Prêmio USP de Direitos Humanos 2025 homenageia Amelinha Teles e Instituto Vladimir Herzog

A Comissão de Direitos Humanos da Universidade de São Paulo (CDH USP) anuncia os homenageados do Prêmio USP de Direitos Humanos – Dr. José Gregori – 2025, que reconhece personalidades e instituições cuja atuação fortalece a promoção, proteção e defesa dos direitos humanos no Brasil. Nesta edição, recebem o prêmio Maria Amélia de Almeida Teles, na categoria individual, e o Instituto Vladimir Herzog, na categoria institucional.

Amelinha Teles: uma vida dedicada à luta democrática, à memória e aos direitos das mulheres

Maria Amélia de Almeida Teles, conhecida nacionalmente como Amelinha Teles, nasceu em 6 de outubro de 1944, em Contagem (MG). Sua trajetória de resistência começou ainda na juventude, marcada pelo engajamento político no Partido Comunista Brasileiro (PCB) a partir de 1960. Com o golpe militar de 1964, Amelinha foi detida pela primeira vez, um prenúncio das perseguições que enfrentaria nos anos seguintes.

Em 1968, ingressou na militância clandestina do PCdoB, intensificando seu compromisso com a luta democrática. Em 1972, foi presa junto ao marido e a outros militantes pela Operação Bandeirantes (OBAN), estrutura que deu origem ao DOI-Codi, centro de repressão do regime militar. Durante o período de encarceramento, Amelinha foi vítima de graves violações de direitos praticadas pelos órgãos de repressão.

Após a libertação, transformou sua vivência de violência de Estado em ação política. Tornou-se referência nacional na defesa dos direitos humanos e dos direitos das mulheres, sendo uma das fundadoras da União de Mulheres de São Paulo (1981) e coordenadora do projeto Promotoras Legais Populares, responsável por democratizar o acesso ao conhecimento jurídico para mulheres em situação de vulnerabilidade.

Sua atuação também se estendeu aos processos de memória, verdade e justiça no país. Amelinha integrou a Comissão da Verdade do Estado de São Paulo “Rubens Paiva” e a Comissão da Memória e da Verdade da Prefeitura de São Paulo e integra a Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos, contribuindo para o esclarecimento de violações cometidas durante a ditadura e para a construção de políticas de reparação.

Autora de obras fundamentais para o feminismo brasileiro como Breve História do Feminismo no Brasil, O que é Violência contra a Mulher? e O que são Direitos Humanos das Mulheres? Amelinha consolidou uma trajetória que articula resistência política, militância feminista e compromisso permanente com a democracia e a dignidade humana.

Instituto Vladimir Herzog: memória, jornalismo e direitos humanos como pilares da democracia

Fundado em 2009, o Instituto Vladimir Herzog (IVH) é uma das principais organizações da sociedade civil dedicadas à promoção dos direitos humanos, da democracia e da liberdade de expressão no Brasil. Criado em homenagem ao jornalista Vladimir Herzog, assassinado pela ditadura militar em 1975 e símbolo da luta pela verdade histórica, o instituto atua para preservar sua memória e fortalecer iniciativas de educação e cultura democrática.

Entre suas ações de maior impacto está o Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos, uma das premiações mais reconhecidas do país pela valorização de reportagens que contribuem para a cidadania e a justiça social. O instituto também promove o Prêmio Jovem Jornalista Fernando Pacheco Jordão, que incentiva novos talentos a produzirem conteúdos voltados à defesa dos direitos humanos.

Além das premiações, o IVH desenvolve programas educativos, materiais didáticos e projetos culturais que aproximam os brasileiros dos princípios da cidadania, da não violência e da participação democrática. Sua atuação no campo da memória é igualmente fundamental: ao preservar documentos, narrativas e acervos relacionados às violações da ditadura militar, o instituto contribui para o combate ao autoritarismo e para a consolidação de uma cultura de direitos.

Reconhecimento a trajetórias que inspiram o presente e o futuro

Ao homenagear Amelinha Teles e o Instituto Vladimir Herzog, a USP reafirma seu compromisso com os valores democráticos, com a promoção da justiça e com a defesa incondicional dos direitos humanos. Suas trajetórias, marcadas pela resistência, pela memória e pelo engajamento social, continuam a inspirar gerações na construção de um país mais justo, igualitário e comprometido com a dignidade humana.

A cerimônia oficial de entrega do Prêmio USP de Direitos Humanos – Dr. José Gregori – 2025 ocorrerá no dia 10 de dezembro de 2025, na Sala do Conselho Universitário da USP.

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