Aqui você encontra alguns artigos produzidos pelos membros do Grupo de Estudos de Demografia Médica (GEDM). Clique para ler o resumo e o ter acesso ao link do texto completo. Esperamos que nossos estudos te instiguem a conhecer e se aprofundar nesse importante assunto: a Demografia Médica!

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Índice

  1. 1. A feminização da medicina no Brasil
  2. 2. A privatização da educação médica no Brasil: tendências e desafios
  3. 3. Motivos de escolha da profissão e perfil de médicos recém graduados no Brasil
  4. 4. Especialistas brasileiros em doenças infecciosas: quem são e onde estão?
  5. 5. Líderes da área de saúde desenvolvem estratégias para melhorar o acesso à assistência cirúrgica na América Latina
  6. 6. Avaliação do sistema cirúrgico brasileiro por meio da análise de seis indicadores cirúrgicos: um estudo descritivo e de modelagem
  7. 7. Cuidados cirúrgicos na agenda de saúde pública
  8. 8. A força de trabalho cirúrgica no Brasil
  9. 9. Avaliando o cuidado com queimaduras no Brasil: um estudo epidemiológico, transversal e nacional
  10. 10. Migração interna de médicos que se formaram no Brasil entre 1980 e 2014
  11. 11. Perfil sociodemográfico e distribuição dos médicos nos serviços de saúde públicos e privados: uma visão sobre a dupla prática dos médicos no Brasil
  12. 12. Quem são e onde estão os graduados da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo?
  13. 13. Perfil de recém-formados em medicina que planejam praticar cirurgia, anestesia e obstetrícia no Brasil
  14. 14. O que explica as diferenças salariais entre médicos brasileiros do sexo masculino e feminino? Um estudo transversal de âmbito nacional
  15. 15. O papel da educação privada na seleção de carreiras de atenção primária em países de baixa e média renda. Resultados de uma pesquisa representativa com médicos residentes do Brasil
  16. 16. Quantos e quais médicos? Um estudo comparativo da evolução da oferta de médicos e de treinamento especializado no Brasil e na Espanha

A feminização da medicina no Brasil

Scheffer MC e Cassenote AJF. 2013. A feminização da medicina no Brasil. Revista Bioética, 21: 268-277.

Resumo: Objetivando traçar a evolução histórica da distribuição de médicos no Brasil segundo sexo, foi realizado um estudo epidemiológico do tipo ecológico por meio do cruzamento de bancos de dados secundários (linkage). Para a caracterização geral dos médicos foram consideradas as bases de dados dos 27 Conselhos Regionais de Medicina, complementadas pelas bases de dados da Comissão Nacional de Residência Médica e da Associação Médica Brasileira. Os resultados mostram que, desde 2009, entre os novos médicos registrados há mais mulheres do que homens. Na população de médicos em atividade os homens ainda predominam (60,1%), mas no grupo com 29 anos ou menos, as mulheres já são a maioria. A tendência consistente de maior participação das mulheres na profissão médica no Brasil, observada ao longo das últimas décadas e acentuada nos últimos anos, indica a necessidade de reavaliar e readequar as propostas para implementação de políticas públicas na área.

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A privatização da educação médica no Brasil: tendências e desafios

Scheffer MC e Dal Poz MR. 2015. The privatization of medical education in Brazil: trends and challenges. Human Resources for Health, 13: 96. 

Resumo: Este artigo analisa as tendências e os desafios da privatização da educação médica no Brasil. Foi realizado um estudo transversal e descritivo com base em dados secundários de bancos de dados oficiais do governo sobre faculdades de medicina, cursos e instituições que oferecem esses cursos no país. Levou em consideração o ano em que as faculdades de medicina receberam autorização para iniciar as atividades, onde elas estão localizadas, se são administradas por uma entidade pública ou privada, quantas vagas oferecem, quantos estudantes se  matricularam e seu desempenho de acordo com as avaliações do Ministério da Educação. Em 2014, o Brasil possuía 241 escolas médicas, oferecendo um total de 20.340 vagas. As instituições privadas de ensino superior eram  responsáveis pela maioria das matrículas dos estudantes de medicina em nível nacional (54%), especialmente no sudeste. No entanto, as matrículas em instituições públicas predominavam mais nas capitais do que em outras cidades. No geral, as escolas públicas de medicina tiveram melhor desempenho do que as escolas particulares nos últimos dois Exames Nacionais de Estudantes (ENADE). A privatização da graduação em medicina no Brasil representa um grande desafio: como expandir o número de vagas, garantindo qualidade e acesso democrático a essa forma de educação. Ao buscar entender a configuração e as tendências da educação médica no Brasil, espera-se que essa análise possa contribuir para uma agenda de pesquisa mais ampla no futuro.

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Motivos de escolha da profissão e perfil de médicos recém graduados no Brasil

Scheffer MC et al. 2016. Reasons for choosing the profession and profile of newly qualified physicians in Brazil. Revista da Associação Médica Brasileira, 62: 853-861.

Resumo: O objetivo deste trabalho foi traçar o perfil sócio-demográfico de recém graduados em medicina no Brasil, a forma de ingresso na graduação e os motivos de escolha da profissão médica. Para tanto, foi aplicado um questionário estruturado em 4.601 participantes, dentre os 16.323 médicos formados entre 2014 e 2015 que se registraram em um dos 27 Conselhos Regionais de Medicina (CRM) considerados a população-alvo do estudo. A idade média dos recém graduados foi de 27 anos, 77,2% eram brancos, 57% vinham de famílias com renda mensal acima de dez salários mínimos, 65% tinham pais com educação superior, 79,1% cursaram ensino médio em escola particular e 63,5% apontaram a “vontade de fazer diferença na vida das pessoas ou fazer o bem” como principal razão para a escolha da medicina, com diferenças entre sexo e natureza pública ou privada da escola de graduação. Observou-se que as políticas de inclusão educacional e de abertura de escolas médicas no Brasil ainda não tiveram impacto no perfil dos recém formados em medicina, em sua maioria indivíduos brancos e de maior nível socioeconômico.

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Especialistas brasileiros em doenças infecciosas: quem são e onde estão?

Cassenote AJF et al. 2016. Brazilian infectious diseases specialists: who and where are they? The Brazilian Journal of Infectious Diseases, 15: 221-224.

Resumo: O objetivo deste artigo foi avaliar o perfil e a distribuição de especialistas em doenças infecciosas no Brasil. Trata-se de um estudo transversal com dados secundários obtidos de instituições que registram médicos especialistas no Brasil. As variáveis de interesse incluíram sexo, idade, tipo de escola de medicina (pública ou privada) na qual o especialista se formou, o tempo desde o término do treinamento de residência em doenças infecciosas e o intervalo entre a graduação e o término do M.D. Mapas foram utilizados para estudar a distribuição geográfica dos especialistas em doenças infecciosas. Foram contabilizados 3.229 registros de especialistas em doenças infecciosas, com 94,3% (3.045) das contagens individuais representadas por registros primários. A idade média foi de 43,3 anos (DP 10,5), e foi observada uma proporção maior de mulheres na especialidade (57%; IC95% 55,3-58,8). A maioria dos especialistas brasileiros em doenças infecciosas (58,5%) atua na região sudeste. No entanto, quando as taxas de distribuição foram calculadas, vários estados apresentaram alta concentração de especialistas em doenças infecciosas, quando comparados à taxa nacional (16,06%). Curiosamente, entre os especialistas que trabalham na região Nordeste, os localmente treinados concluíram seus programas de residência mais recentemente (8,7 anos; IC95% 7,9-9,5) do que os médicos treinados em outras partes do país (13,6 anos: IC95% 11,8-15,5). O estudo mostrou que os especialistas brasileiros em doenças infecciosas são predominantemente jovens e do sexo feminino. A maioria concluiu um programa de residência médica. A maioria absoluta pratica na região sudeste, entretanto, alguns estados das regiões Norte, Nordeste e Sudeste apresentam taxas de especialistas acima da média nacional. Nessas áreas existe uma forte concentração de especialistas em doenças infecciosas nas capitais e nas regiões metropolitanas.

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Líderes da área de saúde desenvolvem estratégias para melhorar o acesso à assistência cirúrgica na América Latina

Saluja S et al. 2017. Health care leaders develop strategies for improving access to surgical care in Latin America. Bulletin of the American College of Surgeons, 102: 21-27.

Resumo: Este artigo traz uma síntese dos desafios e recomendações para o aumento do acesso à Cirurgia na América Latina após um encontro entre em saúde realizado na cidade de São Paulo, Brasil, em dezembro de 2016. A partir de discussões e apresentações, 55 participantes provenientes de oito países da América Latina identificaram prioridades na prestação de cuidados cirúrgicos seguros, na realização de pesquisas e no direcionamento de políticas para a região. As principais prioridades elencadas se relacionavam à necessidade de aumento do financiamento público, em queda nos últimos anos, e de melhora na distribuição de profissionais, especialmente de cirurgiões, anestesistas e obstetras. Ao fim do encontro, uma série   recomendações, especialmente em relação à necessidade de mais pesquisas, foram sugeridas para que o cenário da Cirurgia na região melhorasse ao longo do tempo.

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Avaliação do sistema cirúrgico brasileiro por meio da análise de seis indicadores cirúrgicos: um estudo descritivo e de modelagem

Massenburg BB et al. 2017. Assessing the Brazilian surgical system with six surgical indicators: a descriptive and modelling study. BMJ Global Health, 2: e000226.

Resumo: Este estudo teve como objetivo caracterizar o sistema de saúde cirúrgico brasileiro por meio de seis indicadores recém-criados pela Lancet Commission on Global Surgery (distância de duas horas de um centro cirúrgico, densidade da força de trabalho cirúrgica, volume cirúrgico, taxa de mortalidade perioperatória (POMR) e proteção contra despesas empobrecedoras), ao mesmo tempo em que incrementa o conhecimento sobre a complexidade desses próprios indicadores. Usando o banco de dados nacional de saúde do Brasil, variáveis de saúde comumente relatadas foram usadas para calcular ou simular os seis indicadores cirúrgicos. A existencia de um centro cirúrgico a duas horas de distância foi estimada a partir da localização de hospitais; a densidade da força de trabalho cirúrgica foi estimada a partir da localização de cirurgiões, anestesiologistas e obstetras (CAO); e o volume cirúrgico e o POMR foram identificados por meio de códigos de procedimento cirúrgico. As taxas de proteção contra despesas empobrecedoras e catastróficas foram modeladas por meio do custo das internações cirúrgicas e uma distribuição γ da renda com base em Gini e no produto interno bruto / capita. Assim, em 2014, a densidade de CAO era de 34,7 / 100.000 habitantes, o volume cirúrgico era de 4433 procedimentos / 100.000 pessoas e o POMR, de 1,71%. Um total de 79,4% dos pacientes cirúrgicos foram protegidos contra despesas empobrecedoras e 84,6% foram protegidos contra gastos catastróficos devido à cirurgias, a cada ano. O acesso de duas horas a um centro cirúrgico não pôde ser calculado a partir dos dados nacionais de saúde, mas uma medida de proxy sugeriu que 97,2% da população tem acesso a um hospital capaz de realizar uma cirurgia em duas horas de trajeto. Observou-se que o sistema cirúrgico público do Brasil atende a vários parâmetros de referência, entretanto, disparidades geográficas também foram observadas para todos os indicadores. Essas disparidades foram substanciais e suscitam preocupações de equidade. Políticas devem se concentrar no estímulo da alocação geográfica apropriada da força de trabalho cirúrgica e na melhor distribuição do volume cirúrgico. Em alguns casos, onde os parâmetros de referência para cada indicador são atendidos, análises suplementares podem aumentar ainda mais a nossa compreensão sobre os sistemas de saúde. Essa avaliação mensurada e sistemática deve ser incentivada para todas as nações que procuram entender melhor seus sistemas cirúrgicos.

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Cuidados cirúrgicos na agenda de saúde pública

Scheffer MC et al. 2017. Surgical care in the public health agenda. Cadernos de Saúde Publica, 33:  e00104717.

Resumo: O presente artigo aborda os cuidados cirúrgicos como um problema de saúde pública e um desafio para a organização dos sistemas de saúde. Se cirurgias não ocorrerem em tempo adequado, situações clínicas tratáveis podem evoluir para incapacidades e mortes. A Lancet Commission on Global Surgery definiu indicadores para o monitoramento do acesso universal sustentável à assistência cirúrgica. Aplicados ao Brasil, os indicadores globais são satisfatórios, porém a oferta de cirurgias no País é marcada por desigualdades entre regiões, entre estratos socioeconômicos e entre os setores público e privado da saúde.

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A força de trabalho cirúrgica no Brasil

Scheffer MC et al. 2017.The state of the surgical workforce in Brazil. Surgery, 161: 556-561.

Resumo: Este estudo teve como objetivo mapear e caracterizar a distribuição da força de trabalho cirúrgica (FTC) no Brasil, a fim de estimular a discussão sobre futuras reformas da política cirúrgica. A distribuição da FTC foi extraída do Registro do Conselho Federal de Medicina do Brasil em julho de 2014 e incluia cirurgiões, anestesiologistas e obstetras. Assim, nessa data, existiam 95.169 cirurgiões, anestesiologistas e obstetras na FTC do Brasil, criando uma densidade de FTC de 46,55 / 100.000 habitantes. A densidade variou de 20,21 / 100.000 habitantes na região norte do país até 60,32 / 100.000 habitantes na região sul. Um total de 75,2% da FTC estava localizado nas 100 maiores cidades do Brasil, onde apenas 40,4% da população vive. A idade média de um médico da FTC é de 46,6 anos. As mulheres compõem 30,0% da FTC; 15,8% dos cirurgiões, 36,6% dos anestesiologistas e 53,8% dos obstetras e ginecologistas. O Brasil possui uma FTC substancial, mas as desigualdades em sua distribuição são preocupantes. Há uma necessidade urgente de aumento de cirurgiões, anestesiologistas e obstetras em estados como Pará, Amapá e Maranhão. A FTC é carente particularmente de cirurgiões e anestesiologistas, e são necessários incentivos para recrutar novos médicos para essas especialidades. Políticas governamentais e liderança de organizações de saúde são necessárias para garantir que a FTC seja distribuída de maneira mais uniforme no futuro.

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Avaliando o cuidado com queimaduras no Brasil: um estudo epidemiológico, transversal e nacional

Citron I et al. 2018. Assessing burn care in Brazil: An epidemiologic, cross-sectional, nationwide study. Surgery, 163: 1165-1172.

Resumo: O objetivo deste estudo foi descrever a epidemiologia nacional das queimaduras no Brasil e avaliar o acesso regional aos cuidados, definindo a contribuição da mortalidade extra-hospitalar para o total de mortes por queimaduras. Analisamos os dados de admissão de pacientes atendidos gratuitamente em postos de atendimento do setor público e do registro nacional de óbito do Brasil, extraídos do DATASUS para 2008-2014. As internações, a mortalidade hospitalar, o reembolso hospitalar e o total de óbitos do registro de óbitos foram avaliados quanto aos registros codificados nos códigos da CID-10 correspondentes à queimaduras, escaldo, contatos e queimaduras elétricas. Um total de 17.264 mortes por queimaduras ocorreu entre 2008 e 2014 (média anual de 2.466 [DP 202]). Do total de óbitos por queimaduras, 79,1% ocorreram fora do hospital, com acentuadas diferenças regionais na proporção de óbitos fora do hospital (P <0,001), sendo o maior na região Norte. O número médio anual de internações por mais de 24 horas foi de 18.551 (DP 1.504), com a maior prevalência geral de queimaduras por chamas (43,98%) e escaldos prevalecendo em < 5 anos (57,8%). Diferenças regionais foram encontradas nas internações per capita (P <0,001) com o maior número na região Centro-Oeste. Uma média de US $ 1.022 (SD $ 94) foi gasto em reembolsos por admissão de queimado.Dado que aproximadamente 80% das mortes por queimaduras ocorreram fora do hospital, a sua prevenção, bem como intervenções que melhorem o pré-hospitalar e o acesso aos cuidados, têm potencial para causar impacto significativo.

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Migração interna de médicos que se formaram no Brasil entre 1980 e 2014

Scheffer MC et al. 2018. Internal migration of physicians who graduated in Brazil between 1980 and 2014. Human Resources for Health, 16: 21.

Resumo: Este artigo examina a migração de médicos no Brasil com base na localização das escolas médicas nas quais eles se formaram. O projeto foi transversal e se baseou em dados secundários de 275.801 médicos registrados nos Conselhos Regionais de Medicina (CRMs) que se graduaram entre 1980 e 2014. O resultado avaliado foi a migração, definida como o afastamento do estado em que concluíram o programa de medicina para outro estado em que atualmente trabalham ou vivem. Ao todo, 57,3% dos médicos analisados migraram. A probabilidade de migração foi maior em municípios pequenos e menor nas capitais. Um total de 93,4% dos médicos que estudaram em escolas localizadas em cidades com menos de 100.000 habitantes migraram. Menos mulheres (54,2%) migraram do que homens (60,0%). Mais da metade dos médicos que se formaram entre 1980 e 2014 estão em unidades federativas diferentes da unidade em que se formaram. Fatores individuais, como idade, sexo, tempo de graduação e especialidade, variam entre os médicos que migraram ou não. Observou-se que a probabilidade de migração foi maior nos pequenos municípios da região Sudeste e nos estados do Tocantins, Acre e Santa Catarina. Novos estudos são recomendados para aprofundar a compreensão dos fatores relacionados à migração interna e à não migração de médicos a fim de melhorar as políticas de recursos humanos para a saúde.

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Perfil sociodemográfico e distribuição dos médicos nos serviços de saúde públicos e privados: uma visão sobre a dupla prática dos médicos no Brasil

Miotto BA et al. 2018. Physician's sociodemographic profile and distribution across public and private health care: an insight into physicians' dual practice in Brazil. BMC Health Services Research, 18: 299.

Resumo: Este estudo teve como objetivo explorar o perfil sociodemográfico dos médicos brasileiros para esclarecer a ligação entre características pessoais e distribuição entre os serviços públicos e privados. O estudo, transversal e de abrangência nacional, baseou-se em dados primários coletados no ano de 2014. Com base nos registros do banco de dados do Conselho Nacional de Medicina, foi estimada uma amostra representativa de 2.400 médicos; entrevistas por telefone foram realizadas então, para explorar as características sociodemográficas dos médicos e seu envolvimento com os serviços público e privado. Dos 2.400 médicos incluídos na pesquisa, 51,45% trabalhavam nos serviços público e privado, enquanto 26,95% e 21,58% trabalhavam exclusivamente nos setores público ou privado, respectivamente. Verificou-se que os médicos do setor público eram mais jovens (RP 0,84 [0,68–0,89]; RP 0,47 [0,38–0,56]), menos experientes (RP 0,78 [0,73–0,94]; RP 0,44 [0,36–0,53]) e predominantemente do sexo feminino (RP 0,79 [0,71-0,88]; PR 0,68 [0,6-0,78]) quando comparados aos médicos que mantinham a dupla prática ou atuavam somente no privado; sua renda era substancialmente mais baixa do que a daqueles que trabalhavam exclusivamente no setor privado (RP 0,58 [0,48-0,69]) ou em dupla prática (RP 0,31 [0,25-0,37]). Por outro lado, médicos do setor privado eram tipicamente seniores (RP 1,96 [1,58–2,43]), especializados (RP 1,29 [1,17–1,42]) e do sexo masculino (RP 1,35 [1,21–1,51]), geralmente trabalhando menos de 20 horas por semana (RP 2,04 [1,4–2,96]). Os praticantes da dupla prática eram em sua maioria de meia-idade (RP 1.3 [1.16–1.45]), especialistas do sexo masculino com 10 a 30 anos de prática médica (RP 1.23 [1.11–1.37]). O estudo mostrou que mais da metade dos médicos brasileiros atualmente se dedica à dupla prática, enquanto apenas um quinto se dedica exclusivamente ao serviço público, destacando também diferenças substanciais nas características sociodemográficas e relacionadas ao trabalho entre profissionais do público, do privado e de ambos. Esses resultados são consistentes com a literatura internacional, sugerindo que as características sociodemográficas dos médicos podem ajudar a prever formas de dupla prática e a sua prevalência em um país.

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Quem são e onde estão os graduados da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo?

Gameiro GR et al. 2019. Who and Where are the University of São Paulo Medical School Graduates? Clinics, 74: e1147.

Resumo: O objetivo deste estudo foi analisar o perfil e a distribuição de egressos da FMUSP no contexto do sistema de saúde brasileiro.Tratou-se de um estudo transversal retrospectivo baseado em registros de organizações reguladoras médicas e incluiu registros de 7.419 médicos formados na FMUSP. Os dados geográficos foram analisados por meio de mapas Kernel e a análise estatística foi realizada com o SPSS® versão 24.0. Um valor de p menor que 0,05 foi considerado significativo. Dos 7.419 médicos avaliados, 68,6% (IC95% 67,5-69,7) eram do sexo masculino e 20,7% (IC95% 19,8% -21,7%) não possuíam especialidade médica, enquanto a proporção de não-especialistas em todo o país foi de 46,4%. As especialidades de medicina interna e cirúrgia foram as mais populares entre os egressos, representando 39,4% (IC95% 38,3% -40,5%) e 16,8% (IC95% 15,5% -17,6%) respectivamente, em contraste às médias brasileiras de 25,9 % e 13,5%. Graduados da FMUSP também tiveram maior probabilidade de permanecer na cidade de São Paulo após a graduação, principalmente quando eram nascidos fora da cidade. A FMUSP é um modelo interessante para estudar o impacto de um centro altamente especializado na educação e nas escolhas de carreira de estudantes de medicina.

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Perfil de recém-formados em medicina que planejam praticar cirurgia, anestesia e obstetrícia no Brasil

Guilloux AGA et al. 2019. Profiling recent medical graduates planning to pursue surgery, anesthesia and obstetrics in Brazil. BMC Medical Education, 19(1): 136.

Resumo: Neste trabalho, nosso objetivo foi identificar os preditores de ingresso de recém formados nos campos de Cirurgia, Anestesia, e Obstetrícia e Ginecologia (CAO), bem como a preferência por trabalhar no setor público do Brasil, o que pode auxiliar a definição de perfis de estudantes de medicina que possam ser recrutados por essas áreas deficitárias. Para tanto, um questionário foi aplicado a todos os graduados em medicina do país registrados em um Conselho de Medicina entre os anos de 2014 e 2015. Vinte e três características foram avaliadas e uma regressão logística foi usada para determinar a influência dos preditores no resultado. Um total de 4.601 (28,2%) recém formados responderam à pesquisa, dos quais 40,5% (IC 34,7-46,5%) planejavam ingressar nos campos de CAO. Das 23 características analisadas, oito diferiram significativamente entre aqueles que planejavam trabalhar em CAO e aqueles que não planejavam. Destas oito características, apenas três foram preditores significativos no modelo de regressão: a preferência pelo trabalho em ambiente hospitalar, ter passado mais de 70% dos anos de residência em atividades práticas e valorização substancial do potencial de remuneração. Esses três fatores explicaram apenas 6,3% da variação na preferência por CAO. Entre os graduados que preferiram as carreiras de CAO, apenas dois preditores indicaram a preferência pelo trabalho no setor público (tempo de estudo preparatório para o ingresso na faculdade de medicina e avaliação de prestígio / status). Desse modo, observou-se que os fatores que influenciam a escolha da especialidade e do setor de atuação são multifacetados e difíceis de predizer. Políticas futuras que visem preencher vagas deficitárias em CAO, bem como no setor público, devem identificar outros fatores que não o perfil dos estudantes de medicina para garantir a sua efetividade.

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O que explica as diferenças salariais entre médicos brasileiros do sexo masculino e feminino? Um estudo transversal de âmbito nacional

Mainardi GM et al. 2019. What explains wage differences between male and female Brazilian physicians? A cross-sectional nationwide study. BMJ Open, 9: e023811.

Resumo: O objetivo deste estudo foi descrever a diferença salarial entre os gêneros masculino e feminino e analisar os fatores a ela associados dentre os médicos do Brasil. O estudo, transversal  e de alcance nacional, foi realizado no ano de 2014 a partir de dados de 2.400 médicos coletados por telefone. As características sociodemográficas e de trabalho foram consideradas como fatores, e os salários mensais (apenas os ganhos mensais com base na profissão médica) foram considerados como desfecho primário. Um modelo hierárquico de regressão múltipla foi utilizado para avaliar os fatores relacionados às diferenças salariais entre médicos do sexo masculino e feminino. O ajuste dos diferentes modelos foi verificado por indicadores de desvio residual e pelo critério de informação de Akaike. A análise de variância foi utilizada posteriormente para verificar a hipótese de igualdade entre os diferentes modelos. A probabilidade de os homens receberem a maior faixa salarial mensal é maior do que a das mulheres para todos os fatores. Quase 80% das mulheres estão concentradas nas três faixas salariais mais baixas, enquanto 51% dos homens se encontram nas três categorias mais altas. Dentre os médicos que trabalham de 20 a 40 horas por semana, apenas 2,7% das mulheres relataram receber mais de US $ 10.762 por mês, em comparação com 13% dos homens. Após o ajuste das características de trabalho no modelo de regressão múltipla hierárquica, as estimativas da variável sexo (ß) permaneceram significativas, sem modificações. O efeito final desse modelo completo sugere que a probabilidade de os homens receberem um salário maior (≥ US $ 10.762) é de 17,1% e, para as mulheres, de 4,1%. A desigualdade entre os sexos persistiu mesmo após o ajuste para fatores de trabalho, como carga horária semanal, número de plantões semanais, trabalho no consultório médico, tempo de prática e especialização, indicando que no Brasil existe uma diferença salarial significativa entre os sexos.

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O papel da educação privada na seleção de carreiras de atenção primária em países de baixa e média renda. Resultados de uma pesquisa representativa com médicos residentes do Brasil

Russo G et al. 2020. The role of private education in the selection of primary care careers in low and middle-income countries. Findings from a representative survey of medical residents in Brazil. Human Resources for Health, 18: 11.

Resumo: Neste trabalho, avaliamos as intenções de atuação de médicos residentes do Brasil a fim de entender se elas diferem entre escolas públicas e privadas. A partir da literatura sobre a seleção de especialidades médicas, construímos um modelo para os determinantes das intenções dos estudantes de medicina em praticar na APS e usamos dados secundários de uma amostra nacionalmente representativa de 4.601 médicos residentes no Brasil para alimentá-lo. Análises multivariadas foi empregada para explorar a associação entre a intenção de prática dos médicos e os tipos de escolas frequentadas, características socioeconômicas e seus valores e opiniões sobre a profissão. Apenas 3,7% dos residentes da amostra declararam intenção de atuar na APS, sem associação significativa com a natureza pública ou privada das faculdades de medicina avaliadas. Ao invés disso, ter frequentado uma escola secundária pública (p = 0,028), ter se capacitado fora d a região sudeste do Brasil (p <0,001), não ser de uma família abastada (p = 0,037) e não valorizar grandemente as oportunidades de desenvolvimento da carreira (p <0,001) foram preditores de intenção de atuar na APS. Uma baixa preocupação com a qualidade de vida, pelas oportunidades de tratamento dos pacientes e pelos aspectos liberais da profissão também foram associados às intenções de futuros médicos de trabalhar na APS (todos p <0,001). Assim, no Brasil, a graduação em escolas públicas ou privadas de medicina parece não influenciar a intenção de atuar na APS. Contudo, verificou-se que estudantes de origens mais abastadas, com ensino médio privado e graduação no sudeste do país, a região mais rica do Brasil, estavam super-representados em ambos os tipos de instituições, o que parece ter um impacto negativo na seleção de carreiras na APS. Com o objetivo de aumentar a oferta de profissionais na APS em países de média renda, as políticas devem se concentrar na abertura de escolas médicas nas áreas rurais e na melhoria do acesso dos estudantes de menor renda ao ensino médico.

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Quantos e quais médicos? Um estudo comparativo da evolução da oferta de médicos e de treinamento especializado no Brasil e na Espanha

Scheffer M et al. 2020. How many and which physicians? A comparative study of the evolution of the supply of physicians and specialist training in Brazil and Spain. Human Resources for Health,18(1): 30.

Resumo: Este estudo fornece uma abordagem descritiva feita a partir de dados longitudinais obtidos em bancos de dados oficiais do Brasil e na Espanha de 1998 a 2017. Entre os indicadores comparáveis, foram utilizados o número absoluto de médicos, o tamanho da população e a proporção de médicos por habitantes. O número de escolas médicas e de graduação em instituições públicas e privadas, o fornecimento de postos de treinamento em residências e o número de médicos especialistas e médicos residentes por 100.000 habitantes também foram utilizados na comparação entre os dois países. Dezessete especialidades médicas com o maior número de especialistas e comparabilidade entre os dois países foram selecionadas para comparação posterior. Devido à abertura das escolas de medicina, a densidade de médicos por 1.000 habitantes cresceu 28% na Espanha e 51% no Brasil entre 1998 e 2017. Nesse período, a Espanha e o Brasil aumentaram a oferta de vagas anuais de graduação em 60% e 137%, respectivamente. Há uma predominância de instituições privadas que oferecem vagas de graduação disponíveis, e o fornecimento de postos de residência médica é menor do que o contingente de graduados em medicina / clínico geral a cada ano.
Ambos os países têm densidades semelhantes de médicos especialistas em cardiologia, dermatologia e neurocirurgia. No entanto, a medicina da família e comunidade na Espanha têm 91,27 especialistas por 100.000 habitantes, enquanto no Brasil a densidade é de apenas 2,64. O estudo comparativo indicou a complexidade das decisões desses países em aumentar o suprimento de clínicos gerais e especialistas. As políticas de pesquisa e planejamento da força de trabalho médica devem estar alinhadas às reais necessidades de saúde das populações e sistemas de saúde.

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