi utilizada no estudo para obten\u00e7\u00e3o de c\u00e9lulas-tronco e progenitoras hematopo\u00e9ticas do pr\u00f3prio paciente com anemia apl\u00e1stica adquirida. Por enquanto, estas c\u00e9lulas hematopo\u00e9ticas\u00a0originadas de material do pr\u00f3prio paciente servem para estudar o funcionamento da doen\u00e7a<em>\u00a0<\/em>em testes<em>\u00a0in vitro<\/em>. Quando houver capacidade de garantir a seguran\u00e7a e produ\u00e7\u00e3o em grande escala,\u00a0elas poder\u00e3o ser utilizadas para o tratamento, por meio dos transplantes aut\u00f3logos (que utilizam no paciente suas pr\u00f3prias c\u00e9lulas-tronco). A pesquisa foi orientada pelo professor Rodrigo Calado, da FMRP.<\/p>\n<p>Mais informa\u00e7\u00f5es: e-mail florenciatell@usp.br, com Maria Florencia Tellechea<\/p>\n<p><em>Refer\u00eancia Jornal da USP \u2013 Por: J\u00falio Bernardes \u2013 Foto: Gerd Altmann via Pixabay -CC &#8211;\u00a0Foto: SGT Johnson \/ For\u00e7a A\u00e9rea Brasileira via Flickr \u2013 CC<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A reprograma\u00e7\u00e3o das c\u00e9lulas de pacientes com anemia a pl\u00e1stica adquirida auxilia no estudo da doen\u00e7a e poder\u00e1 ser utilizada, 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