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#Circuito de Megavertebrados – dia 2: desafios da anestesia em grandes animais silvestres – André Nicolai

No segundo dia do Circuito de Megavertebrados, o GEAS promoveu mais uma palestra, abordando os desafios da anestesia de grandes mamiferos silvestres sob cuidados humanos. O convidado foi o medico-veterinario Andre Nicolai, profissional com ampla experiencia em zoológicos e medicina de animais nao convencionais.

Durante a apresentacao, o palestrante discutiu os principais desafios relacionados à anestesia de megavertebrados silvestres, como elefantes, girafas, rinocerontes e hipopotamos. Segundo ele, devido as particularidades e ao grande porte dessas especies, os procedimentos anestésicos exigem planejamento rigoroso, estrutura adequada e uma equipe experiente, já que aumentam significativamente os riscos anestésicos, especialmente aqueles relacionados à ventilação, ao posicionamento e à recuperacao pós-anestésica.

Andre explicou que, em determinados procedimentos, podem ser utilizados protocolos de sedação profunda em vez de anestesia geral completa, dependendo da estrutura disponível, do tipo de intervenção e dos riscos envolvidos. Entre os principais desafios citados estão o comprometimento ventilatorio causado pela compressao torácica e pelo peso corporal, especialmente em decúbito, além de dificuldades de monitoramento, hipertermia, hipoventilação e complicações decorrentes do decúbito prolongado.

A palestra tambem destacou a importancia do condicionamento dos animais em zoológicos. O treinamento para manejo voluntario permite avaliações clínicas, coletas de material e tratamentos menos invasivos, reduzindo riscos anestesicos e contribuindo para o bem-estar animal. O palestrante reforcou que muitas instituicoes ainda enfrentam dificuldades estruturais para oferecer suporte adequado a esses animais, o que pode dificultar intervenções clínicas rápidas e seguras.

Além dos aspectos tecnicos, Andre compartilhou experiencias marcantes ao longo da carreira, incluindo procedimentos realizados em hipopótamos e rinocerontes. Ele enfatizou o valor da experiência pratica na formacao do medico-veterinario de animais selvagens, destacando que protocolos anestesicos isoladamente nao substituem o conhecimento adquirido na rotina clínica.

Ao longo da palestra, tambem foram discutidas particularidades anatomicas e fisiológicas de cada especie. As girafas, por exemplo, foram apontadas como um dos maiores desafios anestésicos devido as particularidades cardiovasculares e ao posicionamento cervical durante a anestesia. Ja os rinocerontes exigem protocolos farmacologicos cuidadosamente ajustados devido à resposta específica a determinados agentes anestésicos, enquanto elefantes demandam cuidados relacionados a tromba e ao sistema respiratório.

Por fim, o palestrante ressaltou que a anestesia de megavertebrados vai muito além da escolha dos medicamentos, envolvendo preparo da equipe, infraestrutura adequada, monitoramento constante e profundo conhecimento das especies atendidas. A palestra trouxe uma visao realista e enriquecedora sobre a rotina da medicina veterinaria de animais selvagens, evidenciando tanto os desafios quanto a importância do cuidado especializado com esses gigantes da fauna.

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