História
O ensino e a pesquisa em Farmacognosia na Universidade de São Paulo têm raízes que remontam ao período de transformação curricular da antiga disciplina de Matéria Médica para a moderna Farmacognosia, nas primeiras décadas do século XX. Esse movimento se consolidou com a chegada ao Brasil do professor austríaco Richard Wasicky, que marcou a transição para uma abordagem mais experimental e integrada, reunindo aspectos botânicos, químicos e farmacológicos no estudo das drogas vegetais.
Na USP, a consolidação do ensino da disciplina ocorreu com professores como Tharcillo Almeida Neubern de Toledo e Roberto Wasicky, este último formado na própria instituição e posteriormente presidente da Sociedade Brasileira de Farmacognosia (SBFgnosia). Em 1989, Roberto Wasicky destacou a importância histórica de Rodolpho Albino e Oswaldo de Almeida Costa, dois dos pioneiros da farmacognosia no Brasil, reforçando o papel da USP como herdeira direta dessa tradição científica.
Nas décadas de 1970 a 1990, o laboratório ganhou grande projeção com o grupo de Fernando de Oliveira e Gokithi Akisue, cujos trabalhos em Farmacobotânica se tornaram referência nacional. Esse grupo foi responsável por diversas publicações científicas e por livros didáticos fundamentais, como Fundamentos de Farmacobotânica e Farmacognosia (1989), que até hoje são adotados em cursos de Farmácia em todo o país.
Outro nome de destaque foi a professora Elfriede Marianne Bacchi (1953–2021), que dedicou sua vida à Farmacognosia na USP, com contribuições que uniram rigor científico e dedicação ao ensino. Sua memória foi homenageada pela Sociedade Brasileira de Farmacognosia como uma das principais referências da área .
Atualmente, o Laboratório de Farmacognosia da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP mantém-se como espaço de formação, pesquisa e inovação. Seu foco abrange desde estudos farmacobotânicos e químicos de produtos naturais até aplicações modernas em metabolômica, controle de qualidade de fitoterápicos e exploração da biodiversidade brasileira. A tradição iniciada por pioneiros como Wasicky, Oliveira, Akisue e Bacchi continua a inspirar novas gerações de farmacêuticos e pesquisadores.
Saiba mais em: A Farmacognosia no Brasil. Memórias da Sociedade Brasileira de Farmacognosia. Organização Leopoldo C. Baratto. — 1. ed. — Petrópolis, RJ : Ed. do Autor, 2021.