A última palestra do Circuito de megavertebrados foi ministrada pelo paleontólogo Artur Chahud que apresentou um panorama sobre a Paleontologia do Quaternário, período geológico que compreende o Pleistoceno e o Holoceno, enfatizando a importância do estudo da fauna brasileira recente. O palestrante destacou que as pesquisas não se concentram apenas na megafauna extinta, mas também em pequenos vertebrados e espécies que ainda vivem atualmente.
Foram apresentados importantes sítios de pesquisa, como a Lapa do Santo, a Gruta Cuvieri e o Abismo Ponta de Flecha, locais que fornecem informações valiosas sobre a biodiversidade passada e sobre a relação entre seres humanos e animais ao longo do tempo. Também foram discutidos os métodos utilizados pelos paleontólogos, incluindo análises anatômicas, taxonômicas, tafonômicas e comparações osteológicas para identificar espécies e compreender os processos de fossilização.
Ao longo da palestra, Chahud apresentou exemplos de estudos realizados com diferentes grupos de vertebrados encontrados em sítios arqueológicos e paleontológicos brasileiros. Entre os peixes, foram identificadas espécies como jundiás e mandis, cujos restos ósseos encontrados na Lapa do Santo indicam atividades de pesca realizadas por populações humanas antigas. Nos anfíbios, foram discutidos os desafios relacionados à preservação dos fósseis, que levaram ao desenvolvimento de protocolos tafonômicos específicos para interpretar corretamente os materiais encontrados. Também foram apresentados estudos com quelônios, nos quais evidências de queima, cortes e utilização de carapaças sugerem o aproveitamento desses animais por grupos humanos. Nas aves, destacou-se a raridade de fósseis bem preservados, como exemplares encontrados no Abismo Ponta de Flecha, que apresentaram excelente estado de conservação. Já entre os mamíferos, foram discutidas pesquisas com grandes roedores, como pacas, cutias e capivaras, incluindo a identificação de espécies extintas e revisões taxonômicas que corrigiram interpretações anteriores. Por fim, os carnívoros e canídeos também receberam destaque, permitindo análises sobre diversidade, morfologia e até mesmo alterações patológicas observadas nos fósseis. Esses exemplos demonstram como o estudo dos vestígios ósseos possibilita reconstruir aspectos da ecologia, evolução e comportamento da fauna brasileira ao longo do Quaternário.
De forma geral, a palestra demonstrou como a integração entre paleontologia, arqueologia e biologia permite reconstruir ambientes do passado e compreender as mudanças na fauna brasileira ao longo dos últimos milhares de anos, contribuindo para o conhecimento da história natural do país.