Mostra tua força Brasil
Texto: Matheus Ribeiro
Há dez anos, em uma terça-feira mais do que especial, dia oito de julho de 2014, seria aquele, um dia que poderia comemorar duas grandes ocasiões: o aniversário de minha tia e, na minha cabeça na época, a clara classificação do Brasil à final da Copa do Mundo que estava sendo sediada em nosso país.
Eu, que nesse período da vida tinha apenas nove anos de idade e estava totalmente entusiasmado com o que o time que vestiu a Amarelinha poderia alcançar – e que havia recém descoberto toda a tradição, peso e história da Seleção Brasileira no cenário do esporte que mais amo, o futebol –, estava super animado. Não apenas por poder assistir mais um jogo da Canarinho junto com minha família, o que sempre foi um show a parte, mas também por ser uma ocasião em que haveria uma grande confraternização com vários de meus parentes para comemorar a data festiva. Era a chance perfeita de criar ótimas memórias: comer boas comidas, brincar com meus primos e dar diversas risadas com histórias de meus familiares – como de costume –, e comemorar mais uma vitória do Brasil.
Chegando no momento em que todos estávamos reunidos, lembro-me de que todos comentavam que o nosso adversário, a Alemanha, não era algo para se preocupar. Alguns alegavam isso baseado no histórico de confrontos entre os dois times, no desconhecimento do oponente ou até pela ilusão que todo o evento mundial produziu no povo.
Nos últimos momentos pré-jogo, nossa empolgação chegou em um ápice: cantávamos o hino nacional praticamente em uma única voz, em um volume altíssimo, ficamos emocionadíssimos com a homenagem da equipe a Neymar, principal jogador daquele time, ausente naquele jogo. Mesmo sem ele, contávamos que seríamos vencedores.
Apesar de toda a empolgação, um balde de água fria foi jogado em nós logo aos onze minutos: Muller, lenda do futebol alemão, abre o placar para eles em jogada de escanteio. Ainda havia esperança de reação, porém, se o abalo na torcida foi grande, o impacto sentido pelos jogadores foi maior ainda. A Seleção praticamente não conseguia jogar e era questão de tempo para a desvantagem ser ampliada.
Dito e feito, doze minutos depois, o placar foi para 2 a 0, e, pior ainda, em um intervalo de seis minutos, o Brasil tomou quatro gols. Até o terceiro gol, a festa de família virou um velório, toda animação havia sido em vão, isso ainda no primeiro tempo. No entanto, depois que a evidente derrota se tornou uma goleada, o clima fúnebre foi substituído pelo bom humor, no melhor estilo “rir pra não chorar”, o que foi suficiente para reanimar a festa.
O pessoal xingando os jogadores, minha avó chamado o Hulk de “bundudo” e todos fazendo uma paródia com tom cômico-trágico da música “Mostra sua força Brasil”, que foi altamente veiculada em propagandas durante a copa, são momentos que nunca saíram da mente e sempre me fazem soltar um riso.
Com tudo isso, e no placar ainda 5 a 0, decidimos cantar parabéns durante o intervalo para aproveitar a pausa no entretenimento. Os gols seguintes, dois deles e um nosso, foram igualmente comemorados, na realidade, não poderíamos nos importar menos com a Copa naquele momento. Isso fez com que, no fim, uma das maiores tragédias do esporte brasileiro se tornasse uma bela história de família.