{"id":220,"date":"2022-07-28T15:17:30","date_gmt":"2022-07-28T17:17:30","guid":{"rendered":"https:\/\/sites.usp.br\/fernandodeazevedo\/?page_id=220"},"modified":"2023-04-10T12:58:25","modified_gmt":"2023-04-10T14:58:25","slug":"reforma-de-ensino-rj","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/sites.usp.br\/fernandodeazevedo\/reforma-de-ensino-rj\/","title":{"rendered":"Reforma de 1927 (RJ)"},"content":{"rendered":"<p>Por meio das indica\u00e7\u00f5es feitas por Renato Jardim, ex-diretor da Instru\u00e7\u00e3o P\u00fablica do Distrito Federal, Washington Lu\u00eds, presidente do Brasil, e seu secret\u00e1rio, Alarico Silveira, ao prefeito Ant\u00f4nio Prado J\u00fanior, Fernando de Azevedo recebeu o convite para se integrar ao governo da ent\u00e3o capital do pa\u00eds. Sua nomea\u00e7\u00e3o refletia a rede de articula\u00e7\u00f5es que acompanhavam Azevedo: esse mineiro que se al\u00e7ou para a vida pol\u00edtica em S\u00e3o Paulo, a partir, especialmente, de sua participa\u00e7\u00e3o no jornal<strong> O Estado de S. Paulo<\/strong>.<\/p>\n<p>Azevedo tomou posse no cargo de diretor da instru\u00e7\u00e3o p\u00fablica do Distrito Federal no dia 17 de janeiro de 1927. Estava composta, dessa forma, a \u201ctrinca de paulistas\u201d &#8211; Washington Lu\u00eds, Ant\u00f4nio Prado J\u00fanior e Fernando de Azevedo &#8211; que passariam a ditar os rumos da sociedade carioca no final dos anos de 1920: o primeiro na Presid\u00eancia da Rep\u00fablica, o segundo na prefeitura do Rio de Janeiro; e, por fim, o \u00faltimo na esfera educacional. Em seu discurso, amplamente divulgado na imprensa, Azevedo procurou tra\u00e7ar um quadro interpretativo da educa\u00e7\u00e3o na capital federal que viria a servir-lhe como introdu\u00e7\u00e3o ao conjunto de reformas a serem implantadas no Rio de Janeiro.<\/p>\n<p><strong>Reconhecimento da realidade escolar<\/strong><\/p>\n<p>O plano de reforma elaborado por Fernando de Azevedo pretendia o aproveitamento, a renova\u00e7\u00e3o e o aperfei\u00e7oamento do que j\u00e1 existia no ensino no Distrito Federal. Assim, a Diretoria Geral de Instru\u00e7\u00e3o P\u00fablica, buscando um maior reconhecimento do quadro escolar, na capital organizou um recenseamento, dividindo o p\u00fablico escolar por idade, sexo, e, principalmente, por distritos escolares.<\/p>\n<p>Para a organiza\u00e7\u00e3o e realiza\u00e7\u00e3o dessa tarefa Azevedo convidou o professor paulista Sud Mennucci, o que provocou cr\u00edticas por parte da opini\u00e3o p\u00fablica carioca insatisfeita com a \u201cimporta\u00e7\u00e3o de especialistas\u201d e tamb\u00e9m com o que o peri\u00f3dico O Globo chamava de \u201cpatacoadas `a moda dos diretores da instru\u00e7\u00e3o p\u00fablica\u201d, uma vez que, para seus jornalistas, o recenseamento geral de 1920 efetuado por Bulh\u00f5es Carvalho na Diretoria Geral de Estat\u00edstica ainda seria v\u00e1lido se corrigido pelos dados do servi\u00e7o demografo-sanit\u00e1rio da Sa\u00fade P\u00fablica dirigido por Sampaio Vianna.<\/p>\n<p>Alterando o in\u00edcio da frequ\u00eancia escolar, porque suspensa para realiza\u00e7\u00e3o do censo, e exigindo o trabalho gratuito do magist\u00e9rio prim\u00e1rio, uma vez que as professoras exerciam a fun\u00e7\u00e3o de recenseadoras, o censo abriu a primeira grande pol\u00eamica referente \u00e0s medidas reformadoras do projeto de Fernando de Azevedo evidenciando a necessidade de um maior investimento na forma\u00e7\u00e3o de uma opini\u00e3o p\u00fablica favor\u00e1vel \u00e0 implanta\u00e7\u00e3o de uma pol\u00edtica de reforma.<\/p>\n<p>O interesse em dar maior visibilidade \u00e0 administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica aliado \u00e0 proposta de reconhecimento da realidade educacional levaram a Diretoria de Instru\u00e7\u00e3o a promover visitas \u00e0s instala\u00e7\u00f5es escolares pela capital dentre elas \u00e0s escolas Normal, Rio Grande do Sul, Visconde de Ouro Preto, Pereira Passos e Jos\u00e9 Pedro Varella. Com tal procedimento, a reforma do ensino chegou \u00e0s p\u00e1ginas dos jornais, colocando em cena autoridades do administrativo e do legislativo. A necessidade de instala\u00e7\u00f5es pr\u00f3prias e adequadas para as escolas p\u00fablicas tornava-se, assim, evidente nos peri\u00f3dicos da capital que a essa altura iam se posicionando quanto \u00e0 qualidade ao projeto de reformas educacionais proposto por Fernando de Azevedo.<\/p>\n<p>Ao assumir o cargo de diretor geral da Instru\u00e7\u00e3o P\u00fablica, Fernando de Azevedo elaborou um Projeto de Reforma do Ensino, que foi submetido \u00e0 aprova\u00e7\u00e3o do Conselho Municipal, gerando diverg\u00eancias, basicamente, quanto \u00e0s \u201cinova\u00e7\u00f5es\u201d a serem apresentadas, no \u00e2mbito pol\u00edtico-educacional, \u00e0 sociedade carioca. Foram motivo de grande pol\u00eamica, principalmente, os pontos referentes \u00e0 contrata\u00e7\u00e3o de funcion\u00e1rios para diferentes cargos, pois defendia Azevedo a realiza\u00e7\u00e3o de concursos p\u00fablicos, ao que o Conselho Municipal queria acrescentar o sistema de nomea\u00e7\u00f5es pelo prefeito; e ao sistema de promo\u00e7\u00e3o\/unifica\u00e7\u00e3o do magist\u00e9rio, que pleiteava o nivelamento dos vencimentos, bem como o aperfei\u00e7oamento dos mecanismos de ascens\u00e3o profissional para as classes das professoras adjuntas. Todavia, ainda segundo o Projeto, com respeito \u00e0 dire\u00e7\u00e3o das escolas e grupos, permaneceria o crit\u00e9rio de \u201ccargos de confian\u00e7a\u201d, cabendo \u00e0 administra\u00e7\u00e3o escolher dentre os professores que tivessem mais de 12 anos de servi\u00e7o para exercer essa fun\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O postergamento dessas discuss\u00f5es, personificadas nas figuras de alguns representantes de interesses pol\u00edticos, como Br\u00edcio Filho, Maur\u00edcio de Lacerda e Orestes Barbosa deu-se com a elabora\u00e7\u00e3o e aprova\u00e7\u00e3o de um Projeto Substitutivo, aprovado pelo Conselho em 26 de dezembro de 1927. Tal estrat\u00e9gia foi necess\u00e1ria \u00e0 obten\u00e7\u00e3o de um consenso parlamentar, premido pela urg\u00eancia de aprova\u00e7\u00e3o do or\u00e7amento municipal. No entanto, o in\u00edcio de 1928 reavivou a pol\u00eamica sobre a aprova\u00e7\u00e3o e, ap\u00f3s diversas inst\u00e2ncias de recursos, em 23 de janeiro de 1928, foi aprovado e sancionado pelo prefeito, o Projeto de Reforma da Instru\u00e7\u00e3o P\u00fablica carioca, tal como havia sido proposto por Fernando de Azevedo.<\/p>\n<p>Como parte do esfor\u00e7o de consolidar os m\u00e9todos de educa\u00e7\u00e3o segundo a pedagogia nova, educadores e administradores p\u00fablicos promoveram, pelo pa\u00eds, v\u00e1rios congressos e confer\u00eancias de diferentes naturezas e com diversos objetivos. Discutiam temas como disciplina na escola, carreira do magist\u00e9rio e higiene, tratados pelo Congresso de Instru\u00e7\u00e3o Prim\u00e1ria de Minas Gerais, realizado em Belo Horizonte, fixa\u00e7\u00e3o dos professores efetivos das classes por crit\u00e9rios pedag\u00f3gicos, abordado na II Confer\u00eancia Nacional de Educa\u00e7\u00e3o, generaliza\u00e7\u00e3o do m\u00e9todo anal\u00edtico, apresentado na I Confer\u00eancia de Ensino Prim\u00e1rio de Santa Catarina e forma\u00e7\u00e3o da opini\u00e3o p\u00fablica sobre as vantagens do ensino secund\u00e1rio, explorados nas teses da III Confer\u00eancia Nacional de Educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Especificamente no Distrito Federal, a Diretoria Geral de Instru\u00e7\u00e3o P\u00fablica promoveu uma s\u00e9rie de confer\u00eancias pedag\u00f3gicas com a inten\u00e7\u00e3o de divulgar a reforma e com o prop\u00f3sito de instruir o professorado em assuntos como escola nova, ensino profissional e trabalhos manuais. Com essa estrat\u00e9gia efetuaram-se as Confer\u00eancias de Educa\u00e7\u00e3o, ocorridas no per\u00edodo de 24 de abril a 30 de maio de 1928, reunindo nomes eminentes da administra\u00e7\u00e3o e do magist\u00e9rio p\u00fablicos, e estendendo-se sobre a escola do trabalho, a reforma do ensino e os testes mentais e sua aplica\u00e7\u00e3o na escola.<\/p>\n<p>No entanto, as confer\u00eancias n\u00e3o se realizaram somente a partir de iniciativas da Diretoria Geral ou das escolas, por meio do C\u00edrculo de Pais e Professores. Essa forma de divulga\u00e7\u00e3o e instru\u00e7\u00e3o revelou-se tamb\u00e9m um meio de congrega\u00e7\u00e3o de pessoas em torno de assuntos como higiene, trabalho, fam\u00edlia, a partir do espa\u00e7o escolar. Os m\u00e9dicos organizaram o ciclo de palestras Higiene Mental: maus h\u00e1bitos nas escolas. Os professores articularam confer\u00eancias com o apoio da Cruzada pela Escola Nova e de entidades de promo\u00e7\u00e3o da educa\u00e7\u00e3o como a ABE, atrav\u00e9s do Curso de Educa\u00e7\u00e3o F\u00edsica.<\/p>\n<p><strong>A forma\u00e7\u00e3o para o magist\u00e9rio<\/strong><\/p>\n<p>A reforma do ensino normal constituiu-se em um dos aspectos reiterados pelo discurso renovador da Diretoria Geral de Instru\u00e7\u00e3o P\u00fablica do Distrito Federal entre 1927 e 1930. Tanto as condi\u00e7\u00f5es materiais necess\u00e1rias ao acolhimento de alunas e ao desenvolvimento do curso quanto as quest\u00f5es mais te\u00f3ricas da forma\u00e7\u00e3o e profissionaliza\u00e7\u00e3o docente foram objetos de an\u00e1lise pelos educadores envolvidos na administra\u00e7\u00e3o municipal e sofreram altera\u00e7\u00f5es justificadas em princ\u00edpios da Escola Nova.<\/p>\n<p>Ainda em 1927, foi aberto o concurso e aprovado o anteprojeto para constru\u00e7\u00e3o do novo edif\u00edcio para a Escola Normal. No ano seguinte, modificaram-se as regras do exame de admiss\u00e3o \u00e0 Escola, incorporando a prova de desenho, o que gerou grande pol\u00eamica na imprensa, e criou-se o curso anexo preparat\u00f3rio ao de forma\u00e7\u00e3o para o magist\u00e9rio. O programa da Escola Normal foi reformulado, estendendo-se para cinco anos, divididos entre curso proped\u00eautico e profissional, e adaptando-se aos ditames da pedagogia cient\u00edfica e experimental. Em 1929, as alunas ganharam um novo uniforme. Finalmente, em 1930, inaugurou-se o novo pr\u00e9dio da Normal. Durante estes \u00faltimos tr\u00eas anos foram efetuados diversos concursos para contrata\u00e7\u00e3o de professores para a Escola.<\/p>\n<p>Na produ\u00e7\u00e3o de uma identidade docente ao magist\u00e9rio prim\u00e1rio carioca n\u00e3o apenas a tem\u00e1tica da profissionaliza\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica despontou nos discursos dos renovadores. Os enunciados que estabeleciam estreita vincula\u00e7\u00e3o entre<br \/>\nmagist\u00e9rio e mulher tamb\u00e9m circularam largamente no per\u00edodo. As discuss\u00f5es em torno do celibato pedag\u00f3gico, criticado por Luiz Palmeira e defendido por Benevenuta Ribeiro, entre outros educadores e educadoras; as afirma\u00e7\u00f5es sobre o pendor natural da mulher \u00e0 socializa\u00e7\u00e3o infantil; a expressiva matr\u00edcula feminina na Escola Normal e a manuten\u00e7\u00e3o da disciplina Trabalhos de agulha no seu curr\u00edculo consolidavam a constru\u00e7\u00e3o do magist\u00e9rio prim\u00e1rio como uma profiss\u00e3o feminina no imagin\u00e1rio social.<\/p>\n<p><strong>Concursos p\u00fablicos e a reorganiza\u00e7\u00e3o do magist\u00e9rio<\/strong><\/p>\n<p>Expressa no discurso de posse, reiterada nos escritos sobre o per\u00edodo her\u00f3ico, maneira como Fernando de Azevedo qualificou os anos 1927 a 1930, a reorganiza\u00e7\u00e3o do magist\u00e9rio, desdobrada na quest\u00e3o das aposentadorias, demiss\u00f5es e equipara\u00e7\u00f5es salariais, constituiu-se em um dos pontos nodais dos atritos entre a Diretoria Geral, parcela da classe docente e pol\u00edticos, especialmente quando associada aos concursos p\u00fablicos para contrata\u00e7\u00e3o de professores e funcion\u00e1rios.<\/p>\n<p>Jaime Pombo Br\u00edcio Filho, Osvaldo Orico, Raul de Faria e Alfredo Balthazar da Silveira foram alguns dos docentes do magist\u00e9rio p\u00fablico atingidos pela reorganiza\u00e7\u00e3o administrativa, que se tornaram opositores \u00e0 reforma. Br\u00edcio Filho, jornalista, professor catedr\u00e1tico da Escola Normal aposentado pela Diretoria Geral e antigo deputado estadual, inundava a imprensa de artigos cr\u00edticos \u00e0 a\u00e7\u00e3o renovadora da educa\u00e7\u00e3o municipal. Orico, professor da Escola Normal, e Faria, inspetor de ensino, assumiram sucessivamente o cargo de Diretor Geral da Instru\u00e7\u00e3o P\u00fablica ap\u00f3s a sa\u00edda de Azevedo, em outubro de 1930, iniciando processos para apurar malversa\u00e7\u00e3o de recursos pela administra\u00e7\u00e3o anterior. Balthazar da Silveira, tamb\u00e9m catedr\u00e1tico da Escola Normal e advogado, defendeu seus colegas educadores em processos que visavam a equipara\u00e7\u00e3o salarial aos professores das escolas noturnas.<\/p>\n<p>Os concursos p\u00fablicos n\u00e3o se resumiram aos de contrata\u00e7\u00e3o, se bem que, ao todo, efetuaram- se, entre 1927 e 1930, mais de trinta concursos para suprimento de diversos tipos de fun\u00e7\u00f5es, como inspetores m\u00e9dicos e dent\u00e1rios, mestres e contramestres e professores. Houve concursos p\u00fablicos tamb\u00e9m para escolha de livros did\u00e1ticos, elei\u00e7\u00e3o de anteprojetos para as constru\u00e7\u00f5es escolares e contrata\u00e7\u00e3o de empreiteiras para realiza\u00e7\u00e3o de obras. Registrados em atas, os procedimentos dos concursos realizados durante a administra\u00e7\u00e3o Azevedo constam da documenta\u00e7\u00e3o sob guarda do Arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro.<\/p>\n<p><strong>Pr\u00e1ticas escolares<\/strong><\/p>\n<p>Na produ\u00e7\u00e3o de um discurso renovador da escola p\u00fablica no Distrito Federal, os educadores, envolvidos com a reforma de instru\u00e7\u00e3o proposta por Fernando de Azevedo, distinguiam as novas orienta\u00e7\u00f5es pedag\u00f3gicas, associadas aos princ\u00edpios escolanovistas, das anteriores, afirmando a centralidade da crian\u00e7a no processo educativo e propondo pr\u00e1ticas escolares que se diferenciavam das, ent\u00e3o, em voga por apropriarem-se de novos objetos ou ressignificarem materiais existentes nas escolas e por estabelecerem uma rela\u00e7\u00e3o mais pr\u00f3xima entre a institui\u00e7\u00e3o escolar e a comunidade.<\/p>\n<p>A introdu\u00e7\u00e3o do cinema como recurso pedag\u00f3gico, a revaloriza\u00e7\u00e3o do livro para a constru\u00e7\u00e3o do conhecimento escolar, a insist\u00eancia na utiliza\u00e7\u00e3o de laborat\u00f3rios como meio did\u00e1tico bem como a \u00eanfase no desenvolvimento de centros de interesse como m\u00e9todo de ensino s\u00e3o exemplos de altera\u00e7\u00f5es nas pr\u00e1ticas internas da escola. Sintonizavam-se aos preceitos da educa\u00e7\u00e3o ativa que pretendia n\u00e3o apenas a observa\u00e7\u00e3o, m\u00e1xima do ensino intuitivo, mas principalmente a experimenta\u00e7\u00e3o como forma de aquisi\u00e7\u00e3o de saberes escolarizados pelos alunos.<\/p>\n<p>A escola renovada voltava tamb\u00e9m sua aten\u00e7\u00e3o para a comunidade, almejando educar a sociedade, atrav\u00e9s de confer\u00eancias, organizadas por professores ou pelo C\u00edrculo de Pais e Professores ou atrav\u00e9s do exemplo das atividades realizadas no interior da escola e que atingiam visibilidade social como as exposi\u00e7\u00f5es de trabalhos manuais e as festas ou, ainda, da a\u00e7\u00e3o direta das crian\u00e7as, como a atividade dos pelot\u00f5es de sa\u00fade, dos distribuidores de selos e dos escoteiros.<\/p>\n<p>Merece destaque o escotismo. Organizada pelo secret\u00e1rio do prefeito do Distrito Federal, M\u00e1rio Cardim, a pedido de Fernando de Azevedo, a Federa\u00e7\u00e3o Escolar de Escoteiros tinha por objetivo, al\u00e9m estreitar o v\u00ednculo entre escola e comunidade, complementar a educa\u00e7\u00e3o f\u00edsica, moral e c\u00edvica das crian\u00e7as.<\/p>\n<p><strong>Edifica\u00e7\u00f5es escolares<\/strong><\/p>\n<p>A constata\u00e7\u00e3o da insufici\u00eancia do n\u00famero de escolas prim\u00e1rias no Distrito Federal para o atendimento de toda a popula\u00e7\u00e3o carioca em idade escolar, verificada pelo censo, associada \u00e0 cr\u00edtica \u00e0s instala\u00e7\u00f5es dos pr\u00e9dios escolares existentes, na sua maioria casas, alugadas ou de propriedade da Prefeitura Municipal, adaptadas \u00e0 fun\u00e7\u00e3o de escola, sem condi\u00e7\u00f5es higi\u00eanicas adequadas, segundo o discurso escolanovista, levaram a Diretoria Geral de Instru\u00e7\u00e3o P\u00fablica a organizar uma pol\u00edtica de constru\u00e7\u00e3o escolar ao munic\u00edpio. Visando implement\u00e1-la, terrenos e casas, onde necess\u00e1rio, foram desapropriados em regime de urg\u00eancia e realizaram-se concursos para escolha de anteprojetos e contrata\u00e7\u00e3o de construtoras. Ao todo, na administra\u00e7\u00e3o Azevedo da instru\u00e7\u00e3o p\u00fablica, conclu\u00edram-se nove obras, contabilizadas entre anexos a pr\u00e9dios constru\u00eddos como escolares em gest\u00f5es anteriores e edif\u00edcios novos: Escolas Argentina, Estados Unidos, Uruguai, Ant\u00f4nio Prado Jr. e Normal.<\/p>\n<p>As constru\u00e7\u00f5es novas foram idealizadas no estilo neocolonial, concebido por Fernando de Azevedo, como o mais apropriado \u00e0 edifica\u00e7\u00e3o escolar, porque resgatava a tradi\u00e7\u00e3o est\u00e9tica brasileira e difundia valores nacionalizantes a alunos e comunidade, posi\u00e7\u00e3o assumida j\u00e1 no inqu\u00e9rito sobre arquitetura que conduziu para o jornal O Estado de S.Paulo, em 1926.<\/p>\n<p>A edifica\u00e7\u00e3o do pr\u00e9dio da Escola Normal foi a que recebeu maior cobertura na imprensa durante a Reforma. Publicaram-se diversos desenhos da fachada, detalharam-se pormenorizadamente suas instala\u00e7\u00f5es e criticaram-se o alto custo da obra e sua localiza\u00e7\u00e3o. Prevista para ser inaugurada em princ\u00edpios de 1930, a Escola foi ocupada pelas alunas apenas em outubro, por determina\u00e7\u00e3o de seu diretor, Carlos Werneck, que receava a tomada do pr\u00e9dio pelas tropas revolucion\u00e1rias de Get\u00falio Vargas.<\/p>\n<p>O discurso, escrito por Azevedo, para inaugura\u00e7\u00e3o da Escola nunca foi pronunciado, pois, com a Revolu\u00e7\u00e3o de 1930, o educador voltou a S\u00e3o Paulo, afastando-se da Diretoria Geral de Instru\u00e7\u00e3o P\u00fablica. No entanto, o pr\u00e9dio da Normal ainda retornaria \u00e0 imprensa, sendo o piv\u00f4 de processos de malversa\u00e7\u00e3o de recursos p\u00fablicos movidos contra Azevedo, por seus sucessores Oswaldo Orico e Raul de Farias.<\/p>\n<p><strong>Inqu\u00e9ritos e Cruzadas<\/strong><\/p>\n<p>Da mesma maneira que congressos e confer\u00eancias, inqu\u00e9ritos e cruzadas foram estrat\u00e9gias mobilizadas pela Diretoria Geral de Instru\u00e7\u00e3o P\u00fablica, pela imprensa, por educadores, por escolas ou por entidades ligadas \u00e0 educa\u00e7\u00e3o para suscitar debates em torno de temas relacionados \u00e0 esfera educacional. Os inqu\u00e9ritos serviam tanto para apurar dados quantitativos da realidade escolar carioca, como o censo realizado pela Diretoria Geral, visando aquilatar o n\u00famero de crian\u00e7as em idade escolar e sua distribui\u00e7\u00e3o na cidade do Rio de Janeiro; quanto para avaliar a opini\u00e3o p\u00fablica ou especializada sobre um determinado assunto, como o inqu\u00e9rito sobre celibato pedag\u00f3gico feminino, levado a efeito pelo jornal A P\u00e1tria, que entrevistou v\u00e1rios educadores, dentre eles Luiz Palmeira e Benevenuta Ribeiro, pretendendo discutir a pertin\u00eancia ou n\u00e3o de uma poss\u00edvel legisla\u00e7\u00e3o restritiva ao casamento de professoras.<\/p>\n<p>As cruzadas almejavam propagar a\u00e7\u00f5es educativas. Ora difundiam ideais escolanovistas ao professorado, atrav\u00e9s de palestras e publica\u00e7\u00f5es, como a Cruzada Pedag\u00f3gica em prol da Escola Nova, fundada e mantida pela iniciativa do pr\u00f3prio magist\u00e9rio. Ora divulgavam preceitos higi\u00eanicos, como a Cruzada contra a Febre Amarela, realizada pela iniciativa particular com o apoio da Diretoria Geral de Instru\u00e7\u00e3o P\u00fablica. Ora defendiam a obrigatoriedade do ensino prim\u00e1rio no Distrito Federal, prevista na reforma azevediana, como a Cruzada contra o Analfabetismo, organizada pelo Rotary Club do Rio de Janeiro.<\/p>\n<p><strong>Interc\u00e2mbios<\/strong><\/p>\n<p>Com o prop\u00f3sito de conhecer novas pr\u00e1ticas educativas e discutir teorias educacionais produzidas na Am\u00e9rica e na Europa, realizaram-se durante a Reforma de Fernando de Azevedo v\u00e1rios interc\u00e2mbios internacionais. Entre os estados brasileiros tamb\u00e9m houve troca de experi\u00eancias, por\u00e9m, com o objetivo de observar e divulgar ideias e trabalhos.<\/p>\n<p>A Diretoria Geral de Instru\u00e7\u00e3o P\u00fablica deu \u00eanfase na rela\u00e7\u00e3o Brasil-Uruguai, ainda\u00a0 que n\u00e3o ocorressem visitas de um pa\u00eds ao outro, Brasil-Argentina, Brasil-Estados Unidos, al\u00e9m de manter v\u00ednculo com algumas escolas japonesas por ocasi\u00e3o da troca de trabalhos entre alunos dos dois pa\u00edses. A Argentina recebeu excurs\u00f5es de professores cariocas e enviou diversas vezes professoras para conhecer a realidade brasileira. Um dos resultados dessa rela\u00e7\u00e3o foi a mudan\u00e7a de nome da escola carioca Delphim Moreira para Escola Argentina.<\/p>\n<p>Os Estados Unidos encaminharam especialistas norte-americanos ao Brasil para conhecer as pr\u00e1ticas escolares, mas, principalmente, para orientar professores brasileiros de acordo com as novas teorias da escola ativa. Com o intuito de dar forma\u00e7\u00e3o aos professores norte-americanos nas \u00e1reas de hist\u00f3ria e geografia do Brasil, o professor Delgado de Carvalho fundou a Escola de Estudos Brasileiros. Ainda, v\u00e1rios grupos de docentes brasileiros<br \/>\nvisitaram os Estados Unidos.<\/p>\n<p>Quanto aos interc\u00e2mbios internacionais realizados por outros estados, mereceu destaque na imprensa carioca da \u00e9poca a visita da Embaixada de Instru\u00e7\u00e3o a Minas Gerais. Nem sempre a iniciativa dos interc\u00e2mbios foi bem recebida pela imprensa carioca. Cr\u00edticas, especialmente no que se refere ao disp\u00eandio de recursos financeiros necess\u00e1rios para as viagens e \u00e0 importa\u00e7\u00e3o de ideias e de professores para a forma\u00e7\u00e3o do homem nacional circularam nos jornais da \u00e9poca.<\/p>\n<p><strong>Higiene<\/strong><\/p>\n<p>Forma regular de disciplinariza\u00e7\u00e3o dos h\u00e1bitos do corpo, a higiene escolar foi compreendida em suas diversas rela\u00e7\u00f5es com a comunidade escolar. A educa\u00e7\u00e3o f\u00edsica constituiu-se no componente curricular que, com maior evid\u00eancia, estabeleceu rela\u00e7\u00f5es com a higiene no cotidiano da escola. As preocupa\u00e7\u00f5es morais suscitaram, nas esferas administrativas e acad\u00eamicas, uma vis\u00e3o de escola funcional e ideal para o desenvolvimento da eugenia. M\u00e9dicos e dentistas escolares encontraram no universo escolar um local de atua\u00e7\u00e3o e especializa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A essa amplia\u00e7\u00e3o de profissionais e conte\u00fados na escola corresponderam outros movimentos da administra\u00e7\u00e3o escolar, na organiza\u00e7\u00e3o dos alunos e, mesmo, na legitima\u00e7\u00e3o institucional das novas especialidades. De fato, a Diretoria Geral de Instru\u00e7\u00e3o P\u00fablica criou um servi\u00e7o m\u00e9dico nas escolas que mobilizou enfermeiras escolares e pelot\u00f5es de sa\u00fade, com a fun\u00e7\u00e3o de expandir as prescri\u00e7\u00f5es sanit\u00e1rias \u00e0 comunidade, e inspetores sanit\u00e1rios, encarregados da fiscaliza\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es de higiene nas escolas. Possibilitou, ainda, a organiza\u00e7\u00e3o institucional da Sociedade m\u00e9dico-escolar, da cruz vermelha juvenil e da cl\u00ednica escolar como espa\u00e7os especializados de pensar e\/ou cuidar o corpo infantil.<\/p>\n<p>A composi\u00e7\u00e3o desse aparato higi\u00eanico envolveu o professorado da capital federal em cursos de higiene preventiva e higiene social e os alunos em campanhas sanit\u00e1rias como o foram a Cruzada nacional contra a tuberculose e o combate \u00e0 febre amarela.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por meio das indica\u00e7\u00f5es feitas por Renato Jardim, ex-diretor da Instru\u00e7\u00e3o P\u00fablica do Distrito Federal, Washington Lu\u00eds, presidente do Brasil, e seu secret\u00e1rio, Alarico Silveira, ao prefeito Ant\u00f4nio Prado J\u00fanior, Fernando de Azevedo recebeu o convite para se integrar ao governo da ent\u00e3o capital do pa\u00eds. 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