{"id":4604,"date":"2020-11-05T15:54:19","date_gmt":"2020-11-05T18:54:19","guid":{"rendered":"http:\/\/www.fmrp.usp.br\/?p=4604"},"modified":"2021-01-15T12:58:46","modified_gmt":"2021-01-15T14:58:46","slug":"arquivos-4604","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.usp.br\/devfmrp\/arquivos-4604\/","title":{"rendered":"Diretrizes orientam assist\u00eancia ao luto por perda do beb\u00ea na gesta\u00e7\u00e3o ou primeiros dias de vida"},"content":{"rendered":"<p>No Brasil s\u00e3o poucos os estudos e orienta\u00e7\u00f5es sobre o luto perinatal, per\u00edodo enfrentado pelas m\u00e3es que perdem uma gesta\u00e7\u00e3o ou o beb\u00ea nos primeiros dias de vida. Tamb\u00e9m n\u00e3o h\u00e1 diretrizes para os profissionais da sa\u00fade na assist\u00eancia a essas mulheres e seus familiares.<\/p>\n<figure id=\"attachment_364445\" class=\"wp-caption alignleft\" aria-describedby=\"caption-attachment-364445\">\n<figure id=\"attachment_364445\" aria-describedby=\"caption-attachment-364445\" style=\"width: 241px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-364445 size-medium\" src=\"https:\/\/jornal.usp.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/20201020-Maria-Fernanda-241x300.png\" alt=\"\" width=\"241\" height=\"300\" data-id=\"364445\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-364445\" class=\"wp-caption-text\">A\u00a0m\u00e3e Maria Fernanda de Queiroz Ceron com a beb\u00ea, Marina, que nasceu saud\u00e1vel e trouxe alegria depois de uma primeira gravidez complicada e traum\u00e1tica \u2013 Foto: Arquivo pessoal<\/figcaption><\/figure><\/figure>\n<p>Essa falta de acompanhamento e apoio foi enfrentada pela professora universit\u00e1ria Maria Fernanda Queiroz Ceron, que, aos 35 anos, j\u00e1 casada h\u00e1 bastante tempo, resolveu que estava na hora de ter filhos. Mas o planejamento, inicialmente, n\u00e3o saiu como esperado. Aos tr\u00eas meses da primeira gravidez, descobriu que o beb\u00ea, um menino, tinha m\u00e1 forma\u00e7\u00e3o card\u00edaca e dificilmente a gravidez chegaria ao fim. Desde ent\u00e3o acompanhou semanalmente a gesta\u00e7\u00e3o para \u201cesperar\u201d a morte do feto, que ocorreu oito semanas ap\u00f3s o diagn\u00f3stico da m\u00e1 forma\u00e7\u00e3o. No dia seguinte da constata\u00e7\u00e3o do \u00f3bito foi internada e teve o parto normal induzido por medicamentos. \u201cFoi uma fase muito dif\u00edcil, teve toda a expectativa do primeiro filho e isso acompanhado de perguntas e felicita\u00e7\u00f5es dos amigos e parentes, n\u00e3o tive apoio psicol\u00f3gico, tamb\u00e9m n\u00e3o quis procurar, n\u00e3o sabia o que fazer.\u201d<\/p>\n<p>A tristeza que tomou conta da professora s\u00f3 foi interrompida pela expectativa da segunda gravidez e com a chegada da Marina, hoje com 2 anos, esbanjando sa\u00fade e alegria. \u201cDepois da primeira gesta\u00e7\u00e3o foi muito dif\u00edcil decidir pela segunda, pois fiquei muito traumatizada com tudo o que ocorreu.\u201d<\/p>\n<p>Para orientar os servi\u00e7os de sa\u00fade na assist\u00eancia a essas m\u00e3es, a psic\u00f3loga e pesquisadora Heloisa de Oliveira Salgado, p\u00f3s-doutoranda do Centro de Medicina do Estilo de Vida e Promo\u00e7\u00e3o de Sa\u00fade (Cemev) do Departamento de Medicina Social da\u00a0Faculdade de Medicina de Ribeir\u00e3o Preto (FMRP) da USP, trabalha no desenvolvimento de um protocolo com diretrizes para o atendimento durante o luto perinatal, com supervis\u00e3o do professor Jo\u00e3o Paulo Souza.<\/p>\n<p>Esse n\u00e3o \u00e9 o primeiro trabalho da pesquisadora sobre o tema. Em 2018 ela publicou o livro\u00a0\u00a0<a href=\"https:\/\/www.amazon.com.br\/Heloisa-Oliveira-Salgado-Andreucci-Polido\/dp\/8567695090\"><i>Como lidar: luto perinatal<\/i><\/a>, junto com a professora Carla Andreucci Polido, da Universidade Federal de S\u00e3o Carlos (UFSCar). Na obra, as autoras adaptaram as diretrizes canadenses para a realidade brasileira.<\/p>\n<p>Agora, no p\u00f3s-doutorado, Heloisa amplia as informa\u00e7\u00f5es do livro, utilizando tamb\u00e9m as diretrizes brit\u00e2nicas para valida\u00e7\u00e3o de um protocolo espec\u00edfico para o Brasil. \u201cNa proposta partimos do pressuposto de que essas fam\u00edlias t\u00eam pouca ou quase\u00a0 nenhuma mem\u00f3ria do bebe ou da gesta\u00e7\u00e3o que foi perdida. Todo o trabalho \u00e9 no sentido de a fam\u00edlia construir e coletar mem\u00f3rias, pois essas mem\u00f3rias criadas e vividas s\u00e3o importantes e ser\u00e3o acessadas no processo do luto.\u201d<\/p>\n<h3><b>Diretrizes envolvem a m\u00e3e, familiares e os profissionais da sa\u00fade<\/b><\/h3>\n<p>A pesquisadora lembra que todo o processo de luto envolve uma boa assist\u00eancia, a come\u00e7ar pelo comunicado do \u00f3bito, sem esquecer da possibilidade de se criar uma poss\u00edvel caixa de mem\u00f3rias com itens e lembran\u00e7as do beb\u00ea. Al\u00e9m da necessidade de mem\u00f3rias f\u00edsicas e sensoriais, Heloisa salienta que s\u00e3o importantes as mem\u00f3rias emocionais: \u201cA m\u00e3e e familiares precisam se sentir acolhidos em todos os momentos desse processo, at\u00e9 mesmo nas quest\u00f5es do funeral\u201d.<\/p>\n<figure id=\"attachment_364446\" class=\"wp-caption alignright\" aria-describedby=\"caption-attachment-364446\">\n<figure id=\"attachment_364446\" aria-describedby=\"caption-attachment-364446\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignright\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-364446 size-medium\" src=\"https:\/\/jornal.usp.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/20201020-HeloisadeOliveiraSalgado-300x300.png\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"300\" data-id=\"364446\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-364446\" class=\"wp-caption-text\">Heloisa de Oliveira Salgado, p\u00f3s-doutoranda na FMRP \u2013 Foto: Arquivo pessoal<\/figcaption><\/figure><figcaption id=\"caption-attachment-364446\" class=\"wp-caption-text\"><\/figcaption><\/figure>\n<p>Mas, nesse processo, diz, \u00e9 importante que a fam\u00edlia participe das tomadas de decis\u00f5es em conjunto com a equipe de assist\u00eancia e que seja acompanhada tamb\u00e9m depois da alta, como, por exemplo, no processo de investiga\u00e7\u00e3o das causas do ocorrido e at\u00e9 na decis\u00e3o de uma nova gesta\u00e7\u00e3o. \u201cMedos e inseguran\u00e7as far\u00e3o parte de uma nova gesta\u00e7\u00e3o, as quest\u00f5es que levaram \u00e0 perda da gesta\u00e7\u00e3o anterior v\u00e3o surgir durante a nova gesta\u00e7\u00e3o, no parto e at\u00e9 mesmo no p\u00f3s-parto, e isso deve ser lavado em conta pelas institui\u00e7\u00f5es e pelos profissionais.<\/p>\n<p>Na proposta de Helo\u00edsa, al\u00e9m da assist\u00eancia e acompanhamento, aparece a figura do profissional do luto, um profissional de dentro da institui\u00e7\u00e3o, com conhecimento sobre a teoria do luto para fazer a interface com a fam\u00edlia em momentos espec\u00edficos, como, por exemplo, no momento em que as fam\u00edlias n\u00e3o v\u00e3o querer ver o beb\u00ea, o que segundo Helo\u00edsa \u00e9 importante. \u201cA grande maioria vai se arrepender de n\u00e3o ter visto. E esse profissional tem tamb\u00e9m forma\u00e7\u00e3o e experi\u00eancia para trabalhar junto \u00e0 equipe de profissionais, que tamb\u00e9m precisam de suporte e apoio, pois est\u00e3o na linha de frente do atendimento.\u201d A psic\u00f3loga explica que o nascimento de um beb\u00ea em \u00f3bito \u00e9 um momento diferente daquilo que se desejava, pois pais e m\u00e3es desejam filhos vivos e saud\u00e1veis, por isso \u00e9 t\u00e3o necess\u00e1rio dar um fechamento para essa situa\u00e7\u00e3o e \u201c\u00e9 na maternidade que isso acontece\u201d.<\/p>\n<p>Heloisa lembra, ainda, que durante a pandemia os profissionais da sa\u00fade t\u00eam alertado sobre a possibilidade de uma epidemia de luto complicado naqueles que perderam familiares para a covid-19 e n\u00e3o conseguiram se despedir, \u201co que n\u00e3o \u00e9 diferente do que passam as mulheres que perdem uma gesta\u00e7\u00e3o ou um beb\u00ea\u201d.<\/p>\n<p>O estudo\u00a0<i>O Projeto Brasileiro de Luto Perinatal. Desenvolvimento e avalia\u00e7\u00e3o de diretrizes de apoio para fam\u00edlias que vivenciam natimortalidade e morte neonatal no sudeste do Brasil: um estudo quase experimental do tipo antes e depois\u00a0<\/i>j\u00e1 foi aceito para publica\u00e7\u00e3o e a vers\u00e3o em ingl\u00eas acaba de ser publicada como\u00a0<em>preprint<\/em>, ou seja, n\u00e3o passou por revis\u00e3o dos pares na\u00a0<a href=\"https:\/\/www.researchsquare.com\/article\/rs-86680\/v1\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><i>Plataforma Research Square<\/i><\/a>. Em breve, a vers\u00e3o em portugu\u00eas estar\u00e1 dispon\u00edvel junto \u00e0 publica\u00e7\u00e3o original.<\/p>\n<p>Fonte: <a href=\"https:\/\/jornal.usp.br\/ciencias\/ciencia-pesquisadora-organiza-diretrizes-para-a-assistencia-a-maes-e-familiares-no-luto-perinatal\/\">Jornal da USP<\/a>\/ Por: Rose Talamone<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No Brasil s\u00e3o poucos os estudos e orienta\u00e7\u00f5es sobre o luto perinatal, per\u00edodo enfrentado pelas m\u00e3es que perdem uma gesta\u00e7\u00e3o 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