{"id":3942,"date":"2019-10-16T15:34:01","date_gmt":"2019-10-16T18:34:01","guid":{"rendered":"https:\/\/www.fmrp.usp.br\/?p=3942"},"modified":"2021-01-15T12:24:36","modified_gmt":"2021-01-15T14:24:36","slug":"arquivos-3942","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.usp.br\/devfmrp\/en\/arquivos-3942\/","title":{"rendered":"Nova doen\u00e7a \u00e9 descoberta em Sergipe; sintomas s\u00e3o parecidos aos da leishmaniose, mas mais graves"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Resistente ao tratamento, j\u00e1 s\u00e3o ao menos 150 casos da doen\u00e7a, com duas mortes. O causador \u00e9 um parasita ainda sem nome, totalmente diferente da leishm\u00e2nia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pesquisadores brasileiros descobriram uma doen\u00e7a cujos sintomas s\u00e3o semelhantes aos da leishmaniose, por\u00e9m mais graves, e resistentes ao tratamento. Todos os 150 casos s\u00e3o de Aracaju (SE), com duas mortes. An\u00e1lises gen\u00f4micas apontam que o respons\u00e1vel \u00e9 um parasita de uma nova esp\u00e9cie, ainda sem nome, n\u00e3o pertencente ao g\u00eanero\u00a0<em>Leishmania<\/em>, que \u00e9 o protozo\u00e1rio causador da leishmaniose e transmitido por mosquitos flebotom\u00edneos (mosquito-palha). Ainda n\u00e3o se sabe nada sobre o ciclo de vida ou vetor do novo parasita, embora haja probabilidade de que tamb\u00e9m seja transmitido por algum inseto. O que j\u00e1 se sabe \u00e9 que ele se assemelha \u2013 mas n\u00e3o \u00e9 igual \u2013 \u00e0\u00a0<em>Crithidia fasciculata<\/em>, que infecta apenas insetos. A nova esp\u00e9cie, por\u00e9m, \u00e9 capaz de infectar humanos e camundongos, como mostraram testes em laborat\u00f3rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A descoberta \u00e9 parte de uma hist\u00f3ria que come\u00e7ou h\u00e1 v\u00e1rios anos, em outro trabalho que investigava pacientes diagnosticados com leishmaniose no hospital da Universidade Federal de Sergipe (UFS), para tentar entender a resist\u00eancia gen\u00e9tica \u00e0 doen\u00e7a. Amostras de pacientes eram enviadas para an\u00e1lise na Faculdade de Medicina de Ribeir\u00e3o Preto (FMRP) da USP pelo professor Jo\u00e3o Santana Silva e sua equipe. Algumas delas n\u00e3o puderam ser analisadas com as ferramentas dispon\u00edveis para leishm\u00e2nia, desafiando os pesquisadores a aprofundarem as investiga\u00e7\u00f5es. \u201cCheguei a pensar que\u00a0 pudesse ter sido cometido algum erro aqui no laborat\u00f3rio, alguma mistura, ou que estiv\u00e9ssemos trabalhando com\u00a0<em>primers [iniciadores de DNA, um dos recursos usados para fazer sua amplifica\u00e7\u00e3o]<\/em>\u00a0de m\u00e1 qualidade, mas conferimos e refizemos tudo, e n\u00e3o era o caso. Mandamos para outro laborat\u00f3rio especializado no Rio de Janeiro, que tamb\u00e9m n\u00e3o conseguiu fechar o diagn\u00f3stico\u201d, contou ao\u00a0<strong>Jornal da USP<\/strong>.<\/p>\n<figure id=\"attachment_275685\" class=\"wp-caption aligncenter\" style=\"text-align: justify;\" aria-describedby=\"caption-attachment-275685\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-275685\" src=\"https:\/\/jornal.usp.br\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/20190930_joao-santana_fmrp.jpg\" alt=\"\" width=\"620\" height=\"321\" data-id=\"275685\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-275685\" class=\"wp-caption-text\">O professor Jo\u00e3o Santana, coordenador do Laborat\u00f3rio de Imunoparasitologia da FMRP e pesquisador principal do Cepid CRID. Ele e sua equipe atuavam em outro estudo sobre resist\u00eancia \u00e0 leishmaniose quando alguns dados come\u00e7aram a n\u00e3o bater e gerar questionamentos \u2013 Foto: Divulga\u00e7\u00e3o FMRP<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao mesmo tempo, acostumado a lidar com a leishmaniose, com mais de 11 mil pacientes diagnosticados desde 1984, o m\u00e9dico Roque Pacheco de Almeida atendia alguns pacientes que considerava at\u00edpicos. Em outubro de 2010, ele recebeu um caso suspeito de leishmaniose visceral, forma mais severa da doen\u00e7a. O homem de 64 anos deu entrada no Hospital Universit\u00e1rio da UFS j\u00e1 em estado grave, o que \u00e9 incomum. Al\u00e9m disso, os sintomas eram da doen\u00e7a (perda de peso, febre, anemia e aumento do f\u00edgado e ba\u00e7o), mas ele n\u00e3o respondeu aos tratamentos convencionais, tendo tido quatro recidivas que resultaram em reinterna\u00e7\u00f5es. \u201cNa \u00faltima delas, ele tamb\u00e9m passou a apresentar les\u00f5es cut\u00e2neas que s\u00e3o t\u00edpicas de outra forma da doen\u00e7a, a leishmaniose tegumentar\u201d, lembra Almeida. O paciente acabou morrendo em 2011, em decorr\u00eancia da doen\u00e7a e de complica\u00e7\u00f5es de uma cirurgia para retirada do ba\u00e7o. \u201cEm mais de 30 anos trabalhando com leishmaniose, eu nunca havia visto nenhum caso parecido\u201d, conta o professor da UFS.<\/p>\n<figure id=\"attachment_275682\" class=\"wp-caption aligncenter\" style=\"text-align: justify;\" aria-describedby=\"caption-attachment-275682\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-275682\" src=\"https:\/\/jornal.usp.br\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/20190930_sandra_maruyama_reproducao_ufscar.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"338\" data-id=\"275682\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-275682\" class=\"wp-caption-text\">Sandra Maruyama, atualmente pesquisadora da UFScar, foi respons\u00e1vel pelas an\u00e1lises bioinform\u00e1ticas do trabalho \u2013 Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o\/Ufscar<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando finalmente foi feito sequenciamento do genoma do parasita dessa e de outras amostras, al\u00e9m de an\u00e1lises de bioinform\u00e1tica, tudo indicava que os pesquisadores estavam lidando com um novo parasita. De l\u00e1 para c\u00e1 foram 150 casos \u2013 todos confirmados pelos cientistas \u2013 e duas mortes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As primeiras an\u00e1lises acabam de ser relatadas em artigo na revista cient\u00edfica\u00a0<em><a href=\"https:\/\/wwwnc.cdc.gov\/eid\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Emerging Infectious Diseases<\/a><\/em>. Quando o trabalho foi submetido para publica\u00e7\u00e3o, h\u00e1 cerca de um ano, ainda n\u00e3o havia certeza se seria uma nova esp\u00e9cie \u2013 apenas que n\u00e3o era leishm\u00e2nia, explica Sandra Maruyama, primeira autora do artigo e atualmente pesquisadora da Universidade Federal de S\u00e3o Carlos (UFSCar). Com a continuidade da pesquisa, por\u00e9m, os cientistas t\u00eam mais seguran\u00e7a em dizer que se trata de um parasita nunca antes identificado \u2013 apesar de ainda restarem muitas perguntas por responder.<\/p>\n<figure id=\"attachment_275678\" class=\"wp-caption alignright\" style=\"text-align: justify;\" aria-describedby=\"caption-attachment-275678\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-275678\" src=\"https:\/\/jornal.usp.br\/wp-content\/uploads\/2019\/10\/20190930_roquealmeida_arquivopessoal.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"400\" data-id=\"275678\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-275678\" class=\"wp-caption-text\">O m\u00e9dico e professor da UFS Roque Almeida, que atendeu os primeiros casos identificados \u2013 Foto: arquivo pessoal<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cOs dados que est\u00e3o no artigo abriram uma s\u00e9rie de quest\u00f5es que, concomitantemente \u00e0 submiss\u00e3o, fomos estudando. Hoje temos resultados, ainda n\u00e3o publicados, que nos fazem acreditar que seja sim um novo parasita, de uma nova esp\u00e9cie, e que seja sim uma nova doen\u00e7a, facilmente confundida com a leishmaniose\u201d, disse Sandra Maruyama ao\u00a0<strong>Jornal da USP<\/strong>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De acordo com Roque Almeida, da USF, um novo parasita explicaria o porqu\u00ea do aumento da letalidade de supostos casos de leishmaniose visceral no Brasil. E \u00e9 preocupante, pois pode significar \u201cque estamos diagnosticando casos de leishmaniose visceral, e cuidando dos pacientes com os tratamentos para leishmaniose visceral, quando, na verdade, se trata de uma nova doen\u00e7a, mais grave, e para a qual ainda n\u00e3o existe tratamento espec\u00edfico.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os cientistas esperam descrever a nova esp\u00e9cie e nomear a nova doen\u00e7a nos pr\u00f3ximos meses. Mais estudos precisam ser feitos para determinar o ciclo de vida do parasita, seus hospedeiros e formas de transmiss\u00e3o. Tudo isso para investir tanto no controle da infec\u00e7\u00e3o quanto em tratamentos efetivos para ela.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">Gen\u00f4mica: a ci\u00eancia por tr\u00e1s da descoberta<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para chegar a esses resultados, os cientistas primeiro sequenciaram e depois compararam o genoma do parasita das amostras dos pacientes de Sergipe com o genoma que se tem de refer\u00eancia para esp\u00e9cies de leishm\u00e2nia e de tripanossomat\u00eddeos. \u201cQuando tentamos identificar o parasita pelos m\u00e9todos tradicionais, comparando-o \u00e0s esp\u00e9cies conhecidas, vimos que ele n\u00e3o se parecia com nenhuma delas\u201d, diz Jo\u00e3o Santana, que tamb\u00e9m integra a Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz (Fiocruz) e o Centro de Pesquisa em Doen\u00e7as Inflamat\u00f3rias (CRID), um Cepid-Fapesp.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cAo sequenciar o genoma do novo parasita, soubemos que, de fato, n\u00e3o era leishm\u00e2nia. Come\u00e7amos a desconfiar que se tratava de uma esp\u00e9cie ainda n\u00e3o descrita pela ci\u00eancia. Ele se revelou semelhante, mas n\u00e3o igual, a um outro parasita chamado\u00a0<em>Crithidia fasciculata<\/em>\u201c, explica Sandra Maruyama.<\/p>\n<figure id=\"attachment_275851\" class=\"wp-caption alignright\" style=\"text-align: justify;\" aria-describedby=\"caption-attachment-275851\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-275851 size-full\" src=\"https:\/\/jornal.usp.br\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/20190930-crithidia02.jpg\" alt=\"\" width=\"359\" height=\"163\" data-id=\"275851\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-275851\" class=\"wp-caption-text\">Crithidia \u2013 Foto: Guy Brugerolle \/ CC<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os g\u00eaneros\u00a0<em>Crithidia<\/em>\u00a0e\u00a0<em>Leishmania<\/em>\u00a0pertencem \u00e0 mesma fam\u00edlia, da qual tamb\u00e9m faz parte o\u00a0<em>Trypanosoma cruzi<\/em>, causador da doen\u00e7a de Chagas. At\u00e9 o momento, acredita-se que a<em>\u00a0Crithidia fasciculata<\/em>\u00a0infecte s\u00f3 insetos, n\u00e3o mam\u00edferos. J\u00e1 a nova esp\u00e9cie investigada por Sandra Maruyama e colegas pode infectar camundongos, al\u00e9m de humanos \u2013 como eles comprovaram ao cultivar em laborat\u00f3rio parasitas coletados nos tecidos daquele primeiro paciente. \u201cExpusemos os camundongos aos parasitas isolados do paciente, tanto por via intravenosa quanto cut\u00e2nea [<em>na pele<\/em>], e descobrimos que ambos infectavam o f\u00edgado dos animais\u201d, conta ela. Os parasitas coletados da pele do paciente tamb\u00e9m causaram les\u00f5es na pele dos camundongos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ap\u00f3s ter o genoma da nova esp\u00e9cie j\u00e1 sequenciado, foi feita outra an\u00e1lise de bioinform\u00e1tica. Assim foi poss\u00edvel fazer o diagn\u00f3stico molecular da infec\u00e7\u00e3o dos pacientes por esse parasita. \u201cIsso n\u00e3o seria poss\u00edvel com as ferramentas que existem para diagn\u00f3stico molecular de leishm\u00e2nia. Ent\u00e3o tivemos necessidade de desenvolver a metodologia para o novo parasita. N\u00e3o criamos nenhuma t\u00e9cnica nova, mas elaboramos um procedimento novo\u201d, disse ao\u00a0<strong>Jornal da USP<\/strong>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cEm posse dos dados gen\u00f4micos do novo parasita, que s\u00e3o os que est\u00e3o no artigo publicado, foram feitos mais testes com PCR (Rea\u00e7\u00e3o em Cadeia da Polimerase, da sigla em ingl\u00eas)\u201d. A PCR \u00e9 uma rea\u00e7\u00e3o enzim\u00e1tica muito aplicada em biologia molecular para amplificar em laborat\u00f3rio fragmentos de DNA. Basicamente, \u00e9 usada para fazer v\u00e1rias c\u00f3pias do peda\u00e7o de DNA que se est\u00e1 interessado em estudar.\u00a0<em>Primers<\/em>, ou iniciadores, s\u00e3o usados dentro da rea\u00e7\u00e3o enzim\u00e1tica para dar especificidade a uma regi\u00e3o gen\u00f4mica. \u201cRealizamos uma an\u00e1lise bioinform\u00e1tica (simula\u00e7\u00e3o computacional). Elegemos alguns trechos candidatos que pudessem ser espec\u00edficos deste novo parasita, desenhamos alguns\u00a0<em>primers<\/em>\u00a0\u2013 marcadores moleculares \u2013 para regi\u00f5es gen\u00f4micas que fossem pr\u00f3prias deste parasita, e que n\u00e3o aparecessem no genoma de leishm\u00e2nias, e testamos por PCR.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cTamb\u00e9m fizemos triagens com a PCR, usando os\u00a0<em>primers<\/em>\u00a0espec\u00edficos que desenhamos, em uma gama de outras amostras cl\u00ednicas que o professor Roque compartilhou conosco. Extra\u00edmos o DNA dos isolados cl\u00ednicos e este DNA serviu como um molde para fazer a rea\u00e7\u00e3o de PCR com essas regi\u00f5es espec\u00edficas da nova esp\u00e9cie\u201d, detalhou a pesquisadora. \u201cDa\u00ed conseguimos dizer qual parasita estava naquela amostra coletada do paciente. \u00c9 o que chamamos de tipagem molecular, isto \u00e9, identificar uma esp\u00e9cie por m\u00e9todos moleculares\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A cientista, que tem apoio da Fapesp para realizar sua pesquisa, planeja em breve realizar a descri\u00e7\u00e3o da nova esp\u00e9cie, para poder finalmente nomear a doen\u00e7a.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">Pr\u00f3ximos passos<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">A C<em>rithidia<\/em>, esp\u00e9cie com que o parasita estudado mais se assemelha, infecta insetos, principalmente culic\u00eddeos (como o\u00a0<em>culex<\/em>, o pernilongo dom\u00e9stico) e anofelinos (como o\u00a0<em>anopheles<\/em>, o mosquito-prego), que se alimentam de sangue. \u201cMas quando estes insetos picam o homem ou qualquer mam\u00edfero, a\u00a0<em>Crithidia<\/em>\u00a0n\u00e3o consegue sobreviver, pelo que at\u00e9 hoje se mostrou. Ent\u00e3o a grande d\u00favida que o trabalho gera \u00e9: quem ser\u00e1 que \u00e9 o vetor desse novo parasita?\u201d, diz Sandra Maruyama. Afinal, a leishm\u00e2nia tem como vetor uma outra fam\u00edlia de insetos, que s\u00e3o os flebotom\u00edneos (como o mosquito-palha), muito diferentes dos insetos que a\u00a0<em>Crithidia<\/em>\u00a0parasita. \u201cO primeiro ind\u00edcio que este parasita consegue sobreviver no homem \u00e9 que conseguimos isol\u00e1-lo de pacientes, e o segundo \u00e9 que ele infecta camundongos, como mostramos experimentalmente, nos \u00f3rg\u00e3os \u2013 ba\u00e7o e f\u00edgado-, e na pele, como aconteceu com os pacientes \u2013 apesar dos sintomas em camundongos n\u00e3o se manifestarem como em humanos.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-275877\" src=\"https:\/\/jornal.usp.br\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/20191001_mosquitos_culex_anopheles_palha_phlebotomus2.jpg\" alt=\"\" width=\"744\" height=\"349\" data-id=\"275877\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Perguntada se \u00e9 poss\u00edvel que ele estivesse circulando entre outros animais e aquele tenha sido o primeiro caso detectado de infec\u00e7\u00e3o humana, a pesquisadora diz que sim. \u201cN\u00f3s temos que investigar isso agora, fazer parcerias com grupos que tenham amostras de reservat\u00f3rios silvestres, como algumas esp\u00e9cies de c\u00e3es silvestres e de raposas. Temos esse m\u00e9todo de diagn\u00f3stico molecular para identificar o novo parasita, diferenciando de leishm\u00e2nia. O que precisamos agora \u00e9 coletar amostras, ou trabalhar com grupos que tenham j\u00e1 estas amostras de sangue, como existem v\u00e1rios no Brasil\u201d diz, ressaltando que \u00e9 necess\u00e1rio fazer um rastreamento e come\u00e7ar a investigar at\u00e9 onde se estende a presen\u00e7a deste parasita. \u201cA princ\u00edpio detectamos o parasita nestas amostras de Sergipe, mas n\u00e3o sabemos o quanto isso est\u00e1 distribu\u00eddo. E, ao mesmo tempo, temos que fazer parcerias com grupos que estudem insetos vetores de doen\u00e7as, principalmente da leishm\u00e2nia, e estes insetos hemat\u00f3fagos que a Crithidia parasita, j\u00e1 que ele \u00e9 t\u00e3o parecido com ela.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outra maneira de fazer isso, acrescenta, \u00e9 experimentalmente, que \u00e9 um dos planos do seu grupo para o ano que vem: \u201ctestar se os insetos de laborat\u00f3rio podem ser infectados por este parasita e t\u00eam a capacidade transmiti-lo, ao se alimentar de seu sangue, para um hospedeiro vertebrado, e este mam\u00edfero desenvolver a doen\u00e7a\u201d. Trata-se de algo bem complexo, mas para o que existem t\u00e9cnicas experimentais. Al\u00e9m disso, \u00e9 necess\u00e1rio que o procedimento seja feito em laborat\u00f3rios com certifica\u00e7\u00f5es espec\u00edficas de biosseguran\u00e7a. \u201cN\u00f3s n\u00e3o temos, ent\u00e3o precisamos de colabora\u00e7\u00e3o com centros que j\u00e1 estejam autorizados, como um departamento do NIH [<em>National Institutes of Health, nos EUA<\/em>] , para onde pretendemos enviar uma pesquisadora no ano que vem\u201d, planeja a cientista.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cQuanto aos pacientes, temos testado estas dezenas de amostras que recebemos em Sergipe, mas o ideal seria analisar muito mais casos que sejam inconclusivos. Precisamos de n\u00fameros para descartar totalmente que se trate de coinfec\u00e7\u00f5es (infec\u00e7\u00f5es por mais de um parasita ao mesmo tempo), e tamb\u00e9m receber amostras de v\u00e1rias outras regi\u00f5es, at\u00e9 para n\u00e3o ter vi\u00e9s nas an\u00e1lises\u201d, explica, deixando claro o rigor cient\u00edfico com que deve ser tratada uma nova descoberta. \u201cPor ora, al\u00e9m de refinar a an\u00e1lise gen\u00f4mica desta esp\u00e9cie, estamos tentando infectar<em>\u00a0in vitro<\/em>\u00a0das c\u00e9lulas destas amostras positivas, o que ser\u00e1 mais uma prova que o parasita realmente tem uma fase de vida no hospedeiro vertebrado e que pode vir a causar uma doen\u00e7a no homem.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O artigo\u00a0<em>Non-Leishmania parasite in fatal visceral leishmaniasis\u2013like disease<\/em>\u00a0<a href=\"https:\/\/wwwnc.cdc.gov\/eid\/article\/25\/11\/18-1548_article\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">pode ser acessado neste link<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mais informa\u00e7\u00f5es: e-mail\u00a0<a>srmaruyama@gmail.com<\/a>, com a professora Sandra Maruyama ou\u00a0<a>jsdsilva@fmrp.usp.br<\/a>, com o professor Jo\u00e3o Santana; informa\u00e7\u00f5es para a imprensa:\u00a0<a>petermoon@yahoo.com<\/a>, Ag\u00eancia Brasileira de Divulga\u00e7\u00e3o Cient\u00edfica<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Refer\u00eancia: Jornal da USP \u2013 Por: Luiza Caires \u2013 Foto: Alynne Karen Mendon\u00e7a de Santana, pesquisadora da FMRP e coautora do artigo<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Resistente ao tratamento, j\u00e1 s\u00e3o ao menos 150 casos da doen\u00e7a, com duas mortes. 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