Os protestos organizados pelo Movimento de Mulheres Indígenas do Médio Xingu contra o projeto de mineração de ouro da Belo Sun na região da Volta Grande do Xingu (PA) conquistaram visibilidade na mídia tradicional e nas redes sociais. No município de Altamira (PA), a Funai (Fundação Nacional dos Povos Indígenas) se tornou um verdadeiro território de resistência, onde cerca de 500 indígenas permaneceram 37 dias acampadas. Para os pesquisadores Bruno Xavier de Souza, mestre em energias renováveis pela Universidade de Oldenburgo, e Maria Carolina Maziviero, prof. Dra. em arquitetura e urbanismo na UFPR, o episódio é apenas o capítulo mais recente de uma uma crônica de silenciamento político e ambiental contínuo na Amazônia.
De acordo com os autores, em artigo assinado no Nexo Jornal, “a tentativa de implementação do projeto por Belo Sun sem a devida consulta aos povos afetados é mais uma evidência da persistente lógica histórica de violação de direitos na Amazônia”, remetendo às estratégias utilizadas pelo governo militar para implantar grandes obras sem o consentimento dos povos indígenas que habitam a região há séculos, desde antes do período colonial.
Alerta-se também para o fato de que o licenciamento ambiental, ao invés de salvaguarda, muitas vezes se converte em ferramenta burocrática para a legitimação de projetos predatórios.
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