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#Circuito de Megavertebrados – dia 3: Anatomia Clínica de Megavertebrados Africanos – Pedro Sangaleti

A programação do terceiro e último dia do Circuito de Megavertebrados contou com uma palestra ministrada pelo médico-veterinário Pedro Sangaletti, com foco na clínica, anatomia, reprodução, nutrição e manejo de grandes mamíferos selvagens sob cuidados humanos. O palestrante compartilhou experiências práticas e científicas envolvendo rinocerontes, hipopótamos, girafas e elefantes, abordando aspectos biológicos e desafios enfrentados por zoológicos e programas de conservação.

Durante a apresentação, foi destacada a importância de compreender a biologia, a fisiologia e o comportamento natural dessas espécies antes de qualquer intervenção clínica ou procedimento de manejo veterinário. Foram discutidas características anatômicas marcantes, adaptações fisiológicas e desafios relacionados à nutrição, reprodução assistida, medicina preventiva e bem-estar animal.

Entre os temas abordados estiveram os impactos da caça ilegal sobre populações de rinocerontes, especialmente devido ao comércio de seus chifres, além dos problemas nutricionais frequentemente observados em cativeiro. O palestrante ressaltou a necessidade de suplementações específicas para algumas espécies e a importância de dietas que reproduzam, na medida do possível, os hábitos alimentares encontrados em vida livre.

Também foram discutidas doenças infecciosas e parasitárias relevantes para megavertebrados, incluindo tuberculose, leptospirose, salmonelose, herpesvírus em elefantes e outras enfermidades que representam desafios para a medicina de animais silvestres. Foram apresentados aspectos relacionados ao diagnóstico, prevenção e manejo dessas doenças em instituições zoológicas.

No campo da reprodução, foram abordadas particularidades anatômicas e fisiológicas que dificultam o manejo reprodutivo dessas espécies, bem como o uso de biotecnologias reprodutivas para auxiliar programas de conservação. Além disso, foram discutidos aspectos comportamentais importantes, como o fenômeno do musth em elefantes, caracterizado pelo aumento da agressividade e por alterações hormonais nos machos, e a territorialidade observada em hipopótamos.

Outro tema de destaque foi o condicionamento operante utilizado em zoológicos modernos, que permite a realização de exames clínicos, coleta de amostras e tratamentos veterinários de forma menos estressante para os animais, contribuindo para o bem-estar e reduzindo a necessidade de contenções físicas ou químicas.

A palestra ainda trouxe relatos de experiências profissionais do palestrante em zoológicos e projetos internacionais de conservação, incluindo trabalhos realizados com hipopótamos na Colômbia e o manejo clínico de grandes mamíferos em diferentes contextos de cativeiro. Essas experiências permitiram ilustrar a aplicação prática dos conhecimentos científicos discutidos ao longo da apresentação.

Ao final, os participantes puderam esclarecer dúvidas relacionadas à obesidade em elefantes mantidos em cativeiro, memória e cognição dos elefantes, territorialidade de hipopótamos, manejo nutricional de rinocerontes e estratégias de conservação voltadas para espécies ameaçadas de extinção. A palestra proporcionou uma visão abrangente sobre a medicina e o manejo de megavertebrados, destacando a importância da integração entre conhecimento científico, bem-estar animal e conservação da biodiversidade.

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