Rancho tropeiro

Franta Richter (entre 1872 e 1883-1964) Pouso de tropeiros em Cubatão, 1826, [1922] óleo sobre tela, 111,5 x 146,5 cm Museu Paulista da USP

Mariana Martins Evangelista Santos

Tags : tropeirismo; rancho; viagem; Santos; Cubatão; Daniel Parish Kidder.

Locais comumente encontrados próximos a estradas e caminhos, com o objetivo principal de abrigar temporariamente tropas que estivessem de passagem e precisassem descansar após o dia de jornada. Eram muitas vezes construídos pelos próprios fazendeiros da região e, eventualmente, sucedidos pela construção de uma capela e de vendas que pudessem atender as necessidades dos tropeiros. Normalmente eram um espaço coberto composto de um telhado de sapé sustentado por hastes de madeira, com as laterais na maioria das vezes abertas e tamanhos variados.

Em um trecho de seu relato publicado no livro Reminiscências de viagens e permanência no Brasil, Daniel Parish Kidder (1815-1891) descreve sua viagem partindo da cidade de Santos e subindo a Serra do Mar rumo à São Paulo. Ele realiza esse percurso acompanhando uma tropa e, em determinado momento, relata que fizeram uma parada em um rancho, afirmando o seguinte sobre esses locais:

Quando a chuva cessou, prosseguimos viagem até o Rio Pequeno e paramos num rancho construído à margem. Esta palavra é frequentemente encontrada nas descrições de viagem, tanto em espanhol como em português e, portanto, faz-se necessário explicar o que significa ela no Brasil. O rancho comum nada mais é que uma coberta, ou antes um teto de sapé, sustentado por moirões, tendo inteiramente aberto o espaço que lhe fica por baixo. É propositadamente construído para abrigar os viajantes e suas dimensões dependem da liberalidade dos habitantes do lugar. Às vezes esses rústicos abrigos medem de 60 a 100 pés de comprimento, sendo a largura proporcional. De raro em raro encontram-se ranchos fechados. Os viajantes que chegam primeiro escolhem a melhor acomodação. Descarregam as mulas e empilham as carga e os arreios, às vezes em forma de quadrado, dentro do qual deixam para repousar sobre peles estendidas no chão ou redes. Durante a noite soltam os animais no pasto e, levando cada tropa o seu trem de cozinha, têm os tropeiros tempo o suficiente para preparar a refeição enquanto os animais descansam. ( 2001, p. 185-186)

Imagem:

Franta Richter (entre 1872 e 1883-1964)
Pouso de tropeiros em Cubatão, 1826, [1922]
óleo sobre tela, 111,5 x 146,5 cm
Museu Paulista da USP

 

 

Referências:

KIDDER, Daniel Parrish. Reminiscências de viagens e permanência no Brasil: Rio de Janeiro e província de São Paulo, compreendendo notícias históricas e geográficas do Império e das diversas províncias . Tradução Moacir N. Vasconcelos. Brasília: Senado Federal, 2001. (Coleção O Brasil visto por estrangeiros. Série viajantes)

ALGATÃO, Filipe Co rdeiro de Souza . O tropeiro como propagador cultural e mola mestra da cultura cafeeira no século XIX. Histórica , v. 41, 2 mar. 2010. Disponível em: https://www.arquivoestado.sp.gov.br/uploads/publicacoes/revistas/historica41.pdf . Acesso em: 11 nov. 2024.

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