Felipe Cintra Nogueira Maciel
Assunto: Fauna; Costumes; Alimentação; Lendas e Histórias.
A Anta-brasileira (Tapirus Terrestris) é o maior mamífero terrestre do Brasil, podendo pesar até 300 quilos, e se diferencia fisionomicamente de outras espécies de anta por sua crina. É o único remanescente da megafauna brasileira e tem uma dieta composta principalmente de frutos, com um importante papel na dispersão de sementes de palmeiras, como o buriti. A primeira descrição formal da espécie foi feita pelo zoólogo suéco Carl Linnaeus em seu livro Systema Naturae (1758), na qual considerou a anta primordialmente como uma espécie do gênero hippopotamus.
A anta tem um comportamento tipicamente crepuscular, sendo mais ativa durante o amanhecer e o anoitecer, e bastante solitário, sendo raramente encontrada em casais ou grupos formados por mães e filhotes. Seus predadores são a onça pintada e a (Panthera onca) e a onça-parda (Puma concolor), predando principalmente os filhotes. Hoje a anta é considerada uma espécie vulnerável pela União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN).
No diário de Hercule Florence, registrado durante a Expedição Langsdorff, o viajante descreve a caçada de anta que presenciou enquanto hospedado na Fazenda Pederneiras como um espetáculo em que o animal demonstrava suas excelentes habilidades como nadador, mergulhando e nadando longas distâncias no fundo do rio tentando escapar da morte, até que é abatido ao tentar escapar por uma das margens. Florence nos conta uma história que ouvira sobre a força do animal que, certa vez, ao ser laçado por dois pescadores e amarrado a uma canoa teria puxado a embarcação até a margem, fazendo a popa submergir ao seco. Além disso, podemos encontrar em seu diário relatos sobre o consumo da carne de anta por monçoeiros e a secagem de seu couro. Na carta do Padre Anchieta sobre as Produções Naturais de São Vicente, de 31 de maio de 1560, a anta é descrita como um animal próprio para se comer, que assobia ao invés de gritar, e que de seu couro endurecido pelo sol os indígenas produzem broquéis resistentes e impenetráveis pelas flechas, o que corrobora com as descrições de Hercule Florence.

Referências :
FLORENCE, Hercule. Viagem Fluvial do Tietê ao Amazonas de 1825 a 1829.
Brasília: Senado Federal, Conselho Editorial, 2007. (Edições do Senado Federal). Tradução
do Visconde de Taunay. Edições do Senado Federal; v. 93.
FLORENCE, Hercule. Viagem Fluvial do Tietê ao Amazonas: pelas províncias
brasileiras de São Paulo, Mato Grosso e Grão-Pará (1825-1829). São Paulo: Museu de Arte de
São Paulo Assis Chateaubriand, 1977.
IHERING, R. Von. Da vida de nossos animais. Fauna do Brasil. 3. ed., São Leopoldo,
Rottermund & Co., 1953.
PAPAVERO, Nelson; TEIXEIRA, Dante Martins. A fauna de São Paulo: nos séculos
xvi a xviii, nos textos de viajantes, cronistas, missionários e relatos monçoeiros. São Paulo:
Editora da Universidade de São Paulo, 2007. 300 p.


