Larissa Del Rey
Tags: bebida; aguardente; cana-de-açúcar; São Paulo; Minas Gerais; Luís d’Alincourt; Johann Moritz Rugendas.
A aguardente, considerada a primeira bebida destilada da América Latina, é produzida a partir da destilação do bagaço da cana-de-açúcar. De grande importância histórica e econômica, sua origem remonta ao século XVI, provavelmente entre os anos de 1516 e 1532, no litoral paulista. Notada pelo viajante Luís d’Alincourt (1787-1839) como uma das principais fontes de renda de muitos habitantes da cidade São Paulo e região, em 1811.
A aguardente é mencionada em diversos trechos do percurso de d’Alincourt durante sua passagem por São Paulo. Em uma de suas descrições, ele relata: “Este homem existe aqui há vinte anos, e tem de idade setenta, conservando-se ainda muito robusto, e trabalhador; vive das suas plantações, principalmente da cana-de-açúcar, de que faz aguardente; a sua morada perto do morro de Jaraguaí, a três léguas da cidade”. (2006 [1818], p. 26)
A importância da produção de aguardente para a economia brasileira, presente desde sua criação, é evidenciada pelo viajante ao longo de sua jornada, especialmente em regiões onde pequenos produtores tiram seu sustento da terra e têm na aguardente sua principal fonte de renda. A matéria-prima da cachaça, a cana-de-açúcar, desenvolve-se bem em climas tropicais, sendo amplamente cultivada no Brasil, com destaque para os estados de São Paulo e Minas Gerais.
Além de seu papel econômico, a aguardente possui grande relevância cultural. Ela esteve presente em momentos marcantes da história do Brasil, como na rebelião de 1661 contra os altos impostos coloniais sobre a bebida — evento que deu origem ao Dia Nacional da Cachaça, celebrado em 13 de setembro. Assim, a aguardente tornou-se também um símbolo de resistência.
Atualmente, a bebida continua sendo significativa tanto econômica quanto culturalmente. É a segunda bebida alcoólica mais consumida no país e é reconhecida internacionalmente como um símbolo da cultura brasileira. Em 2023, as exportações da bebida superaram os 20 milhões de dólares, segundo o Anuário da Cachaça do governo brasileiro.
Imagem:

Engenho de açúcar, [1835]
litografia sobre papel
Parte do álbum “Viagem pitoresca através do Brasil”
Disponível em: https://digital.bbm.usp.br/view/?45000001783&bbm/8149#page/408/mode/2up
Referências:
CERQUEIRA, Caroline Queiroz; MARCOLINO, Sandra Regina; ALMEIDA, Jhenyfer. A origem da cachaça e sua importância na história brasileira. Revista Biodiversidade UFMT – v.23, n.4, 2024, p.144. Disponível em: https://periodicoscientificos.ufmt.br/ojs/index.php/biodiversidade/article/view/18877. Acesso em: 18 maio 2025.
D’ALINCOURT, Luís. Memória sobre a viagem do Porto de Santos à cidade de Cuiabá. Brasília: Senado Federal: Conselho Editorial, 2006. Disponível em: http://www2.senado.leg.br/bdsf/handle/id/1113.
História da Cachaça. Instituto Brasileiro da Cachaça. Disponível em: https://ibrac.net/cachaca/1/historia-da-cachaca Acesso em: 18 maio 2025.
Anuário da cachaça. Ministério da Agricultura e Pecuária. Disponível em: https://www.gov.br/agricultura/pt-br/assuntos/inspecao/produtos-vegetal/anuarios-de-produtos-de-origem-vegetal-pasta/anuario-da-cachaca-2024-ano-referencia-2023.pdf
Acesso em: 18 maio 2025.


