Participação de população vulnerável é limitada em plano climático de Recife

Considerada por especialistas como uma das cidades mais vulneráveis às mudanças climáticas em todo o mundo, Recife foi a primeira do Brasil a reconhecer, em 2019, por meio de decreto, o estado de emergência climática. Foi nessa data, em evento público, que o prefeito em exercício, Geraldo Julio (PSB), anunciou o Plano Local de Adaptação Climática, iniciativa pioneira por estruturar a política climática local sob a perspectiva da justiça climática.

Esse foi o objeto de pesquisa de doutoramento de Marcos Tavares de Arruda Filho no Programa de Ciência Ambiental (PROCAM) da USP, sob orientação do prof. Dr. Pedro Roberto Jacobi e coorientação do prof. Dr. Pedro Henrique Campello Torres. Arruda Filho concluiu que o plano, apesar de inovador, limitou a participação popular, o que compromete o potencial de engajamento comunitário, aspecto fundamental para que a justiça climática seja uma prática e não apenas um discurso.

A tese problematiza o tema da justiça climática sob a perspectiva do Sul Global, abordagem que, segundo o autor, ainda é pouco explorada na literatura vigente. O estudo aponta inconsistências de uma política pública que não consegue efetivar os princípios da justiça climática diretamente no território, marcado por uma vulnerabilidade cada vez maior diante de eventos climáticos como chuvas fortes, avanço do nível do mar e ondas de calor.

Com vistas a influenciar gestores e tomadores de decisão no âmbito público, Arruda Filho apresenta recomendações diretas sobre como os caminhos futuros poderiam corrigir as disparidades sociais históricas, refletidas na problemática do clima, existentes em Recife.

O resumo da pesquisa, incluindo link para a tese original, foi publicado na seção dedicada a pesquisadores do GovAmb, no site Nexo Jornal. Para acessar, clique aqui.