Herança da cultura indígena, ayahuasca desperta interesse de cientistas

Herança da cultura indígena, ayahuasca desperta interesse de cientistas

Conhecida por seu papel na cultura indígena e em religiões como o Santo Daime, a ayahuasca vem sendo estudada por seu potencial benéfico em doenças como a depressão e até mesmo para tratar dependência química. Na última parte da entrevista especial ao USP Analisa, o pesquisador da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP Rafael Guimarães dos Santos, fala sobre a história e a situação atual das pesquisas com essa erva.

Ele explica que as religiões envolvendo o consumo dessa planta surgiram a partir da década de 1930, no Norte do Brasil, e baseou-se em um misto de cultura afro-brasileira, cultura indígena, xamanismo e o catolicismo popular presente na Amazônia. Assim surgiram o Santo Daime e, posteriormente, a Barquinha e a União do Vegetal.

“Nessas religiões, a ayahuasca tem papel central como sacramento, ela não é utilizada como uma droga recreativa. Inclusive, dependendo do contexto, se você fala que a ayahuasca é uma droga a pessoa fica ofendida, porque ela tem bem claro aqui que aquilo é um sacramento”, diz Rafael.

A partir dos anos 1990, o pesquisador conta que a ciência começou a ter interesse em estudar a ayahuasca devido aos relatos dos usuários. “Pessoas falavam que deixaram de usar cocaína ou melhoraram a relação com a família após começarem a frequentar esses cultos. Sabemos que há relatos como esses também em outras religiões, como a católica ou as pentecostais, mas os pesquisadores começaram a ficar curiosos: será que tem algo a ver com a ayahuasca? Ou é a cerimônia religiosa que produz esses efeitos?”

Rafael cona ainda que o grupo da FMRP é o principal produtor de conhecimento nessa área e tem trabalhos em conjunto também com a Universidade Federal de Natal, a Unifesp e a Unicamp. “Em colaboração com o grupo do professor Bráulio de Barros Araújo, da UFRN, mostramos que uma dose única de ayahuasca em pacientes com depressão reduziu os sintomas desses pacientes nas primeiras horas e até duas ou três semanas depois. Mas lembrando que é apenas um estudo preliminar que mostrou esse potencial”, alerta ele.

A última parte da entrevista vai ao ar nesta quarta (9), a partir das 18h05, com reapresentação no domingo (13), às 11h30. O programa também pode ser ouvido pelas plataformas de streaming iTunes e Spotify

O USP Analisa é uma produção conjunta do Instituto de Estudos Avançados Polo Ribeirão Preto (IEA-RP) da USP e da Rádio USP Ribeirão Preto. Para saber mais novidades sobre o programa e outras atividades do IEA-RP, inscreva-se em nosso canal no Telegram.

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