A segunda palestra do dia 2 do Circuito contou com Daniel Donadio, que mergulhou no universo das aves marinhas, suas demandas ecológicas e os complexos processos envolvidos em sua reabilitação. Com atuação de mais de uma década no Instituto Gremar, onde coordena o setor de Monitoramento de Praias, Donadio compartilhou experiências práticas do resgate, manejo e devolução de espécies ao ambiente natural — trabalho fundamental para compreender e mitigar os impactos humanos sobre os ecossistemas litorâneos. Além de pesquisador, o palestrante é educador ambiental e fundador do Clube de Observadores de Aves do Guarujá, unindo ciência, conservação e engajamento comunitário em prol da vida marinha.
Instituto GREMAR
O GREMAR é uma organização não governamental que atua desde 2002 no monitoramento ambiental, resgate e reabilitação de animais vitimados, atividades de educação ambiental, capacitação e atendimento a emergências ambientais com fauna. Possui a missão de reduzir o impacto humano negativo sobre a vida marinha e costeira, utilizando pesquisa, resgate e reabilitação de animais e mobilização da sociedade. Em média, 40% dos animais resgatados são reabilitados.
Identificação de Espécies
A identificação dos animais é dificultada pela alta biodiversidade, com 5 ordens sendo classificadas como marinhas (procellariiformes, sphenisciformes, pelecaniformes, suliformes e charadriiformes), com 346 espécies, e 97 delas sendo ameaçadas de extinção. Essas espécies de aves marinhas possuem adaptações que facilitam que passem a maior parte de suas vidas no mar, como maior quantidade de penas, membrana interdigital e glândula de sal.
Charadriiformes é o grupo das gaivotas, maçaricos e trinta-réis. Realizam migração no inverno, com cada espécie tendo uma rota migratória específica e, em temporadas não reprodutivas, vivem em grandes grupos. Pelecaniformes é o grupo dos pelicanos, garças e guarás; possuem porte de médio a grande e alta adaptabilidade ao ambiente urbano. Procellariiformes é o grupo dos albatrozes, pardelas, bobos e petréis; possuem porte geralmente grande, asas longas, bicos em formato de gancho e passam a maior parte do tempo em alto-mar. Sphenisciformes é o grupo dos pinguins, cuja única espécie recorrente no Brasil é o pinguim-de-Magalhães, mas há relatos raros de outras espécies. Suliformes é o grupo das fragatas, atobás e cormorões; são aves mergulhantes com grande envergadura de asa.
Encalhes
Algumas das principais causas de encalhe em aves marinhas incluem traumas, intoxicação, hipotermia, hipoglicemia e exaustão. Quando o animal é encontrado encalhado, existem 3 pilares da sua recuperação até a estabilidade: temperatura, hidratação e índice glicêmico. O animal molhado precisa de aquecimento; por isso, transportá-lo em uma caixa de transporte ou de papelão (boa para economizar espaço), em um local fresco e sem barulho, é essencial. A contenção do animal deve ser feita mantendo a segurança da pessoa e da ave; deve-se utilizar os equipamentos apropriados, não apertar o bico da ave, segurá-la pela cabeça (não pelo pescoço) e permitir que ela abra o bico quando quiser, pois muitas aves aquáticas não possuem narina.
Daniel concluiu afirmando que no processo de reabilitação, é preciso ter atenção ao comportamento de permeabilização das penas para garantir que as aves estejam realizando esse comportamento corretamente.