Mário Philipe de Jesus Souza
Tags: indígenas; bebida; jacuba; chibé; expedições; Hercule Florence; Luís D’Alincourt.
Existem vários locais no Brasil com o nome Jacuba, incluindo uma localidade rural de Resende (RJ), um distrito de Arealva (SP), um rio em Goiás, um ribeirão em São Paulo e um distrito que deu origem ao município de Hortolândia (SP). Além disso, Jacuba se refere a uma bebida de origem indígena, e justamente por isso, existe essa capilaridade no uso do vocábulo. Além disso, é atualmente o nome de marcas de cachaça.
A origem da palavra vem do tupi-guarani, significando “água quente”, e também faz referência a um pirão revigorante de farinha, cachaça, açúcar e mel. Por ser uma bebida típica indígena, suas variações se deram com o tempo e as diferentes influências e particularidades de diversas regiões do país. 1
Na região amazônica, o chibé — também chamado de jacuba em algumas localidades — é uma bebida ou papa preparada com água e farinha de mandioca. Tradicionalmente, os indígenas acrescentavam açúcar ou sal ao chibé para consumi-lo com carne de caça ou outras fontes de proteína. 2 No tupi-guarani, chibé significa “meu caldo” e se trata de um mingau de farinha, conforme se observa no artigo: “O dilema do papa-chibé: consumo alimentar, nutrição e práticas de intervenção na Ilha de Ituqui, baixo Amazonas, Pará”.
Em algumas regiões, o chibé é feito bem ralo, quase como um suco. Em outras, torna-se mais denso, quase como uma tapioca. 3
Luís D’Alincourt nasceu em Oeiras, em 1787, e faleceu no Espírito Santo, em 1841. Destacou-se como militar, oficial do Real Corpo de Engenheiros, escritor, ensaísta, memorialista, pensador, ativista, intelectual e pesquisador português radicado no Brasil. Filho de Luís D’Alincourt, de nacionalidade francesa, e de D. Anna D’Alincourt, portuguesa, iniciou formação em sua terra natal, seguindo posteriormente a carreira militar. Em 1799, alistou-se no Quartel da Brigada Real, transferindo-se, mais tarde, para o Regimento de Artilharia de Lisboa. Em 1808, acompanhou a Família Real portuguesa na transferência para o Rio de Janeiro, promovido a oficial no ano seguinte. Concluiu o curso da antiga Academia Militar do Rio de Janeiro, a partir do qual assumiu diversas comissões de relevo: na Bahia (1816), em Pernambuco (1818), em Mato Grosso (1822-1830) e no Espírito Santo (1831-1841), onde, ao que tudo indica, veio a falecer. Assim como H e rcule Florence ( 1804-1879 ), D’Alincourt prestou valiosos serviços por meio de suas expedições de pesquisa pelo interior do Brasil, especialmente nas Províncias de Mato Grosso e Goiás, na região Centro-Oeste. Foi autor de diversos trabalhos estatísticos e topográficos, entre os quais se destaca a Memória de sua viagem a Cuiabá em 1811, publicada pela Universidade de São Paulo em 1975. 4
Em seu texto “Memória sobre a viagem do porto de Santos à cidade de Cuiabá”, d’Alincourt expõe os costumes dos locais a partir de seu contato direto com os habitantes. Neste trecho aborda a bebida jacuba:
[ … ] o seu pão é a farinha de milho: para fazerem lançam o grão de molho até fermentar, pilam-no depois, e torram a farinha; a qual, deitada em água forma uma bebida, a que chamam jacuba, que têm por muito saborosa, e fresca; fazem uso do leite, do toucinho, e de alguma carne salgada ou seca, mas não todos os dias. ( 2006, p. 26)
Conforme se observa, a jacuba ou chibé possui variações em sua receita, mas utiliza como base uma farinha (de milho segundo d’Alincourt e de mandioca para regiões amazônicas). O inegável é que essa iguaria exerce influência cultural até os dias atuais.
Imagens:


Disponível em: https://globoplay.globo.com/v/3612475/. Acesso em: 4 jun. 2025.
Referências:
Chibé ou Jacuba é uma bebida brasileira típica da culinária tupi. Disponível em: https://portalamazonia.com/amazonia-de-a-a-z/c/chibe/. Acesso em: 4 jun. 2025.
Chibé serve como base para várias receitas. Disponível em: https://www.gastronomiaparaense.com/post/chib%C3%A9-serve-como-base-para-v%C3%A1rias-receitas#:~:text=Iguaria%20oriunda%20do%20povo%20Tupi%2C%20o%20chib%C3%A9%2C,prote%C3%ADna.%20No%20tupi%2Dguarani%2C%20chib%C3%A9%20significa%20%E2%80%9Cmeu%20caldo%E2%80%9D. Acesso em: 4 jun. 2025.
D’Alincourt, Luís d’. Memória sobre a viagem do porto de Santos à cidade de Cuiabá. Brasília: Senado Federal, 2006.
https://www.cachacajacuba.com.br/.
Luís D’Alincourt. Biobibliografia. Disponível em: https://estacaocapixaba.com.br/luis-dalincourt-biobibliografia/. Acesso em: 04 jun. 2025.
MURRIETA, Rui Sérgio Sereni. O dilema do papa-chibé: consumo alimentar, nutrição e práticas de intervenção na Ilha de Ituqui, baixo Amazonas, Pará. Revista de antropologia, v. 41, p. 97-150, 1998. Disponível em: https://www.scielo.br/j/ra/a/4yCKbDknHMM7VwWgFrcMsRt/?lang=pt. Acesso em: 4 jun. 2025.
1 https://www.cachacajacuba.com.br/
2 https://www.gastronomiaparaense.com/post/chib%C3%A9-serve-como-base-para-v%C3%A1rias-
3 https://portalamazonia.com/amazonia-de-a-a-z/c/chibe/
4 https://estacaocapixaba.com.br/luis-dalincourt-biobibliografia/


