{"id":3590,"date":"2019-03-18T08:42:23","date_gmt":"2019-03-18T11:42:23","guid":{"rendered":"http:\/\/www.fmrp.usp.br\/?p=3590"},"modified":"2021-01-15T11:42:19","modified_gmt":"2021-01-15T13:42:19","slug":"arquivos-3590","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.usp.br\/devfmrp\/en\/arquivos-3590\/","title":{"rendered":"Pesquisa da FMRP-USP aponta que Biossensores possibilitam novas abordagens na descoberta de medicamentos"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-3591 alignright\" src=\"http:\/\/www.fmrp.usp.br\/wp-content\/uploads\/sites\/356\/2019\/03\/20190201_medicamento-150x79.jpg\" alt=\"\" width=\"150\" height=\"79\" \/>Pesquisadores desenvolveram 13 biossensores luminescentes capazes de testar a efic\u00e1cia de novos medicamentos \u201cin vitro\u201d.<\/p>\n<p>Pesquisadores canadenses, em parceria com brasileiros, desenvolveram 13 biossensores luminescentes capazes de testar a efic\u00e1cia de novos medicamentos\u00a0<em>in vitro<\/em>. O estudo, publicado na revista\u00a0<a href=\"http:\/\/stke.sciencemag.org\/content\/11\/559\/eaat1631\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><em>Science Signaling<\/em><\/a>, abre caminho para que novas drogas sejam testadas e caracterizadas, uma vez que os biossensores em quest\u00e3o t\u00eam como base a atua\u00e7\u00e3o de receptores acoplados \u00e0 prote\u00edna G (do ingl\u00eas\u00a0<em>G protein-coupled receptors,\u00a0<\/em>GPCR) \u2013 localizadas na membrana celular com fun\u00e7\u00e3o de comunica\u00e7\u00e3o entre as c\u00e9lulas.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 por acaso que o objeto de estudo sejam os GPCRs. Estima-se que entre um ter\u00e7o e metade de todos os medicamentos comercializados atualmente tenham esses receptores como alvo de a\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cEssas prote\u00ednas s\u00e3o alvos de f\u00e1rmacos utilizados no tratamento de um n\u00famero amplo de doen\u00e7as, como alergia, dor, hipertens\u00e3o, diabetes, entre outras. A expectativa \u00e9 que os novos biossensores atuem tamb\u00e9m na descoberta e desenvolvimento de novos f\u00e1rmacos para o tratamento de um n\u00famero ainda mais amplo de doen\u00e7as\u201d, disse \u00e0 Ag\u00eancia Fapesp\u00a0Claudio Miguel da Costa-Neto, professor do Departamento de Bioqu\u00edmica e Imunologia da Faculdade de Medicina de Ribeir\u00e3o Preto (FMRP) da USP e um dos autores do artigo.<\/p>\n<p>Costa-Neto explica que h\u00e1 alguns anos os testes\u00a0<em>in vitro<\/em>\u00a0para o desenvolvimento de novos medicamentos \u2013 realizados antes dos ensaios em modelo animal e em humanos \u2013 mostravam apenas se o composto ativava ou bloqueava uma dada resposta celular.<\/p>\n<p>\u201cFazendo uma analogia, h\u00e1 alguns anos esses testes eram feitos como se houvesse um interruptor que acendia ou n\u00e3o uma l\u00e2mpada. Recentemente, vimos que \u00e9 poss\u00edvel analisar as diferentes vias que podem ser ativadas por um receptor, bem como o quanto uma dada via de sinaliza\u00e7\u00e3o \u00e9 ativada. Ent\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 mais s\u00f3 um liga e desliga. \u00c9 como se tiv\u00e9ssemos uma sala com v\u00e1rias luzes de LED, ou um\u00a0<em>dimmer<\/em>, capaz de dizer quais e quantas vias foram ativadas e, sobretudo, como foi feita essa ativa\u00e7\u00e3o ou bloqueio. Nossos biossensores, e os outros que est\u00e3o sendo desenvolvidos por outros grupos, d\u00e3o uma resposta mais completa, como um perfil de sinaliza\u00e7\u00e3o\u201d, disse.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_221852\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/jornal.usp.br\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/20190201_biossensores_medicamento1.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"315\" data-id=\"221852\" \/><figcaption>Biologia molecular da c\u00e9lula \u2013 Foto: Marcos Santos \/ USP Imagens<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>No estudo, os pesquisadores desenvolveram ferramentas para medir as diferentes vias de sinaliza\u00e7\u00e3o intracelular (biossensores de BRET, do ingl\u00eas\u00a0<em>Bioluminescence Resonance Energy Transfer<\/em>) e detectar a atua\u00e7\u00e3o de medicamentos em cultura celular. Isso porque as cascatas de sinaliza\u00e7\u00e3o celular resultantes de intera\u00e7\u00f5es entre os receptores acoplados \u00e0 prote\u00edna G (GPCRs) e seus ligantes (prote\u00ednas) controlam uma ampla variedade de processos intracelulares, tornando-os os principais alvos para a descoberta de novos f\u00e1rmacos.<\/p>\n<p>A equipe internacional de pesquisadores, por t\u00e9cnicas de engenharia gen\u00e9tica e biologia molecular, adicionou enzimas fluorescentes e luminescentes (como a luciferase, a mesma encontrada em vagalumes) nas prote\u00ednas que interagem com os GPCRs.<\/p>\n<p>\u201cQuando o receptor \u00e9 ativado pelo f\u00e1rmaco e, portanto, aquela prote\u00edna de dentro da c\u00e9lula interage com o receptor, a luz emitida pela luciferase \u00e9 transferida para a prote\u00edna fluorescente e esta \u00e9 ativada. Com isso, conseguimos medir com precis\u00e3o diferentes n\u00edveis de a\u00e7\u00e3o de um f\u00e1rmaco ou medicamento\u201d, disse Costa-Neto.<\/p>\n<p>O trabalho \u00e9 resultado de uma ampla parceria entre pesquisadores da FMRP, da Universidade de Montreal e da McGill University, no Canad\u00e1, e contou com cinco apoios da Fapesp: um\u00a0<a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/auxilios\/82061\/desenvolvimento-de-novos-ligantesdrogas-com-acao-agonistica-seletiva-biased-agonism-para-recept\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Projeto Tem\u00e1tico<\/a>, um projeto selecionado em chamada do\u00a0<em>S\u00e3o Paulo Researchers in International Collaboration<\/em>\u00a0(<a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/auxilios\/92542\/development-of-biosensors-for-monitoring-signaling-in-subcellular-compartments-a-powerful-molecular\/\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">SPRINT<\/a>), uma Bolsa de Pesquisa no Exterior concedida \u00e0 p\u00f3s-doutoranda Larissa de Bortoli Teixeira, bolsa de doutorado de Sarah Capelupe Sim\u00f5es e tamb\u00e9m a realiza\u00e7\u00e3o da\u00a0<a href=\"http:\/\/www.espca.fapesp.br\/escola\/sao_paulo_school_of_advanced_science_on_medicines__from_target_to_market_\/73\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><em>S\u00e3o Paulo School of Advanced Science on Medicines: from Target to Market<\/em><\/a>, em mar\u00e7o de 2018.<\/p>\n<h2>Valida\u00e7\u00e3o<\/h2>\n<p>Os 13 biossensores foram testados em dezenas de f\u00e1rmacos e tamb\u00e9m em v\u00e1rios receptores mutantes \u2013 que simulavam polimorfismos correlacionados ou n\u00e3o a doen\u00e7as gen\u00e9ticas.<\/p>\n<p>\u201cPara validar ferramentas t\u00e3o importantes para a descoberta de novos f\u00e1rmacos, os biossensores foram testados em diferentes ligantes (f\u00e1rmacos) e tamb\u00e9m em receptores mutantes. Isso de modo a mostrar que \u00e9 poss\u00edvel detectar um padr\u00e3o distinto de sinaliza\u00e7\u00e3o n\u00e3o s\u00f3 quando se usa um f\u00e1rmaco diferente, mas tamb\u00e9m quando o receptor (a prote\u00edna) \u00e9 alterado\u201d, disse Costa-Neto.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_221843\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/jornal.usp.br\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/20190201_ferramenta-molecular_farmaco.png\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"315\" data-id=\"221843\" \/><figcaption>Pesquisadores canadenses e brasileiros descrevem a utiliza\u00e7\u00e3o de 13 ferramentas moleculares para mensurar diferentes vias de sinaliza\u00e7\u00e3o intracelular e avaliar o mecanismo de a\u00e7\u00e3o de novos f\u00e1rmacos \u2013 Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o \/ Ag\u00eancia Fapesp<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>De acordo com os pesquisadores, o estudo consiste em um avan\u00e7o no entendimento do mecanismo refinado de sinaliza\u00e7\u00e3o, n\u00e3o s\u00f3 pelo n\u00famero de biossensores desenvolvidos, mas tamb\u00e9m pela t\u00e9cnica aplicada na pesquisa.<\/p>\n<p>\u201cJ\u00e1 existiam mecanismos como esses que apresentamos, mas fomos mais a fundo no entendimento. Por isso, acreditamos que os novos biossensores ter\u00e3o um impacto grande no desenvolvimento de novos medicamentos. Al\u00e9m de os GPCRs serem um alvo importante, outro ponto \u00e9 que os biossensores foram extensivamente validados. Mostramos que eles funcionam, respondem bem e que s\u00e3o muito confi\u00e1veis para caracteriza\u00e7\u00e3o dessas vias de sinaliza\u00e7\u00e3o\u201d, disse Costa-Neto.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da precis\u00e3o das ferramentas desenvolvidas, Costa-Neto destaca a criatividade como uma das bases do estudo. \u201cDesenvolver prote\u00ednas com engenharia gen\u00e9tica envolve muito conhecimento e muita criatividade. Alguns desses biossensores s\u00e3o verdadeiros \u2018Frankensteins\u2019, compostos pela jun\u00e7\u00e3o de v\u00e1rias partes estruturais de diferentes prote\u00ednas. Foi um estudo bastante criativo\u201d, disse.<\/p>\n<p>O artigo\u00a0<em>Functional selectivity profiling of the angiotensin II type 1 receptor using pathway-wide BRET signaling sensors<\/em>, de Yoon Namkung, Christian LeGouill, Sahil Kumar, Yubo Cao, Larissa B. Teixeira, Viktoriya Lukasheva, Jenna Giubilaro, Sarah C. Sim\u00f5es, Jean-Michel Longpr\u00e9, Dominic Devost, Terence E. H\u00e9bert, Graciela Pi\u00f1eyro, Richard Leduc, Claudio M. Costa-Neto, Michel Bouvier e St\u00e9phane A. Laporte, pode ser lido no site da\u00a0<a href=\"http:\/\/stke.sciencemag.org\/content\/11\/559\/eaat1631\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Science Signaling<\/a>.<\/p>\n<p><em>Refer\u00eancia: Jornal da USP &#8211; Por: Maria Fernanda Ziegler\/Ag\u00eancia Fapesp &#8211; Foto: Marcos Santos \/ Imagens USP<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pesquisadores desenvolveram 13 biossensores luminescentes capazes de testar a efic\u00e1cia de novos medicamentos \u201cin vitro\u201d. 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