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Oficina lança aplicativo de contextualização de notícias

As pesquisadoras Daniela Osvald e Jessica Tarasoff desenvolveram um aplicativo de contextualização de notícias, que busca pensar criticamente sobre o que é publicado na imprensa com a ajuda de histórias partilhadas pelos próprios seus usuários do app e do banco de dados do Núcleo de Estudos da Violência (NEV). Ainda em fase inicial, como demonstração do mínimo produto viável (MVP), ele será lançado na oficina “Imprensa, Violência e Juventude” da Agenda Jovem da Semana AMI Global no dia 2 de novembro. (Inscreva-se aqui)

A ideia surgiu após Osvald procurar Tarasoff para auxílio técnico sobre o projeto de atualização do banco de dados do Núcleo de Estudos da Violência (NEV), mas o que ambas perceberam é que poderiam fazer algo a mais.  “Se a gente só consertasse o banco de dados do NEV, a gente estaria resolvendo o problema, mas não o problema certo,” conta Tarasoff. “Antes de fazer qualquer coisa a gente precisava entender porque esse projeto era relevante”.

“Conversando com os repórteres do Estadão, a gente viu que seria interessante fazer um levantamento de dados sobre o PCC de janeiro à maio de 2006,” afirma Osvald. Entre o levantamento que deu origem ao app, a pesquisadora revela que foram selecionadas mais de 300 entradas de dados entre as notícias, todas com textos e algumas com imagens. “Foi um processo bem longo para entender em que medida faria sentido para integrar o mercado e a Universidade com o projeto”.

O MVP do aplicativo, que é o mínimo necessário para que ele possa funcionar em sua essência, se trata de uma construção coletiva e mais ampla sobre determinadas notícias. Ele consiste em uma linha do tempo de reportagens relacionadas sobre um tema, no caso, sobre o PCC. A partir disso, o intuito é que o usuário possa interagir com a notícia, fazendo perguntas à ela e compartilhando e contextualizando suas próprias histórias, de modo a enriquecer sua própria experiência e a de outros usuários.

“A ideia é que a própria comunidade consiga definir o que é relevante e o que não é a partir da experiência do usuário,” relata Tarasoff. “Ao invés de nos posicionarmos como um aplicativo que estaria atacando os jornais, queremos proporcionar uma reflexão que seja fundamental para os próprios jornais”.

Para isso, elas esperam que o aplicativo vá além de comentários rasos sobre notícias fragmentadas. “É um app de contexto que busca entender as notícias a partir da noção que os dados trazem informações,” afirma Osvald. E que a partir delas poderíamos ter uma noção mais atenta sobre o que está, de fato, acontecendo, e como isso é divulgado na imprensa.

“Se eu vejo uma notícia alarmante de estupro, mas não consigo ver essa notícia em contexto com todas as outras notícias relacionadas com esse tema, eu não entendo de verdade o que é esse problema,” diz Tarasoff. “Partimos do princípio de que ao proporcionar uma ferramenta para as pessoas relacionarem notícias e entenderem como tudo faz parte de um mesmo histórico, isso faz com que as pessoas tenham uma reflexão mais aprofundada sobre o tema e interajam diferente com as notícias.”

A ideia das pesquisadoras é continuar evoluindo o aplicativo a partir da primeira recepção das pessoas no evento, para terem diretrizes sobre o que melhorar e o que manter. E se a ideia for bem sucedida, um possível futuro seria a inclusão de pacotes temáticos sobre acontecimentos específicos, como violência contra a mulher, entre outros.