“Semestre que vem eu melhoro”
Texto: Giovanna Accioli
Já são oito da noite e eu ainda não tenho nem metade dos meus trabalhos da faculdade
prontos, procrastinei durante o dia dizendo a mim mesma que mereço, porque estou cansada e agora estou em desespero por querer fazer bem feito e não ter tempo.
Eu sempre fui assim, no último ano da escola, escutei de um amigo depois de dizer que melhoraria no semestre seguinte. “Você sabe que ainda estará dizendo isso no doutorado“, e agora, me peguei pensando nessa frase. Será que estarei sempre adiando a melhora, mas querendo agarrar o mundo com as mãos?
Se passou um ano desde a escola e eu estou finalizando o segundo semestre de jornalismo e mesmo que eu tenha adquirido novas experiências e amadurecido alguns pensamentos, sinto que ainda sou a mesma, adiando a melhora. Minhas amigas ainda recebem as mesmas mensagens “estou fazendo um trabalho que precisa ser entregue hoje” ou “preciso escrever e não sei como começar“.
Acho que começar é o meu real problema, depois que faço, me pergunto o porquê de não ter iniciado antes, já que era tão fácil. Minha mãe sempre diz que tenho facilidade para aprender qualquer coisa, mas demoro muito para iniciar. Uma vez em uma conversa com um garoto, ele havia me perguntado por que eu tinha tanta dificuldade para começar a falar o que sinto. E a resposta é que sinto que só pode ser iniciado, feito ou falado no momento certo, mas quando é esse momento?
Esse ano na faculdade eu hesitei para fazer perguntas ou me propor a trabalhar com o que nunca fiz, demorei para iniciar livros e atrasei trabalhos porque também demorei para iniciar. Ao mesmo tempo, eu vivo desejando o mundo, quero ler centenas de livros diferentes, aprender cinco idiomas, ter mais de um curso superior e ir em todas as festas. Mas quando chega o fim de semana ou feriado, eu não quero sair e enrolo durante a tarde toda para iniciar um trabalho.
Me pergunto se não estou perdendo os melhores momentos da minha vida por ter medo de começar, se não estou me privando de tirar uma nota 10 na média, de ler o livro da minha vida ou conhecer um amor verdadeiro por causa dessa procrastinação infinita e existente desde que vim ao mundo, ou melhor, desde antes, porque eu demorei para nascer e se não fosse a cesariana, teria atrasado meu próprio nascimento.
Já são nove da noite e eu ainda não tenho meus trabalhos finalizados, talvez ficarei acordada até tarde para terminar, já que mais uma vez demorei para dar início. Nesse intervalo de tempo eu já perdi as contas de quantas vezes pensei no início e escrevi essa palavra, mas agir e finalmente começar, ainda não fiz.
Talvez no próximo ano eu melhore, no próximo ano eu inicie o livro que comprei em maio, me proponha a começar um trabalho antes de todo mundo e termine antes do prazo final, talvez eu comece a falar o que sinto.
Depois de muitos devaneios e procrastinação, penso que não quero ser assim até o doutorado, vou terminar o trabalho atrasado e parar de falar “semestre que vem eu melhoro”.