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ESTRUTURAS DE BLOCOS – LAPA DO SANTO

ESTRUTURAS DE BLOCOS – LAPA DO SANTO

Diversos sepultamentos da Lapa do Santo apresentavam uma cobertura de blocos. Em alguns casos essa cobertura era constituída por blocos grandes e esparsos, como nos sepultamentos 1, 20 e 21. Em outros, a cobertura de blocos era constituída por blocos menores que formavam uma verdadeira estrutura circular, com limites muito bem delimitados que, em alguns casos, eram concordantes com os limites da cova subjacente. Num primeiro momento, durante as escavações, imaginou-se que a existência dessas estruturas circulares que recobriam alguns sepultamentos estaria, invariavelmente, associada a ossos humanos. Entretanto, conforme procederam as escavações, ficou claro que nem todas as estruturas de blocos estavam, de fato, associadas a sepultamentos. Ou seja, que em alguns casos não havia nenhum osso humano abaixo delas. É claro que mesmo sem a presença de ossos humanos essas estruturas ainda poderiam, em teoria, ter sido geradas dentro de um contexto funerário e, portanto, estariam associadas aos sepultamentos circundantes. Ainda assim, conforme discutido na primeira seção desse capítulo, do ponto de vista do registro arqueológico é a existência de ossos humanos que determina se uma estrutura pode ser ou não chamada de sepultamento.  Portanto, é fundamental que essas estruturas sejam avaliadas individualmente no intuito de se determinar quais estavam e quais não estavam diretamente associadas a sepultamentos. Mais ainda, no caso das que estão associadas aos sepultamentos é preciso determinar com qual sepultamento deve ser feita a associação (tarefa mais difícil do que pode parecer).

A expectativa inicial de que as estruturas circulares de blocos estariam, necessariamente, acima de um conjunto de ossos gerou certa confusão no registro de campo, especialmente no que se refere ao registro das estruturas de blocos, mas também no registro de alguns sepultamentos. Um dos problemas é que em pelo menos três casos, ao surgirem, as estruturas circulares foram nomeadas como sepultamentos (sepultamentos 16, 20 e 21). Entretanto, uma vez verificado que não havia ossos humanos abaixo dessas estruturas elas “deixaram” de ser sepultamentos. No caso dos sepultamentos 20 e 21 eles foram “transferidos” para os conjuntos de ossos que tinham acabado de ser evidenciados na quadra L11. Já o sepultamento 16 simplesmente deixou de existir. Por outro lado, as estruturas de blocos que “deixaram” de ser sepultamentos não receberam uma nova identificação e nos documentos de campo essas estruturas continuam indicadas como “Sepultamento”. Além disso, parte do registro dessas estruturas de blocos encontra-se naquilo que foi seu CES (que, formalmente, não existe pois elas na verdade não são sepultamentos) e parte está nos CEQ dos níveis correspondentes. Para tornar a situação ainda mais complicada, diversas dessas estruturas de blocos encontram-se justamente na região onde duas, três e, as vezes, até quatro quadras se encontram. Ou seja, o registro dessas estruturas encontra-se muito disperso já que elas não foram tratadas como “unidades” de escavação.

Em etapas mais recentes, quando os supervisores já estavam alertados para a eventual possibilidade de que as estruturas de blocos não representavam necessariamente um sepultamento, o problema oposto ocorreu. Assim, as estruturas de bloco foram inicialmente escavadas como uma feição qualquer. Em seguida, quando de fato foram identificados ossos humanos ela passou a ser nomeada como sepultamento fazendo com que, mais uma vez, ocorresse uma descontinuidade no registro dessas estruturas.

A seguir apresento uma tentativa de unir todas as fontes documentais disponíveis em que estão representadas essas estruturas de blocos. Tal esforço é fundamental para se estabelecer quais dessas estruturas estavam, de fato, associadas a sepultamentos e quais não estavam. Nesse sentido, o primeiro passo foi nomear essas estruturas. Optei por nomear as estruturas utilizando como prefixo o termo EB (Estrutura de Blocos), seguido pela letra e pelo número da quadra que abriga a maior parte da estrutura, seguido por um número ordinal. É importante notar que de acordo com esse esquema de nomeação as estruturas de blocos tornam-se independentes dos sepultamentos, mesmo no caso em que a associação é indubitável. Reconheço que essa solução não é ideal, mas parece ser a única que permite que todas as estruturas de blocos sejam analisadas em conjunto. Para deixar isso claro, um exemplo. O Sepultamento 15 estava, indubitavelmente, recoberto por uma estrutura de blocos. De acordo com a nova denominação essa estrutura passa a ter uma identificação própria: EB-I12-6. Portanto, se diz que o Sepultamento 15 está recoberto pela estrutura de blocos EB-I12-6. Por outro lado, a estrutura de blocos EB-I13-7, por exemplo, não está associada a nenhum sepultamento.

Cada estrutura de blocos será apresentada na forma de “exposições”. Entretanto, é importante explicitar que essas exposições foram estabelecidas a posteriori e que são, portanto, elas mesmas fruto da minha interpretação das fontes documentais originais. Ou seja, essas estruturas não foram de fato escavadas através de “exposições” consecutivas como unidades de escavação, pelo menos não na ordem em que elas serão apresentadas nessa seção. Como informado acima, seu registro de escavação é disperso e, portanto, a fonte a partir da qual diferentes exposições de uma mesma estrutura de blocos foram estabelecidas pode variar.

Novamente, um exemplo para ilustrar. Tanto nos CESs do Sepultamento 10 como nos do Sepultamento 15 está registrada uma estrutura de blocos, que a princípio estariam, cada uma, associada a um desses sepultamentos. Entretanto, após as escavações, verificou-se que na verdade havia uma única estrutura da qual faziam parte tanto os blocos representados nos CES do Sepultamento 10 como do Sepultamento 15. A essa estrutura se atribui o nome EB-I12-6. Mais do que isso, foi verificado que os blocos registrados junto ao Sepultamento 10 ocupavam uma posição superior do que aqueles registrados junto ao Sepultamento 15. Portanto as primeiras “exposições” da estrutura EB-I12-6 foram “extraídas” do registro do Sepultamento 10 e as últimas exposições do registro do Sepultamento 15. Mais especificamente, as exposições de número 2 até 4 da estrutura EB-I12-6 foram “extraídas” dos CESs das exposições 1, 2 e 3 do Sepultamento 10 (feitos em 2003) e as exposições 5 e 6 foram extraídas dos CESs das exposições 1 e 2 do Sepultamento 15 (feitos em 2005).

Outro ponto que precisa ser esclarecido diz respeito ao sistema adotado em campo para o registro dos blocos que constituem essas estruturas. Todos os blocos encontrados no sítio foram registrados espacialmente. De maneira geral, esse registro encontra-se nos CEQs. Entretanto, no caso de algumas estruturas com muitos blocos, conforme as que são discutidas nesta seção, croquis mais detalhados foram efetuados. Nesses croquis cada bloco foi desenhado e as cotas de seu topo e de sua base registradas. Para tal, cada bloco recebeu uma identificação, normalmente um número. Essa identificação será aqui referida como “Bloco ID”. Entretanto, apesar da importância desse tipo de registro, não existiu uma numeração formal de todo o sítio para a identificação dos blocos. Tampouco a numeração seguiu uma ordem para cada uma das estruturas definidas neste trabalho. Em outras palavras, a numeração de blocos foi iniciada diversas vezes em porções diferentes do sítio. Portanto, existem diversos blocos com a mesma identificação (i.e. o mesmo “Bloco ID”). Ainda assim, na maioria dos casos é possível diferenciar esses blocos mesmo quando eles têm o mesmo “Bloco ID” a partir da quadra onde ele foi encontrado. Além disso, mesmo que dois blocos de uma mesma quadra tenham sido registrados com o mesmo “Bloco ID” em teoria é possível distingui-los pois eles apresentam cotas verticais diferentes. Portanto, pelo menos em teoria, seria possível criar uma nova numeração para todos os blocos do sítio indo de 1 até “n” (onde “n” seria o número total de blocos). Entretanto, tendo-se em vista o escopo da presente dissertação tal tarefa não foi realizada e, como conseqüência, uma mesma estrutura pode apresentar blocos com o mesmo numero de identificação.

Existem duas regiões nas quais o registro das estruturas de blocos é particularmente complicado. Notadamente, a região cuja área principal é delimitada pela quadra I12 e I13 e a região que é delimitada principalmente pela quadra J12, mas que engloba também pequenas porções das quadras J13, K12 e K13. Essas duas regiões serão apresentadas individualmente. As demais estruturas de blocos presentes no sítio estão diretamente associadas a sepultamentos e seu registro não apresenta problemas e serão apresentadas individualmente.

 

Estruturas de Blocos das Quadras J12, J13, K12 e K13

As estruturas de bloco das quadras J12, J13, K12 e K13 foram inicialmente classificadas como sepultamentos. Entretanto, como em alguns casos não foram encontrados ossos abaixo dos blocos algumas delas deixaram de sê-lo. Além disso, os limites entre as estruturas de blocos e os sepultamentos que de fato estavam presentes (Sep. 19, Sep. 22 e Sep. 24) na região não são muito nítidos. A situação é especialmente complicada pois essa região foi escavada de forma descontinua entre os anos de 2003 e 2007, havendo inclusive mais de uma FEQ e de um CEQ para cada nível. A Figura 1 apresenta um croqui esquemático com as estruturas de blocos encontradas nessa região do sítio. A seguir cada uma delas será discutida em detalhes.

 

Figura 1 – Lapa do Santo. Croqui das quadras J12, J13, K12 e K13 indicando a posição das estruturas de bloco presentes nessas quadras. Em vermelho a região onde foram encontrados os ossos do Sepultamento 22. A linha tracejada indica os limites entre as quadras. Os números no eixo horizontal são as coordenadas X do sítio e os números no eixo vertical as coordenadas Y do sítio (estabelecidas com o uso da estação total).

 

 

Figura 2 – Lapa do Santo. Fotos da região da quadra J12 e proximidades. As fotos “a” e “b” são da etapa de 2005 e as fotos “c” e “d” da etapa de 2007. A seta azul indica a estrutura EB-J12-1 (ausente nas fotos de 2007); a seta vermelha a EB-J12-2; a seta branca a EB-J12-3 e a seta preta a EB-J12-4.

 

Estrutura de blocos EB-J12-1 (Sepultamento 19)

Essa estrutura foi completamente escavada como parte do Sepultamento 19 e a totalidade de seu registro de campo encontra-se nos CESs desse sepultamento. Era constituída por pelo menos 38 blocos. O topo do bloco mais elevado encontrava-se na cota -0,084 e a base do bloco mais inferior, na cota -0,187, perfazendo uma espessura de quase 10 centímetros . O conjunto dos blocos apresentava um perímetro bem delimitado de forma circular com cerca de 30 centímetros de diâmetro. Os limites da estrutura encontravam-se em total conformidade com os limites da cova. Os blocos da parte inferior da estrutura estavam em contato direto com ossos. Portanto, não parece haver qualquer dúvida de que essa estrutura de blocos está diretamente associada ao Sepultamento 19.

Tabela 1. Cotas dos blocos da estrutura EB-J12-1
Bloco ID Topo Base Bloco ID Topo Base Bloco ID Topo Base
9 -0.098 -0.146 31 -0.122 -0.151 110 -0.148
10 -0.118 -0.16 32 -0.114 -0.142 111 -0.156
11 -0.116 -0.165 33 -0.118 -0.186 132 -0.153
12 -0.102 -0.141 34 -0.116 133 -0.158 -0.187
13 -0.085 -0.131 48 -0.119 -0.159
14 -0.085 -0.132 53 -0.15 -0.182
15 -0.084 -0.176 55 -0.143 -0.176
25 -0.129 -0.167 56 -0.15 -0.199
26 -0.136 -0.193 62 -0.121
27 -0.134 -0.168 102 -0.14
28 -0.126 -0.16 104 -0.151 -0.207
29 -0.13 -0.149 106 -0.136 -0.168
30 -0.119 107 -0.135

 

 

Figura 3 – Lapa do Santo. Estrutura EB-J12-1. Exposições 1 e 2. Em vermelho, ossos humanos. Os números no eixo horizontal são as coordenadas X do sítio e os números no eixo vertical as coordenadas Y do sítio (estabelecidas com o uso da estação total).

 

Figura 4 – Estrutura EB-J12-1. Exposição 3 e a foto de campo referente à exposição 2. Em vermelho, ossos humanos. Os números no eixo horizontal são as coordenadas X do sítio e os números no eixo vertical as coordenadas Y do sítio (estabelecidas com o uso da estação total).

 

Estrutura de blocos EB-J12-2a e EB-J12-2b

A estrutura EB-J12-3 foi inicialmente escavada como Sepultamento 21. Entretanto, uma vez que não foram encontrados ossos abaixo dela essa nomeação lhe foi retirada. Assim, as duas primeiras exposições foram extraídas do CES daquilo que foi temporariamente chamado de Sepultamento 20. Já a terceira e última exposição estava registrada num CEQ.

Esta estrutura era constituída por 34 blocos. Entre estes é possível identificar dois conjuntos distintos no que se refere à posição vertical. O primeiro deles, composto pelos blocos 7 a 121 apresentavam cota máxima de -0,062 e cotas mínimas de -0,211. O outro, composto pelos blocos 215 a 225, apresentava cotas máximas de -0,293 e cotas mínimas de -0,472. Portanto, existe um hiato de cerca de 10 centímetros onde não foram encontrados blocos. Os croquis das Figuras 5 a 8 reforçam a interpretação de que eram duas estruturas distintas. Os blocos mais superficiais apresentavam uma delimitação circular mais nítida, enquanto que o conjunto mais profundo apresentava um contorno mais alongado. Nenhum osso foi encontrado seja dentro dos limites estabelecidos pelas estruturas, seja em suas proximidades. Os ossos humanos mais próximos dessa estrutura são os do Sepultamento 19. Ao conjunto mais elevado de blocos será atribuída a denominação EB-J12-2a e ao mais profundo de EB-J12-2b. Entretanto, uma ressalva importante é que os blocos mais superiores foram escavados em 2005, enquanto que os mais inferiores em 2007. É importante que se tenha em mente esse fato pois a mudança nos padrões de registro inerentes a um intervalo de tempo tão grande podem contribuir para acentuar as diferenças entre esses dois conjuntos de blocos.

Tabela 2. Cotas dos blocos da estrutura EB-J12-2
Bloco ID Topo Base Bloco ID Topo Base
7 -0.062 -0.176 97 -0.155 -0.18
8 -0.074 n/d 98 -0.138 -0.152
22 -0.102 -0.16 99 -0.149 -0.163
45 -0.12 -0.167 120 -0.259 n/d
49 -0.137 n/d 121 n/d -0.182
50 -0.137 -0.206 122 n/d n/d
51 -0.122 -0.139 215 -0.334 -0.409
52 -0.127 -0.136 216 -0.318 -0.358
88 -0.161 n/d 217 -0.313 -0.472
89 -0.142 -0.173 218 -0.324 -0.434
90 -0.183 n/d 219 -0.348 -0.387
91 -0.171 n/d 220 -0.341 -0.385
92 -0.171 n/d 221 -0.325 -0.366
93 -0.176 -0.211 222 -0.293 -0.374
94 -0.158 n/d 223 -0.356 -0.406
95 -0.17 perdida 224 -0.294 -0.352
96 -0.169 n/d 225 -0.369 -0.407

 

Figura 5 – Lapa do Santo. Estrutura EB-J12-2a. Exposição 1. Os números no eixo horizontal são as coordenadas X do sítio e os números no eixo vertical as coordenadas Y do sítio (estabelecidas com o uso da estação total).

 

Figura 6 – Lapa do Santo. Estrutura EB-J12-2b. Exposição 2. Os números no eixo horizontal são as coordenadas X do sítio e os números no eixo vertical as coordenadas Y do sítio (estabelecidas com o uso da estação total).

 

Figura 7 – Lapa do Santo. Estrutura EB-J12-2b. Exposição 3. Os números no eixo horizontal são as coordenadas X do sítio e os números no eixo vertical as coordenadas Y do sítio (estabelecidas com o uso da estação total).

 

Figura 8 – Lapa do Santo. Foto da estrutura de blocos EB-J12-2. a) Exposição 2 (foto tirada em 2005). Reparar como na placa de identificação se lê: “SEP 21”. Posteriormente, entretanto, não foi encontrado nenhum osso diretamente associado a essa estrutura; b) Exposição 3 (foto tirada em 2007).

 

Estrutura de blocos EB-J12-3

A estrutura EB-J12-3 foi inicialmente escavada como Sepultamento 20. Entretanto, uma vez que não foram encontrados ossos abaixo dela essa nomeação foi retirada. Assim, a parte superior dessa estrutura (as três primeiras exposições) está registrada nos CES do Sepultamento 20, feitos durante a etapa de 2005. Já a parte basal da estrutura (exposição 4) estava registrada no CEQ do nível 4 da quadra J12, escavada em 2007. As Figuras 9 e 10 apresentam os croquis correspondentes e a Figura 11 uma foto da estrutura.

Esta estrutura é composta por pelo menos 56 blocos. De forma análoga à estrutura de blocos J12-2a e J12-2b, parece haver um hiato entre as cotas dos blocos escavados em 2005 (exposições 1 a 3) e dos blocos escavados em 2007 (exposição 4). Entretanto, neste caso parece mais razoável supor se tratar de uma única estrutura já que seus limites eram virtualmente idênticos em todas as exposições. Os limites dessa estrutura configuravam um círculo com cerca de 20 centímetros de diâmetro. De acordo com o croqui da primeira exposição foi encontrado um único osso humano em meio a esses blocos. Infelizmente não há indicação de número de proveniência, tornando muito improvável que esse osso seja identificado em laboratório. Os ossos humanos mais próximos a essa estrutura de blocos eram os osso do Sepultamento 22. De maneira geral os ossos do sepultamento 22 apareceram em cotas em torno de -0,220 e estavam presentes até cotas na ordem de -0,510. Portanto, grosso modo, os blocos da estrutura J12-3 ocupavam a mesma posição vertical que os ossos do sepultamento 22. Uma possibilidade de difícil comprovação é que a estrutura J12-3 estava de fato associada a esses ossos. Entretanto, ela não teria sido colocada por cima deles, mas sim ao seu lado.

Tabela 3. Cota dos blocos da estrutura EB-J12-3
Bloco ID Topo Base Bloco ID Topo Base Bloco ID Topo Base
4 -0.212 -0.3 68 -0.235 -0.288 87 -0.253 -0.273
5 -0.206 -0.257 69 -0.228 -0.297 147 -0.287 -0.335
17 -0.234 -0.255 70 -0.252 -0.306 148 -0.287 -0.351
18 -0.222 -0.242 71 -0.261 n/d 149 -0.27 -0.287
19 -0.231 -0.25 72 -0.258 -0.263 150 -0.268 -0.307
20 -0.225 -0.244 73 -0.252 -0.268 151 -0.286 -0.295
21 -0.205 -0.289 74 -0.254 -0.27 152 -0.282 -0.343
24 -0.215 -0.247 75 -0.266 -0.298 153 -0.263 -0.3
36 -0.261 -0.274 76 -0.267 -0.288 155 -0.283 n/d
37 -0.259 -0.288 77 -0.269 -0.372 206 -0.375 -0.483
38 -0.251 -0.358 78 -0.305 -0.411 207 -0.434 -0.478
39 -0.246 -0.315 79 -0.308 -0.6 208 -0.414 -0.439
40 -0.263 -0.279 80 -0.289 -0.611 209 -0.433 -0.52
41 -0.227 -0.296 81 -0.284 n/d 210 -0.396 -0.437
42 -0.222 -0.246 82 -0.252 -0.31 211 -0.378 -0.45
43 -0.216 -0.246 83 -0.245 -0.31 212 -0.412 -0.524
65 -0.269 n/d 84 -0.266 -0.281 213 -0.413 -0.458
66 -0.248 -0.346 85 -0.267 n/d 214 -0.33 -0.453
67 -0.249 n/d 86 -0.279 n/d

 

Figura 9 – Lapa do Santo. Estrutura EB-J12-3. Exposições 1 e 2. Em vermelho, osso humano.

 

Figura 10 – Lapa do Santo. Estrutura EB-J12-3. Exposições 3 e 4.

 

Figura 11 – Lapa do Santo. Foto da estrutura de blocos EB-J12-3. a) Exposição 2 (foto tirada em 2005). Reparar que na placa de identificação se lê: “SEP 20”. Posteriormente, entretanto, não foi encontrado nenhum osso diretamente associado a essa estrutura; b) exposição 4 (foto tirada em 2007). A estrutura EB-J12-3 não existiu como uma unidade de escavação. Em campo ela como foi parcialmente escavada como pertencendo ao Sep. 20 (que depois deixou de ser Sep. 20) e parcialmente escavada como parte do CEQ da quadra J12. Posteriormente, em laboratório, essas duas fontes foram sobrepostas para caracterizar essa estrutura. Portanto, a indicação na placa (i.e. Sep. 20) que aparece na foto “a” não corresponde à indicação desta legenda e deve ser desconsiderada.

 

 Estrutura de blocos EB-J12-4 (Sepultamento 24)

A estrutura EB-J12-4 localizava-se no limite entre as quadras J12 e J13. Essa estrutura foi parcialmente escavada como associada ao Sepultamento 22 e parcialmente escavada como associada ao Sepultamento 24. O resultado é que seu registro envolve os CESs de ambos os sepultamentos. As Figuras 12 a 15 apresentam essa estrutura em 7 exposições. A primeira foi extraída do CES do Sepultamento 22 e as demais dos CES do Sepultamento 24. A Figura 16 apresenta fotos dessa estrutura.

A princípio, o fato dos CESs de ambos os sepultamentos conterem blocos indicaria que, na realidade, duas estruturas. Entretanto, a posição dos blocos nos CESs era idêntica, sugerindo que se tratava de uma única estrutura de blocos. Além disso, os ossos do Sepultamento 22 encontravam-se ao lado e não abaixo dos blocos (mesmo daqueles que aparecem nos CES do próprio Sepultamento 22). Portanto, sugere-se que os blocos associados no registro de campo ao Sepultamento 22 faziam parte dos blocos que estavam associados ao Sepultamento 24, que juntos compõe a estrutura EB-J12-4. Essa estrutura estaria associada apenas ao Sepultamento 24.

Composta por pelo menos 125 blocos a estrutura apresentava contorno circular bem definido com cerca de 30 centímetros de diâmetro. O topo do bloco mais elevado encontrava-se na cota -0,208 e a base do bloco mais inferior, na cota -0,607. Portanto, a estrutura tinha cerca de 40 centímetros de espessura.

 

Tabela 4. Cota dos blocos da estrutura EB-J12-4
Bloco ID Topo Base Bloco ID Topo Base Bloco ID Topo Base
1 -0.209 n/d s/n -0.496 -0.556 s/n -0.413 -0.467
112 -0.257 -0.27 s/n -0.496 -0.583 s/n -0.411
113 -0.273 n/d s/n -0.493 -0.541 s/n -0.411 -0.512
114 -0.228 n/d s/n -0.489 -0.531 s/n -0.408 -0.447
115 -0.242 n/d s/n -0.487 -0.525 s/n -0.406 -0.478
116 -0.23 -0.276 s/n -0.487 -0.519 s/n -0.397 -0.484
117 -0.259 n/d s/n -0.486 -0.516 s/n -0.395 -0.449
118 -0.264 n/d s/n -0.485 -0.532 s/n -0.389 -0.472
119 -0.266 -0.28 s/n -0.485 -0.533 s/n -0.388 -0.481
123 n/d n/d s/n -0.485 -0.571 s/n -0.386 -0.433
124 -0.258 n/d s/n -0.482 -0.51 s/n -0.381 -0.454
125 -0.265 n/d s/n -0.476 n/d s/n -0.381 n/d
126 -0.296 n/d s/n -0.475 -0.53 s/n -0.377 -0.401
127 -300 -0.344 s/n -0.473 -0.576 s/n -0.375 -0.496
128 -0.277 n/d s/n -0.469 -0.586 s/n -0.373 -0.432
129 -0.282 n/d s/n -0.466 -0.547 s/n -0.37 n/d
130 -0.282 n/d s/n -0.465 -0.535 s/n -0.369 -0.436
131 -0.3 n/d s/n -0.464 -0.526 s/n -0.368 -0.413
206 -0.304 -0.321 s/n -0.462 -0.523 s/n -0.367 -0.468
207 -0.266 n/d s/n -0.462 -0.537 s/n -0.361 -0.439
208 n/d n/d s/n -0.462 n/d s/n -0.358 -0.454
212 -0.293 n/d s/n -0.462 -0.574 s/n -0.358 n/d
213 -0.334 n/d s/n -0.456 -0.528 s/n -0.357 -0.39
214 -0.353 -0.39 s/n -0.456 -0.561 s/n -0.353 -0.43
s/n -0.558 -0.599 s/n -0.452 -0.523 s/n -0.353 n/d
s/n -0.557 -0.59 s/n -0.45 -0.497 s/n -0.352 n/d
s/n -0.547 -0.561 s/n -0.439 -0.51 s/n -0.324 -0.408
s/n -0.545 -0.578 s/n -0.438 -0.499 s/n -0.317 -0.382
s/n -0.545 -0.604 s/n -0.436 -0.532 s/n -0.308 -0.403
s/n -0.537 -0.561 s/n -0.435 -0.498 s/n -0.302 -0.339
s/n -0.533 -0.607 s/n -0.433 -0.474 s/n -0.292 -0.319
s/n -0.525 -0.589 s/n -0.432 -0.506 s/n -0.285 -0.314
s/n -0.521 -0.584 s/n -0.431 n/d s/n -0.284 -0.378
s/n -0.513 -0.573 s/n -0.431 -0.528 s/n -0.275 -0.321
s/n -0.512 -0.565 s/n -0.431 -0.48 s/n -0.27 -0.45
s/n -0.509 -0.565 s/n -0.43 -0.488 s/n -0.269 n/d
s/n -0.504 -0.59 s/n -0.426 -0.46 s/n -0.266 -0.329
s/n -0.503 -0.553 s/n -0.423 -0.459 s/n -0.259 -0.33
s/n -0.501 -0.556 s/n -0.42 -0.464 s/n -0.247 -0.312
s/n -0.498 -0.578 s/n -0.418 -0.577 s/n -0.23 -0.28
s/n -0.498 -0.518 s/n -0.415 n/d s/n -0.225 -0.261
s/n -0.415 -0.466 s/n -0.208 -0.313

 

Figura 8 – Lapa do Santo. Estrutura EB-J12-4. Exposições 1 e 2.

 

Figura 8 – Lapa do Santo. Estrutura EB-J12-4. Exposições 3 e 4.

 

Figura 14 – Lapa do Santo. Estrutura EB-J12-4. Exposições 5 e 6.

 

Figura 15 – Lapa do Santo. Estrutura EB-J12-4. Exposição 7. Em vermelho, ossos do Sepultamento 24.

  

Estruturas de Blocos das Quadras I12 e I13

A região do sítio discutida nesta seção incluí a quadra I12 e a metade sul da quadra I13 (a metade norte não foi escavada). Os sepultamentos 6, 10 e 15 estavam integralmente contidos nessa região; além deles, metade do Sepultamento 7. Três estruturas de blocos estavam presentes: EB-I12-5; EB-I12-6 e EB-I13-7 (Figura 17). Cada uma delas será detalhada a seguir.

Estrutura de Blocos EB-I12-5 (Sepultamento 6)

Esta estrutura de bloco estava localizada na porção sul da quadra I12. Apesar de ter sido associada ao Sepultamento 6, o único registro dessa estrutura encontra-se no CEQ da quadra I12. Ao todo estavam presentes 22 blocos evidenciados em 4 exposições. Enquanto os blocos 27 a 30, 42, 43, 44, 46 e 48 parecem estar nitidamente associados ao Sepultamento 6, por estarem espacialmente restritos ao limite de uma cova, os demais blocos (da exposição 1) são espacialmente mais dispersos. Isso sugere que esses blocos mais superiores não faziam parte da estrutura que recobria o Sepultamento 6. Entretanto, quando a posição vertical desses blocos é levada em consideração eles se encontravam imediatamente acima daqueles. Uma interpretação possível é que a “pilha” de blocos era originalmente mais alta e que ela foi erodida, o que levou à dispersão espacial de blocos observada na primeira exposição. Isso faz sentido já que comparado às demais estruturas de blocos do sítio essa é uma que constituída pelo menos número de blocos, especialmente se os blocos da primeira exposição não fizerem parte da cobertura do sepultamento. As Figuras 18 e 19 apresentam os croquis dessa estrutura. 

 

Figura 16 – Lapa do Santo. Foto da estrutura de blocos EB-J12-4. a) foto da primeira exposição em que é possível observar que os ossos do Sepultamento 22 (seta branca) encontram-se ao lado dos blocos (seta preta); b) foto da exposição 3; c) foto panorâmica em que é possível ver o limite da cova do sepultamento 22, já escavado; d) foto da exposição 4; e) foto da exposição 5; f) foto da exposição 7. A estrutura EB-J12-4 não existiu como uma unidade de escavação. Em campo ela como foi parcialmente escavada como pertencendo ao Sep. 22 e parcialmente escavada como pertencendo ao Sep 24. Posteriormente, em laboratório, o registro de campo desses dois sepultamentos foi sobrepostos para caracterizar essa estrutura. Por isso, as indicações das placas que aparecem nas fotos “a” e “f” não correspondem ao número da exposição indicadas nesta legenda e devem ser desconsideradas.

 

Figura 17 – Lapa do Santo. Croqui das quadras I12 e I13 indicando a posição das estruturas de bloco. Em vermelho a região onde foram encontrados ossos humanos. A linha tracejada indica os limites entre as quadras.

  

Os blocos mais elevados estavam na cota -0,143 e os mais rebaixados nas cotas -0,459. Portanto, essa estrutura tinha cerca de 30 centímetros de espessura.

 

Tabela 5. Cota dos blocos da estrutura EB-I12-5
Bloco ID Topo Base Bloco ID Topo Base Bloco ID Topo Base
1 -0.143 -0.191 13 -0.153 -0.268 30 -0.266 -0.332
2 -0.167 n/d 14 -0.193 -0.285 42 -0.313 -0.327
3 -0.162 -0.239 15 -0.211 n/d 43 -0.303 -0.343
8 -0.178 -0.229 16 -0.21 -0.26 46 -0.367 n/d
9 -0.154 -0.204 17 -0.202 -0.262 48 -0.36 -0.412
10 -0.171 -0.211 27 -0.252 -0.297 49 -0.412 -0.459
11 -0.184 -0.225 28 -0.299 -0.27
12 -0.176 -0.211 29 -0.252 n/d

 

Figura 18 – Lapa do Santo. Estrutura EB-I12-5. Exposições 1 e 2.

 

Figura 19 – Lapa do Santo. Estrutura EB-I12-5. Exposições 3 e 4.

 

Estrutura de Blocos EB-I12-6 (Sepultamento 15)

Metade da estrutura EB-I12-6 localizava-se na quadra I12 e metade na quadra I13. Além disso, essa estrutura foi parcialmente escavada como associada ao Sepultamento 10 e parcialmente escavada como associada ao Sepultamento 15. O resultado é que seu registro é difuso, envolvendo os CEQ das quadras I12 e I13 e os CES dos sepultamentos 10 e 15. As Figuras 20 a 22 apresentam essa estrutura em 6 exposições e na Figura 23 as fotos correspondentes. A primeira foi extraída do CEQ do nível 3 da quadra I13 (feito em 2003), as exposições de número 2 até 4 foram extraídas dos CES do Sepultamento 10 (feitos em 2003) e as exposições 5 e 6 foram extraídas dos CES do Sepultamento 15 (feito em 2005).

Uma importante modificação foi realizada em relação ao que foi registrado em campo. A estrutura de blocos que consta nos CES do Sepultamento 10 deixou de fazer parte dele. A figura x mostra claramente que o Sepultamento 10 encontrava-se ao lado da estrutura. Portanto, ao contrário do que foi indicado em campo não existia uma cobertura de blocos sobre o Sepultamento 10. O que ocorreu foi uma divisão indevida da estrutura EB-I12-6 entre os sepultamentos 10 e 15 quando, na verdade, ela estava associada apenas a esse último.

Foram identificados 57 blocos nessa estrutura. Entretanto, devido às dificuldades de registro expostas a cima esse valor deve ser visto como aproximado. O topo mais elevado encontra-se na cota -0,242 e a base mais rebaixada na cota -0,558. Portanto a espessura dessa estrutura é de cerca de 30 centímetros. O conjunto dos blocos apresenta um perímetro bem delimitado de forma circular com cerca de 40 centímetros de diâmetro. O limite da estrutura encontra-se em total conformidade com o limite da cova do Sepultamento 15. Os blocos da parte inferior da estrutura estão em contato direto com ossos. Portanto, não parece haver qualquer dúvida que essa estrutura de blocos está diretamente associada ao Sepultamento 15.

Tabela 6. Cota dos blocos da estrutura EB-I12-6
Bloco ID Topo Base Bloco ID Topo Base Bloco ID Topo Base
1 -0.302 -0.34 1 -0.525 -0.537 20 -0.33 -0.391
1 -0.314 -0.418 2 -0.52 -0.528 22 -0.321 -0.375
3 -0.334 -0.391 3 -0.473 -0.515 23 -0.331 -0.39
4 -0.31 n/d 4 -0.463 -0.518 24 -0.33 -0.393
5 -0.33 n/d 5 -0.486 -0.518 25 -0.314 -0.387
6 -0.356 -0.391 6 -0.491 -0.515 26 -0.313 -0.378
7 -0.363 n/d 7 -0.507 -0.527 31 -0.376 n/d
8 -0.353 n/d 8 -0.487 -0.515 32 -0.397 n/d
9 -0.362 n/d 22 -0.528 -0.535 33 -0.38 -0.466
10 -0.382 -0.43 23 -0.493 -0.538 34 -0.406 n/d
11 -0.367 -0.436 24 -0.481 -0.554 35 -0.378 n/d
12 -0.413 n/d 25 -0.52 -0.543 36 -0.415 -0.507
13 -0.369 -0.404 39 -0.54 -0.551 37 -0.38 -0.416
39 -0.416 -0.496 40 -0.546 -0.558 38 -0.373 n/d
40 -0.453 n/d 41 -0.508 -0.538 39 -0.366 n/d
44 -0.409 -0.465 5 -0.242 -0.289 45 -0.404 n/d
45 -0.453 -0.514 6 -0.258 -0.353 1 -0.487 n/d
48 -0.456 n/d 7 -0.277 -0.356 2 n/d -0.476
49 -0.457 -0.482 19 -0.302 -0.381 3 n/d -0.515

 

Figura 20 – Lapa do Santo. Estrutura EB-I12-6. Exposições 1 e 2. Em vermelho, ossos humanos do Sepultamento 10.

 

Figura 21 – Lapa do Santo. Estrutura EB-I12-6. Exposições 3 e 4. Em vermelho, ossos humanos do Sepultamento 10.

 

Figura 22 – Lapa do Santo. Estrutura EB-I12-6. Exposições 5 e 6. Em vermelho, ossos humanos do Sepultamento 15.

 

Figura 8 – Lapa do Santo. Foto da estrutura de blocos EB-I12-6. a,b,c) etapa de 2003, correspondem, respectivamente às exposições 2, 3 e 4; d) foto da mesma exposição que a anterior, mostrando como o Sepultamento 10 (indicado pela seta vermelha) encontrava-se ao lado da estrutura de blocos não havendo razão para associá-la a ele; e, f) etapa de 2005, correspondem, respectivamente às exposições 5 e 6. Na última foto é possível observar alguns ossos do Sepultamento 15 logo abaixo dos blocos da estrutura, tornando evidente que todos os blocos recobriam esse sepultamento.

 

Estrutura de Blocos EB-I13-7

Tendo-se em vista que apenas a metade sul da quadra I-13 foi escavada, a EB-I13-7 localiza-se no canto NE dessa meia quadra. Pelas razões enunciadas anteriormente o registro dessa estrutura encontra-se dividido. As Figuras 24 a 28 apresentam essa estrutura em 9 exposições. Dessas, a primeira foi extraída do CEQ do nível 3 da quadra I13 (feito em 2003), as exposições de número 2 até 6 foram extraídas dos CES do Sepultamento 15 (feitos em 2005) e as exposições de 7 a 9 foram extraídas de um croqui existente para as partes mais basais dessa estrutura (feito em 2007).

Estavam presentes pelo menos 65 blocos sendo que a cota do topo do mais elevado era -0,439 e a base do mais rebaixado, -0,775. Portanto a estrutura apresentava cerca de 33 centímetros de espessura.

Tabela 7. Cota dos blocos da estrutura EB-I13-7
Bloco ID Topo Base Bloco ID Topo Base Bloco ID Topo Base
A -0.443 -0.553 33 -0.609 -0.624 14 -0.64 -0.695
B -0.445 -0.48 34 -0.583 -0.608 15 -0.663 -0.705
C -0.471 -0.495 35 -0.598 n/d 16 -0.671 -0.69
D -0.465 -0.487 36 -0.587 n/d 17 -0.648 -0.689
E -0.439 n/d 46 -0.606 n/d 18 -0.625 -0.685
9 -0.518 -0.559 47 -0.604 n/d 19 -0.622 -0.691
11 -0.51 -0.558 48 -0.613 n/d 20 -0.664 -0.725
12 -0.508 -0.557 49 -0.618 n/d 21 -0.64 -0.758
13 -0.511 -0.537 50 -0.634 n/d 22 -0.7 -0.745
14 -0.51 -0.531 1 -0.567 -0.658 23 -0.627 -0.708
15 -0.505 -0.531 2 -0.569 -0.646 24 -0.656 -0.717
16 -0.51 -0.534 3 -0.574 -0.631 25 -0.695 -0.713
19 -0.547 -0.578 4 -0.567 -0.65 26 -0.655 -0.754
20 -0.537 -0.578 5 -0.632 -0.671 27 -0.696 -0.751
26 -0.546 -0.579 6 -0.614 -0.633 28 -0.685 -0.768
27 -0.529 -0.571 7 -0.639 n/d 29 -0.695 -0.729
28 -0.535 -0.6 8 -0.604 -0.661 30 -0.734 -0.766
29 -0.547 -0.626 9 -0.603 -0.649 31 -0.702 -0.729
30 -0.597 -0.598 10 -0.669 -0.715 32 -0.698 -0.748
31 -0.572 n/d 11 -0.615 -0.671 33 -0.717 -0.775
32 -0.573 -0.604 12 -0.624 -0.721 34 -0.704 -0.762
13 -0.661 -0.691 35 -0.726 -0.741

 

Figura 24 – Lapa do Santo. Estrutura EB-I13-7. Exposições 1 e 2.

 

Figura 25 – Lapa do Santo. Estrutura EB-I13-7. Exposições 3 e 4.

 

Figura 26 – Lapa do Santo. Estrutura EB-I13-7. Exposições 5 e 6.

 

Figura 27 – Lapa do Santo. Estrutura EB-I13-7. Exposições 7 e 8.

 

Figura 28 – Lapa do Santo. Estrutura EB-I13-7. Exposição 9.

 

Estrutura de Blocos EB-J10-8 (Sepultamento 12)

De acordo com a FES do Sepultamento 12 havia uma cobertura de blocos sobre a cova. Entretanto, nos CESs essa cobertura não foi registrada. Nos CEQs da quadra H12, na região onde foi encontrado esse sepultamento, também não está indicada tal estrutura. Entretanto, existe no mesmo CEQ uma série de anotações referentes aos topos e base de sete blocos (numerados de 1 a 7), dos quais apenas o primeiro e último aparecem de fato nos CEQ, sendo que este último esta nitidamente dentro dos limites da cova do Sepultamento 12 (vide figura 29). Nas duas únicas fotos que foram tiradas em campo dos níveis em questão é possível observar, na região em que viria a se localizar o Sepultamento 12, um aglomerado de blocos (30). Portanto, a explicação mais plausível é que o registro dessa estrutura de blocos encontrava-se num CEQ não localizado. Dos sete blocos cujos topos e bases foram anotados é muito provável que quase todos tenham feito parte dessa estrutura. Assim, será assumido que a estrutura EB-H12-8 era composta pelos blocos de numero 2 a 7. Portanto, a estrutura EB-H12-8 era composta por seis blocos sendo que o topo do bloco mais elevado encontrava-se na cota -0.243 e base do bloco mais inferior, na cota -0,587, indicando uma espessura de cerca de 35 centímetros para a estrutura.

Tabela 8. Cota dos blocos da estrutura EB- H12-8
Bloco ID Topo Base
1 -0.216 -0.308
2 -0.243 -0.318
3 -0.295 -0.368
4 -0.31 -0.376
5 -0.346 -0.373
6 -0.342 -0.376
7 -0.527 -0.587

 

Figura 29 – Lapa do Santo. Croqui de escavação da quadra H12. Apenas os blocos 1 e 7 aparecem nos CEQ. Os demais blocos devem ter sido registrados num CEQ que não foi localizado.

 

Figura 30 – Lapa do Santo. Essas são as únicas duas fotos em que é possível observar a estrutura EB-H12-8. Na foto “a” a quadra H12 foi fotografada de sul para norte e na foto “b” de norte para sul. As setas pretas indicam a localização da estrutura.

 

Estrutura de Bloco EB-J10-9 (Sepultamento 4)

Metade da estrutura EB-J10-9 localizava-se na quadra J10 e metade, na quadra J11. Além disso, enquanto o registro das porções mais superiores dessa estrutura encontra-se nos CEQs, sua parte mais basal foi registrada como parte da primeira exposição do Sepultamento 4. Além disso, com relação à parte mais superior, o registro encontra-se dividido entre o CEQ da quadra J10, o CEQ da quadra J11 e um terceiro croqui no qual a estrutura foi desenhada em detalhes. Mais uma vez, essa multiplicidade de fontes tornou difícil a reconstituição da estrutura como um todo, especialmente no que se refere ao reconhecimento dos números de identificação de cada bloco. A Figura x apresenta a síntese feita a partir dessas diferentes fontes, que resultou em 3 exposições para a estrutura EB-J10-9. A primeira exposição foi extraída do CEQ do nível 1 da quadra J10 (feito em 2003), a exposição 2 foi composta a partir dos CEQ do nível 2 da quadra J11 e de outro croqui feito especialmente para o registro dessa estrutura. Por fim, a terceira exposição da EB-J10-9 refere-se àquilo que foi originalmente escavado como a primeira exposição do Sepultamento 4.

Ao todo estavam presentes 36 blocos na estrutura, sendo que o topo do bloco mais elevado estava na cota 0,174 e a base do bloco mais rebaixado na cota -0,049. A estrutura apresentava, portanto, cerca de 22 centímetros de espessura. O contato dos blocos da parte basal da estrutura com os ossos do Sepultamento 4 e o fato dos limites da estrutura e do sepultamento serem concordantes parecem não deixar dúvida da associação entre eles (Figuras 31 e 32). Ao contrário do que ocorre com as outras estruturas de blocos presentes no sítio, na EB-J10-9 os blocos eram de quartzo, uma matéria prima que, até onde se sabe, não ocorre naturalmente nos abrigos da região. 


Figura 31 – Lapa do Santo. Estrutura EB-J10-9. Da esquerda para a direita as exposições de número um a três. Em cinza os blocos de quartzo, em laranja concreções e, em vermelho, ossos humanos do Sepultamento 4.

 

Tabela 9. Cota dos blocos da estrutura EB-J10-8
Bloco ID Topo Base Bloco ID Topo Base Bloco ID Topo Base
1 0.116 n/d 15 0.079 0.052 27 0.07 0.035
2 0.138 n/d 16 0.088 0.048 28 0.077 0.012
3 0.174 0.119 17 0.091 0.033 29 0.095 0.061
4 0.154 n/d 18 0.048 -0.004 30 0.092 0.06
7 (1) 0.127 0.061 19 0.064 0.025 31 0.096 0.021
8 (2) 0.15 0.085 20 0.083 0.016 32 n/d n/d
9 (3) 0.118 0.057 21 0.099 0.047 33 0.095 0.028
10 (4) 0.084 0.047 22 0.065 0.057 34 0.055 0.001
11 (5) 0.122 0.073 23 0.076 0.022 35 -0.049 -0.022
12 (6) 0.093 0.045 24 0.058 0.035 36 0.057 0.022
13 (6) 0.111 0.079 25 0.072 0.024 37 0.046 -0.006
14 0.14 0.062 26 0.086 0.039 38 0.078 0.035


10 Tabela síntese

 

Tabela 10. Síntese sobre as estruturas de blocos.
Id. Localização Topo Base Espessura (cm) N de Blocos Associação
EB-1 J12 -0,084 -0,187 10 38 Sep. 19
EB-2a J12, K12 -0,062 -0,211 15 26 Nenhuma
EB-2b J12, K12 -0,293 -0,472 18 11 Nenhuma
EB-3 J12 -0,206 -0,524 32 56 Nenhuma
EB-4 J12, K12, J13, K13 -0,208 -0,607 40 125 Sep. 24
EB-5 I12 -0,143 -0,459 32 22 Sep. 6
EB-6 I12, I13 -0,242 -0,558 32 57 Sep. 15
EB-7 I13 -0,439 -0,775 34 65 Nenhuma
EB-8 H12 -0,243 -0,587 34 6 Sep. 12
EB-9 J10, J11 0,174 -0,049 22 36 Sep. 4

 

 

Figura 32 – Foto da estrutura de blocos EB-J10-9. a) foto geral da quadra J10 e da parte sul da quadra J11; onde elas se encontram é possível observar os blocos da estrutura nos estágios iniciais de sua exposição (seta preta); b e c) exposição 3; d, e) os blocos estavam localizados imediatamente acima dos ossos humanos, tornando inconteste sua associação com o sepultamento. A estrutura EB-J10-9 não existiu como uma unidade de escavação. Em campo ela como foi parcialmente escavada como pertencendo ao Sep. 4 e parcialmente escavada como parte do CEQ das quadras J10 e J11. Posteriormente, em laboratório, o registro de campo dessas fontes foram sobrepostos para caracterizar essa estrutura. Por isso, as indicações das placas que aparecem nas fotos “b” e “c” não correspondem ao número da exposição indicadas nesta legenda e devem ser desconsideradas.