{"id":3884,"date":"2019-09-13T09:57:36","date_gmt":"2019-09-13T12:57:36","guid":{"rendered":"https:\/\/www.fmrp.usp.br\/pb\/?p=3884"},"modified":"2021-01-15T12:22:39","modified_gmt":"2021-01-15T14:22:39","slug":"arquivos-3884","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.usp.br\/devfmrp\/arquivos-3884\/","title":{"rendered":"Infec\u00e7\u00e3o aguda pelo chikungunya \u00e9 estudada em n\u00edvel molecular em pacientes brasileiros"},"content":{"rendered":"<p>Ferramentas computacionais aplicadas \u00e0 biologia est\u00e3o revolucionando o modo de estudar o que acontece no interior das c\u00e9lulas durante uma infec\u00e7\u00e3o, ajudando a desvendar o mecanismo de doen\u00e7as e a encontrar potenciais alvos terap\u00eauticos.<\/p>\n<p>Este \u00e9 o caso de um trabalho publicado recentemente na revista PLOS Pathogens, no qual pesquisadores brasileiros analisaram c\u00e9lulas sangu\u00edneas de pacientes infectados pelo v\u00edrus chikungunya. Com aux\u00edlio de t\u00e9cnicas de an\u00e1lise de redes complexas, intelig\u00eancia artificial e aprendizado de m\u00e1quina, o grupo identificou a assinatura g\u00eanica da doen\u00e7a, ou seja, um conjunto de genes cuja express\u00e3o \u00e9 alterada pela intera\u00e7\u00e3o com o pat\u00f3geno. Em seguida, o papel que os genes envolvidos desempenham nas c\u00e9lulas foi mapeado, bem como sua import\u00e2ncia no combate ao v\u00edrus.<\/p>\n<p>A pesquisa teve apoio da FAPESP e foi coordenada por Helder Nakaya, professor da Faculdade de Ci\u00eancias Farmac\u00eauticas (FCF) da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP). Participaram colaboradores do Instituto de Ci\u00eancias Biom\u00e9dicas (ICB) da USP, da Faculdade de Medicina de Ribeir\u00e3o Preto (FMRP-USP), do Instituto Butantan e do Laborat\u00f3rio Central de Sa\u00fade P\u00fablica de Sergipe, entre outros parceiros.<\/p>\n<p>\u201cIdentificamos tamb\u00e9m um conjunto de genes capaz de indicar, ainda na fase aguda, se o paciente tende a evoluir para um quadro de artralgia cr\u00f4nica [inflama\u00e7\u00e3o nas articula\u00e7\u00f5es], relativamente comum em infectados por chikungunya. No entanto, esse achado ainda precisa ser confirmado por estudos futuros, feitos com uma quantidade maior de amostras\u201d, disse Nakaya \u00e0 Ag\u00eancia FAPESP.<\/p>\n<p>O artigo traz resultados de an\u00e1lises feitas com amostras sangu\u00edneas de 39 sergipanos infectados durante a epidemia de 2016. Os dados foram comparados com os de 20 controles \u2013 pessoas n\u00e3o infectadas e oriundas da mesma regi\u00e3o dos pacientes estudados.<\/p>\n<p>O primeiro passo foi analisar o transcritoma das amostras, ou seja, todas as mol\u00e9culas de RNA mensageiro (que codificam prote\u00ednas) e tamb\u00e9m os RNAs n\u00e3o codificadores (que n\u00e3o d\u00e3o origem a prote\u00ednas, mas t\u00eam a\u00e7\u00e3o reguladora no genoma) expressos nas c\u00e9lulas que comp\u00f5em o sangue, como hem\u00e1cias, leuc\u00f3citos e plaquetas. Ao quantificar os transcritos nas amostras, os pesquisadores puderam medir o n\u00edvel de atividade de 20 mil genes e avaliar, em compara\u00e7\u00e3o com os controles, quais ficavam com a express\u00e3o aumentada ou diminu\u00edda durante a infec\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cFocamos nos genes codificadores de prote\u00ednas [aqueles que expressam os RNAs mensageiros], pois estes t\u00eam um papel mais f\u00e1cil de ser interpretado. \u00c9 relativamente simples saber se codificam um receptor celular ou um fator de transcri\u00e7\u00e3o, por exemplo. Conseguimos, assim, entender melhor a patog\u00eanese do chikungunya, isto \u00e9, como o v\u00edrus afeta as c\u00e9lulas e quais sistemas de defesa s\u00e3o ativados em resposta\u201d, contou Nakaya.<\/p>\n<p>Essa an\u00e1lise revelou, por exemplo, o mecanismo pelo qual as c\u00e9lulas imunes desencadeiam o processo inflamat\u00f3rio para eliminar o v\u00edrus. De modo geral, o conjunto de prote\u00ednas respons\u00e1vel por montar essa resposta de defesa \u00e9 conhecido como inflamassoma. Trata-se de uma maquinaria celular que pode ser comandada por diferentes prote\u00ednas e resultar na produ\u00e7\u00e3o de diferentes mol\u00e9culas pr\u00f3-inflamat\u00f3rias. No caso da infec\u00e7\u00e3o pelo chikungunya, observou-se que a media\u00e7\u00e3o \u00e9 feita pela enzima caspase-1.<\/p>\n<p>O achado foi validado por meio de experimentos com camundongos realizados em parceria com o pesquisador\u00a0Dario Zamboni, da FMRP-USP. Os pesquisadores \u2013 ambos ligados ao\u00a0Centro de Pesquisa em Doen\u00e7as Inflamat\u00f3rias\u00a0(<a href=\"http:\/\/crid.fmrp.usp.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><b>CRID<\/b><\/a>), um CEPID da FAPESP sediado na USP de Ribeir\u00e3o Preto \u2013 observaram que em animais geneticamente modificados para n\u00e3o expressar caspase-1 a infec\u00e7\u00e3o pelo chikungunya n\u00e3o induz a libera\u00e7\u00e3o da mol\u00e9cula pr\u00f3-inflamat\u00f3ria chamada interleucina-1-beta (IL-1\u03b2) \u2013 ao contr\u00e1rio do que ocorre nos animais sem a altera\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica.<\/p>\n<p><b>Similares, por\u00e9m distintas<\/b><\/p>\n<p>Ap\u00f3s identificar a assinatura g\u00eanica da infec\u00e7\u00e3o por chikungunya \u2013 que envolve milhares de genes com express\u00e3o alterada na doen\u00e7a \u2013, o grupo comparou os resultados com os obtidos em amostras de pacientes infectados pelo v\u00edrus da dengue.<\/p>\n<p>\u201cNotamos que ambas as assinaturas guardam certa similaridade, mas alguns genes s\u00e3o espec\u00edficos para chikungunya. E s\u00e3o esses que poder\u00e3o ser explorados em pesquisas voltadas ao desenvolvimento de f\u00e1rmacos\u201d, disse Nakaya.<\/p>\n<p>Em outra an\u00e1lise, os pesquisadores compararam o perfil de express\u00e3o g\u00eanica dos infectados pelo chikungunya com o de pessoas que sofrem de artrite reumatoide, doen\u00e7a autoimune caracterizada por inflama\u00e7\u00e3o cr\u00f4nica nas articula\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>\u201cNesse caso, o objetivo era descobrir a diferen\u00e7a entre a artrite causada pelo v\u00edrus, e a autoimune e identificar os genes espec\u00edficos da infec\u00e7\u00e3o viral\u201d, contou Nakaya.<\/p>\n<p>A an\u00e1lise combinada das tr\u00eas assinaturas g\u00eanicas revelou 949 genes envolvidos apenas na artrite reumatoide, 632 apenas em dengue e 302 exclusivos de chikungunya. Sete genes apareceram nas tr\u00eas condi\u00e7\u00f5es simultaneamente:\u00a0<i>OAS1<\/i>,\u00a0<i>C1QB<\/i>,\u00a0<i>ANKRD22<\/i>,\u00a0<i>IRF7<\/i>,\u00a0<i>CXCL10<\/i>,\u00a0<i>IFI6<\/i>\u00a0e\u00a0<i>IFIT3<\/i>.<\/p>\n<p>Com aux\u00edlio de uma ferramenta chamada\u00a0<b>CEMiTool<\/b>, desenvolvida por Nakaya com apoio da FAPESP, foi feita uma an\u00e1lise de coexpress\u00e3o para entender como os genes interagem entre si dentro da rede complexa que existe em cada c\u00e9lula, formando vias de sinaliza\u00e7\u00e3o e vias metab\u00f3licas.<\/p>\n<p>\u201cIsso nos permitiu identificar oito principais m\u00f3dulos [genes com perfil similar de resposta] e identificar nessas redes quais s\u00e3o os\u00a0<i>hubs<\/i>, ou seja, aqueles genes com maior n\u00famero de conex\u00f5es e que, por esse motivo, s\u00e3o os mais promissores alvos a serem explorados na busca por f\u00e1rmacos\u201d, explicou.<\/p>\n<p>O pesquisador ressaltou que todos os dados da pesquisa, tanto os brutos como os obtidos por meio das an\u00e1lises, est\u00e3o dispon\u00edveis em um\u00a0reposit\u00f3rio p\u00fablico\u00a0e podem ser consultados por qualquer interessado. Tamb\u00e9m foram disponibilizados os c\u00f3digos de programa\u00e7\u00e3o usados no artigo, para que outros possam reproduzir os resultados.<\/p>\n<p>\u201cNosso trabalho permitiu gerar uma lista de potenciais alvos terap\u00eauticos e, agora, estamos cruzando esses achados com um banco de dados de compostos ativos. Esse cruzamento \u00e9 feito por meio computacional, mas com base em dados experimentais. Nos orientamos por estudos j\u00e1 publicados, que revelaram drogas capazes de interferir nesses genes de interesse\u201d, disse.<\/p>\n<p>O grupo tamb\u00e9m continua a an\u00e1lise dos transcritos encontrados nas amostras dos 39 pacientes infectados com chikungunya, agora com foco nos RNAs n\u00e3o codificadores.<\/p>\n<p>Nakaya contou com apoio da FAPESP por meio de um\u00a0Aux\u00edlio \u00e0 Pesquisa \u2013 Regular\u00a0e um\u00a0Apoio a Jovens Pesquisadores. A pesquisa tamb\u00e9m foi apoiada por meio dos CEPIDs\u00a0Centro de Pesquisa em Toxinas, Resposta Imune e Sinaliza\u00e7\u00e3o Celular(CeTICS) e CRID.<\/p>\n<p>O artigo\u00a0<i>Systems analysis of subjects acutely infected with the Chikungunya virus<\/i>, de Alessandra Soares-Schanoski et al, pode ser lido em:\u00a0<a href=\"https:\/\/journals.plos.org\/plospathogens\/article?id=10.1371\/journal.ppat.1007880\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><b>journals.plos.org\/plospathogens\/article?id=10.1371\/journal.ppat.1007880<\/b><\/a>.<\/p>\n<p><em>Refer\u00eancia: Ag\u00eancia FAPESP \u2013 Por: Karina Toledo \u2013\u00a0<i>imagem: PLOS Pathogens e kjpargeter\/Freepik<\/i><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ferramentas computacionais aplicadas \u00e0 biologia est\u00e3o revolucionando o modo de estudar o que acontece no interior das c\u00e9lulas durante uma 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