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#Circuito de aves – Revertendo Extinções: Translocação de Aves para Salvar Espécies e Ecossistemas – Caitlin Andrews

A bióloga Caitlin Andrews, cientista da The Nature Conservancy e da Zoological Society of London, apresentou — diretamente em inglês — o tema “Revertendo extinções: translocação de aves para salvar espécies e ecossistemas”. Andrews demonstrou como estratégias de translocação têm sido decisivas para recuperar populações ameaçadas e restaurar funções ecológicas perdidas.

Translocação de Conservação

Translocação é o movimento de seres vivos por meio do ser humano, podendo ser de origem ex situ ou in situ, acidental ou intencional, e tendo várias possíveis motivações. Translocação de conservação é o movimento intencional de um organismo com intuito de conservação da espécie ou do ecossistema. Reintrodução é o retorno de uma espécie extirpada para o seu alcance original, com o objetivo de restaurar a população e recuperar o ecossistema. Reforçar é o ato de introduzir indivíduos a uma população já existente para aumentar seu tamanho e variabilidade genética.

Colonização assistida é o ato de introduzir uma espécie fora de seu alcance nativo, com o objetivo de reduzir o risco de extinção quando o habitat original é impróprio e proteger contra ameaças futuras. Substituição ecológica é a introdução de uma espécie fora de seu alcance original para recuperar funções ecológicas perdidas. A translocação foi um fator-chave para 30% das espécies que saíram da classificação de ameaçadas e é parte dos planos de recuperação de 70% das espécies com planos de recuperação. Entretanto, os vários desafios associados às translocações, como verba, particularidades da espécie e habitat impróprio, causam uma taxa de sucesso de menos de 50%.

Reintrodução de Hihi na Nova Zelândia

O hihi é uma ave da família dos passeriformes que foi quase extinta nos anos 1800 devido à introdução de predadores e perda de habitat, e esse declínio populacional, juntamente com o de outras aves, resultou em um declínio na população de aves nativas. Os únicos indivíduos restantes estavam localizados em Hauturu o Toi, na Ilha Norte (NZ), e aves dessa população foram levadas para outros pontos da ilha, com a população em Tiritiri Matangi sendo a principal. Essas ações foram realizadas pelo Grupo de Recuperação do Hihi, com o objetivo de aumentar a população e o habitat das aves, reduzir seu custo de manejo e aumentar a percepção do público a respeito do tópico.

O processo de translocação dos hihi é feito com 40 animais (20 machos e 20 fêmeas), o suficiente para dar início a uma população sem afetar negativamente a população original, e apenas com aves em desenvolvimento, devido à sua maior adaptabilidade. Devido à ausência de alimento em certas partes do ano, é fornecido alimento complementar a essas aves. Os hábitos de nidificação dos hihi favorecem o uso de caixas de ninhos, permitindo que os pesquisadores identifiquem e anilhem os filhotes para facilitar seu acompanhamento e a análise genética. Na primeira semana, as aves são mantidas em aviários coletivos para acompanhamento sanitário.

Após o seu transporte e soltura, os animais são monitorados intensivamente por 2 meses e, depois, esse monitoramento é gradativamente reduzido; esse processo busca identificar quais indivíduos sobreviveram e tentar criar métodos de prever quais indivíduos têm maior chance de sobrevivência à translocação. O teste de reação na mão mede quais indivíduos são mais tolerantes ao manejo, com os indivíduos mais reativos consistentemente se dispersando mais longe do ponto de soltura. Foi observado que os grupos sociais pré-translocação não se mantiveram no novo habitat, mas a formação de grupos sociais aumentou as chances de sobrevivência do indivíduo. Também foi observado que os indivíduos com tendências mais generalistas na alimentação tinham desempenho melhor no habitat original, enquanto indivíduos mais especializados tinham desempenho melhor após a translocação.

O Papel do Hihi na Polinização

Também foram realizados estudos sobre a contribuição dos hihi para a polinização, cobrindo certas plantas com redes a fim de permitir somente a polinização por insetos e mantendo as outras livres para que fossem polinizadas por insetos e aves. Esse estudo foi realizado em áreas com e sem a presença de hihis para avaliar seu impacto no processo de polinização. Os resultados foram inesperados, com a introdução de aves sendo maior na região com hihi e as regiões sem hihi tendo taxas de polinização maiores do que as regiões com hihi, mas os hihi tiveram impacto maior na taxa de germinação dessas plantas.

Martim-pescador-de-Guam

O sihek (martim-pescador-de-Guam) é uma ave endêmica da ilha de Guam. São predadores territoriais e agressivos, e suas principais presas são lagartos, caranguejos e insetos. Eles nidificam em buracos em árvores que eles mesmos cavam. Sua população sofreu grandes perdas com a introdução da cobra-arbórea-marrom e foi extinta na natureza, com 130 indivíduos sendo mantidos ex situ para projetos de reprodução. Mesmo assim, a espécie ainda está em risco considerável de extinção, pois seu comportamento territorial resulta em altos custos para ser mantida em zoológicos e eles apresentam problemas reprodutivos e de saúde. Com intuito de solucionar esses problemas, foi optado por realizar uma colonização assistida no atol Palmyra devido à ausência de predadores, competição, abundância de alimento e pouco impacto negativo da introdução dos animais.

O projeto se iniciou com 9 aves que foram translocadas para Palmyra e colocadas em aviários por duas semanas para adaptação e observação das suas capacidades de voo e caça. Após a sua soltura, foi notado que as aves se dispersaram menos e foram mais sociáveis do que o previsto, conviviam bem em ambientes antrópicos e suas principais presas eram lagartixas. Foram realizadas capturas de monitoramento que indicaram que a maioria dos animais ganhou peso após a soltura e que eles não brigaram tanto quanto previsto inicialmente pelos zoológicos. Seis meses após a soltura, as aves foram vistas exibindo comportamento reprodutivo de construção de ninhos, indicando a possibilidade de nascimentos in situ em breve, quando esses animais atingirem a maturidade reprodutiva.

Revertendo Extinções

Encerrando sua participação, Caitlin Andrews reforçou que a translocação de aves não é apenas uma estratégia de conservação, mas uma ferramenta capaz de restaurar ecossistemas inteiros, devolvendo funções ecológicas perdidas e ampliando a resiliência de populações ameaçadas. A palestra deixou claro que, diante das crescentes pressões ambientais globais, iniciativas baseadas em evidências e conduzidas por equipes multidisciplinares serão fundamentais para reverter extinções e construir um futuro mais equilibrado para a avifauna mundial!

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