Matéria e energia escuras são tema do USP Analisa

Docente do IAG-USP Laerte Sodré Junior aborda pesquisas sobre o tema, que é ainda considerado um mistério para os cientistas

Os estudos sobre a composição do universo e os diversos fenômenos associados a ele evoluíram bastante nas últimas décadas. Porém, a matéria escura e a energia escura são temas que ainda intrigam os cientistas. Para compreender a situação das pesquisas nessa área, o USP Analisa desta semana entrevista o docente do Departamento de Astronomia do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG) da USP Laerte Sodré Junior.

Ele explica que, embora os cientistas ainda não saibam explicar o que são matéria escura e energia escura, 95% do universo são compostos por elas. “A gente detecta a matéria escura por meio do efeito gravitacional que ela exerce sobre outros corpos celestes. Por exemplo, um planeta gira ao redor do sol com certa velocidade porque o sol tem uma determinada massa. Mas se essa massa fosse duas vezes maior, a velocidade do planeta seria também duas vezes maior. Quando medimos velocidades e tamanhos em sistemas de galáxias, verificamos que há muito mais massa nesses sistemas do que poderíamos atribuir a estrelas ou nuvens de gás. Ou seja, a maior parte da massa está numa forma que a gente não conhece”, diz.

Segundo Sodré, até meados dos anos 90, quando não se conhecia a existência da energia escura, os cientistas achavam que o universo iria se expandir para sempre, porém a velocidade de expansão diminuiria. Atualmente, acredita-se que essa velocidade aumenta constantemente. “A gente esperava que a própria expansão do universo fosse desacelerando, que a velocidade de afastamento das galáxias diminuísse com o tempo, mas o que se verificou foi o oposto. O nome que a gente dá para a entidade por trás dessa expansão acelerada é energia escura. A gente não sabe se ela é uma antigravidade, uma componente da própria teoria da gravidade que a gente não conhece direito, ou um fluido com propriedades diferentes, por exemplo, pressão negativa. Mas isso ainda é muito misterioso. É dessas explicações que estamos atrás”.

A entrevista vai ao ar na Rádio USP Ribeirão Preto nesta sexta (15), a partir das 12h, e na Rádio USP São Paulo na quarta (20), a partir das 21h. O USP Analisa é uma produção conjunta da Rádio USP Ribeirão Preto (107,9 MHz) e do Instituto de Estudos Avançados Polo Ribeirão Preto (IEA-RP) da USP.

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