Crônicas

Meu Carnaval

Ainda me lembro do cheiro que sentia quando primeiro li a notícia. Maresia, sal e suor, não qualquer tipo de suor, um suor alcoólico que talvez eu mesma emanava. Era uma segunda feira de carnaval, estava no uber, voltando para casa quando recebi o email. “Parabéns! Bem-vinda à USP, Maria Luiza”. Maria Luiza. Nem acreditei quando vi meu nome, afinal, nem lembrava que tinha me inscrito pra fazer faculdade em São Paulo.
Contei imediatamente a notícia para minha mãe e suas duas amigas que estavam conosco, foi uma gritaria no carro, provavelmente ali perdi minha reputação impecável no uber de 5 estrelas.

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Miss Gutierrez

Crescer assistindo o Miss Universo realmente contribuiu com a forma que eu vejo o meu corpo e a minha personalidade junto com as propagandas, os filmes e umas cobranças sempre presentes no meu círculo familiar, mas ao mesmo tempo que atualmente, tudo parece mais moderno e inclusivo, quem está julgando nossa beleza ainda continua preso nos mesmos ideais do começo do século.

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O brasileiro só quer viajar

Segunda-feira. 05:30 da manhã. Alarme do celular acionado. Despertei já cansado com a mandíbula tensionada. Maquinalmente, coloquei o uniforme do dia. Uma camisa de botão de mangas curtas e calça social. Perfume para enojar-me ou encantar o outro. Relógio nos pulsos a postos.

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Sofre o torcedor

Jogam Afeganistão e Brasil, e seu coração se divide. Nasceu afegão; mas, aos 18 anos, teve que sair de seu país e se refugiar na América Latina. Teve que começar tudo de novo. Resultado: Lingua, família e costumes agora eram diferentes; precisou abraçar o verde e amarelo, mesmo que o verde e amarelo não tivesse o abraçado de volta. Trocou o kabuli pela feijoada, o attan pelo samba, seu corpo era cada vez mais brasileiro, mas sua alma ainda estava no Oriente Médio.

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Vale a pena ver de novo

Quando eu era criança, minhas primas e eu passávamos nossas tardes na casa de minha avó, Dona Maria Alcina. Meus pais, assim como meus tios, trabalhavam durante o dia, e por isso eu, Maria Luiza e Beatriz ficávamos sob os cuidados e carinhos da matriarca. Minha relação com minhas primas sempre foi muito próxima, apesar da diferença entre nossas idades. Bia é quatro anos mais velha que Malu, que é quatro anos mais velha que eu. Mas nós sabíamos aproveitar a companhia umas das outras, e para minha alegria e desespero de minha avó, as irmãs sempre tinham ideias muito criativas para passar o tempo e bagunçar os móveis da casa.

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“Semestre que vem eu melhoro”

Já são oito da noite e eu ainda não tenho nem metade dos meus trabalhos da faculdade prontos, procrastinei durante o dia dizendo a mim mesma que mereço, porque estou cansada e agora estou em desespero por querer fazer bem feito e não ter tempo.

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