{"id":713,"date":"2023-08-02T07:10:52","date_gmt":"2023-08-02T09:10:52","guid":{"rendered":"https:\/\/sites.usp.br\/lao\/?p=713"},"modified":"2023-08-02T07:10:52","modified_gmt":"2023-08-02T09:10:52","slug":"exame-clinico-do-nariz-e-seios-paranasais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.usp.br\/lao\/exame-clinico-do-nariz-e-seios-paranasais\/","title":{"rendered":"Exame Cl\u00ednico do Nariz e Seios Paranasais"},"content":{"rendered":"<p>Resumo sobre o exame cl\u00ednico do nariz e dos seios paranasais elaborado pela presidente Rebeca Torres (T4).<\/p>\n<p><strong>1. Anamnese<\/strong><br \/>\nNa anamnese registram-se os dados da identifica\u00e7\u00e3o, antecedentes pessoais e antecedentes familiares, al\u00e9m dos sintomas como: obstru\u00e7\u00e3o nasal, hiposmia ou anosmia, rinorreia, epistaxe e altera\u00e7\u00e3o do olfato.<\/p>\n<p><strong>Identifica\u00e7\u00e3o<\/strong><br \/>\n\u27a2 Idade: em rec\u00e9m-nascidos (RN) com altera\u00e7\u00f5es respirat\u00f3rias, deve-se suspeitar de malforma\u00e7\u00f5es cong\u00eanitas e infec\u00e7\u00f5es perinatais. Abaixo dos 6 meses pode ser uma urg\u00eancia com necessidade de cuidados intensivos, j\u00e1 que o RN \u00e9 respirador nasal obrigat\u00f3rio;<br \/>\n\u27a2 Sexo: algumas malforma\u00e7\u00f5es cong\u00eanitas, como atresia de coana, s\u00e3o duas vezes mais prevalentes no sexo feminino;<br \/>\n\u27a2 Profiss\u00e3o: locais de trabalho onde poluentes ambientais s\u00e3o abundantes, como em f\u00e1bricas com emiss\u00e3o de gases resultantes da combust\u00e3o de \u00f3leos ou de forma\u00e7\u00e3o de produtos qu\u00edmicos, podem ser a causa de rinites ocupacionais.<\/p>\n<p><strong>Antecedentes Pessoais<\/strong><br \/>\nInvestigar tabagismo e etilismo; antecedentes cir\u00fargicos, especialmente otorrinolaringol\u00f3gicos; doen\u00e7as sist\u00eamicas; uso de medicamentos (descongestionante nasal, \u00e1cido acetilsalic\u00edlico, estatina); exposi\u00e7\u00e3o a ambientes com irritantes inalat\u00f3rios; hist\u00f3ria de trauma cranioencef\u00e1lico.<\/p>\n<p><strong>Antecedentes Familiares<\/strong><br \/>\nHist\u00f3ria familiar de alergia associa-se ao aparecimento de rinite. Se ambos os pais apresentarem rinite al\u00e9rgica, a possibilidade em seus filhos chega a 80%.<\/p>\n<p><strong>2. Sinais e Sintomas<\/strong><br \/>\nOs principais sinais e sintomas s\u00e3o obstru\u00e7\u00e3o nasal, rinorreia, altera\u00e7\u00e3o do olfato e epistaxe.<br \/>\n\u27a2 Obstru\u00e7\u00e3o nasal:<br \/>\n-&gt; A obstru\u00e7\u00e3o nasal deve ser investigada quanto aos seguintes aspectos:<br \/>\n\u25aa Lateralidade (uni ou bilateral);<br \/>\n\u25aa In\u00edcio (insidioso, rapidamente progressivo ou abrupto);<br \/>\n\u25aa Fator desencadeante ou de melhora;<br \/>\n\u25aa Manifesta\u00e7\u00f5es cl\u00ednicas associadas (coriza hialina, espirros e prurido nasal sugerem edema inflamat\u00f3rio da mucosa nasal);<br \/>\n\u25aa Uso de medicamentos que podem provocar altera\u00e7\u00e3o vasomotora na mucosa nasal e causar e\/ou agravar a obstru\u00e7\u00e3o.<br \/>\n\u27a2 Rinorreia:<br \/>\n-&gt; Deve-se avaliar:<br \/>\n\u25aa Lateralidade (uni ou bilateral);<br \/>\n\u2022 Rinorreia unilateral f\u00e9tida em crian\u00e7as leva \u00e0 suspeita de presen\u00e7a de corpo estranho.<br \/>\n\u25aa Viscosidade (hialina, espessa, purulenta);<br \/>\n\u25aa Periodicidade (persistente ou ocasional);<br \/>\n\u25aa Fatores desencadeantes (perfumes, fuma\u00e7a, polui\u00e7\u00e3o atmosf\u00e9rica);<br \/>\n\u25aa Associa\u00e7\u00e3o com outros sintomas, como tosse e cefaleia.<br \/>\n\u27a2 Altera\u00e7\u00e3o do olfato:<br \/>\n-&gt; As altera\u00e7\u00f5es do olfato podem ser classificadas da seguinte forma:<br \/>\n\u25aa Anosmia (perda completa da olfa\u00e7\u00e3o);<br \/>\n\u25aa Hiperosmia (aumento da olfa\u00e7\u00e3o);<br \/>\n\u25aa Hiposmia (diminui\u00e7\u00e3o da olfa\u00e7\u00e3o);<br \/>\n\u25aa Disosmia (distor\u00e7\u00e3o da percep\u00e7\u00e3o olfat\u00f3ria, podendo ser subdividida em parosmia, quando h\u00e1 est\u00edmulo ambiental, e fantosmia, sem est\u00edmulo ambiental, ou seja, uma alucina\u00e7\u00e3o olfat\u00f3ria).<br \/>\n-&gt; Procura-se identificar a regi\u00e3o da via olfat\u00f3ria acometida: condutiva, ou seja, o bloqueio na chegada das mol\u00e9culas de odor ao epit\u00e9lio olfat\u00f3rio, por exemplo, nas rinites, altera\u00e7\u00f5es anat\u00f4micas da cavidade nasal e tumores intranasais; neurossensoriais, quando h\u00e1 les\u00f5es no epit\u00e9lio olfat\u00f3rio e nos nervos olfat\u00f3rios, como nas infec\u00e7\u00f5es virais ou traumatismo cranioencef\u00e1lico com ruptura de nervos; central, como, por exemplo, nos tumores intracranianos e doen\u00e7as degenerativas.<br \/>\n\u27a2 Epistaxe:<br \/>\n-&gt; Consiste em altera\u00e7\u00e3o da hemostasia dentro da cavidade nasal, em decorr\u00eancia de comprometimento da mucosa;<br \/>\n-&gt; Deve-se avaliar:<br \/>\n\u25aa Lateralidade (uni ou bilateral);<br \/>\n\u25aa Tempo de evolu\u00e7\u00e3o;<br \/>\n\u25aa Quadros cl\u00ednicos semelhantes anteriores;<br \/>\n\u25aa Fatores associados ao in\u00edcio do sangramento (trauma, infec\u00e7\u00f5es de vias respirat\u00f3rias superiores, rinite);<br \/>\n\u25aa Comorbidades (hipertens\u00e3o arterial e coagulopatias s\u00e3o consideradas como facilitadoras do sangramento nasal);<br \/>\n\u25aa Medicamentos utilizados (anticoagulantes e \u00e1cido acetilsalic\u00edlico);<br \/>\n\u25aa Tabagismo e alcoolismo (s\u00e3o facilitadores do sangramento nasal);<br \/>\n\u25aa Melhora do sangramento apenas com compress\u00e3o nasal; repercuss\u00e3o hemodin\u00e2mica da hemorragia (hipotens\u00e3o arterial).<\/p>\n<p><strong>3. Exame F\u00edsico<\/strong><br \/>\nO exame f\u00edsico compreende a inspe\u00e7\u00e3o e a rinoscopia anterior e posterior.<\/p>\n<p><strong>Inspe\u00e7\u00e3o<\/strong><br \/>\nAnalisa-se a pir\u00e2mide nasal, para detectar dismorfias, dist\u00farbios de desenvolvimento e desvios; sinais sugestivos de processos infecciosos: hiperemia, edema e abaulamento; presen\u00e7a de tra\u00e7o sobre o dorso nasal denominado \u201csauda\u00e7\u00e3o al\u00e9rgica\u201d que pode estar presente em pacientes com rinite. Durante a inspe\u00e7\u00e3o, pode-se observar a f\u00e1ceis caracter\u00edstica do respirador bucal (aus\u00eancia de vedamento labial, encurtamento de l\u00e1bio superior, evers\u00e3o de l\u00e1bio inferior, narinas estreitas, olheiras evidentes).<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/sites.usp.br\/lao\/wp-content\/uploads\/sites\/1260\/2023\/08\/1.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-718 aligncenter\" src=\"https:\/\/sites.usp.br\/lao\/wp-content\/uploads\/sites\/1260\/2023\/08\/1-270x300.jpg\" alt=\"\" width=\"270\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/sites.usp.br\/lao\/wp-content\/uploads\/sites\/1260\/2023\/08\/1-270x300.jpg 270w, https:\/\/sites.usp.br\/lao\/wp-content\/uploads\/sites\/1260\/2023\/08\/1.jpg 551w\" sizes=\"(max-width: 270px) 100vw, 270px\" \/><\/a><\/p>\n<p><strong>Rinoscopia Anterior<\/strong><br \/>\nO exame das cavidades nasais \u00e9 realizado com ilumina\u00e7\u00e3o obtida por uma fonte de luz externa. Com um esp\u00e9culo nasal apropriado e de tamanho adequado para cada paciente, promove-se a lateraliza\u00e7\u00e3o da asa do nasal para permitir melhor vis\u00e3o do interior da cavidade nasal.<br \/>\nObservar: inferiormente, o assoalho da cavidade nasal e se h\u00e1 secre\u00e7\u00f5es ou les\u00f5es; lateralmente, a cabe\u00e7a da concha inferior (colora\u00e7\u00e3o da mucosa, hipertrofia, degenera\u00e7\u00f5es polipoides), cabe\u00e7a da concha m\u00e9dia e meato m\u00e9dio (local em que ocorre drenagem das secre\u00e7\u00f5es provenientes dos seios frontal, maxilar e etmoidal anterior); medialmente, septo nasal (deformidades, perfura\u00e7\u00f5es, ulcera\u00e7\u00f5es e abaulamentos).<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/sites.usp.br\/lao\/wp-content\/uploads\/sites\/1260\/2023\/08\/2.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-715 aligncenter\" src=\"https:\/\/sites.usp.br\/lao\/wp-content\/uploads\/sites\/1260\/2023\/08\/2-300x214.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"214\" srcset=\"https:\/\/sites.usp.br\/lao\/wp-content\/uploads\/sites\/1260\/2023\/08\/2-300x214.jpg 300w, https:\/\/sites.usp.br\/lao\/wp-content\/uploads\/sites\/1260\/2023\/08\/2.jpg 303w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><\/p>\n<p><strong>Rinoscopia Posterior<\/strong><br \/>\nCom a l\u00edngua relaxada, apoiada no assoalho da boca e assim mantida com aux\u00edlio de abaixador de l\u00edngua, introduz-se o espelho de laringe pequeno, previamente aquecido, em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 parede posterior da orofaringe at\u00e9 ultrapassar os limites do palato mole. Avaliar as paredes da rinofaringe, as coanas, a cauda da concha inferior, a por\u00e7\u00e3o posterior<br \/>\ndo septo nasal, o tamanho das tonsilas far\u00edngeas e as tubas auditivas bilateralmente.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/sites.usp.br\/lao\/wp-content\/uploads\/sites\/1260\/2023\/08\/3.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-716 aligncenter\" src=\"https:\/\/sites.usp.br\/lao\/wp-content\/uploads\/sites\/1260\/2023\/08\/3-300x236.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"236\" srcset=\"https:\/\/sites.usp.br\/lao\/wp-content\/uploads\/sites\/1260\/2023\/08\/3-300x236.jpg 300w, https:\/\/sites.usp.br\/lao\/wp-content\/uploads\/sites\/1260\/2023\/08\/3.jpg 365w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><\/p>\n<p><strong>Oroscopia<\/strong><br \/>\nDurante a oroscopia no paciente com obstru\u00e7\u00e3o nasal, observar o palato e avaliar caracter\u00edsticas da mordida. Comum palato atr\u00e9sico (ogival).<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/sites.usp.br\/lao\/wp-content\/uploads\/sites\/1260\/2023\/08\/4.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-717 aligncenter\" src=\"https:\/\/sites.usp.br\/lao\/wp-content\/uploads\/sites\/1260\/2023\/08\/4.jpg\" alt=\"\" width=\"299\" height=\"265\" \/><\/a><\/p>\n<p><strong>Refer\u00eancias Bibliogr\u00e1ficas:<\/strong><br \/>\nPORTO, C.C. Semiologia M\u00e9dica. 8a edi\u00e7\u00e3o. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2019.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Resumo sobre o exame cl\u00ednico do nariz e dos seios paranasais elaborado pela presidente Rebeca Torres (T4). 1. Anamnese Na anamnese registram-se os dados da identifica\u00e7\u00e3o, antecedentes pessoais e antecedentes familiares, al\u00e9m dos sintomas como: obstru\u00e7\u00e3o nasal, hiposmia ou anosmia, rinorreia, epistaxe e altera\u00e7\u00e3o do olfato. 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