Bildung é um conceito alemão que denota um processo contínuo de formação, conhecimento, autodesenvolvimento e individuação, abrangendo aspectos culturais, educacionais e espirituais. Fortemente vinculado à filosofia humanista, Bildung é descrito como um movimento de transformação do indivíduo, que ao viver novas experiências, se desenvolve e vê o mundo de forma diferente. Este conceito pode ser notado em pensadores como Wilhelm von Humboldt (1767-1835) e Johann Wolfgang von Goethe (1749-1832). Bildung integra a ideia de uma origem humana comum e da necessidade de um universalismo cultural. Bildung, como processo de individuação, pode ocorrer em viagens, leituras ou traduções, atuando como uma ponte que conecta culturas e promove o crescimento intelectual e moral tanto do autor quanto do leitor.
Ida Pfeiffer (1797-1858), em sua obra A jornada de uma mulher ao redor do mundo, personifica o conceito de Bildung ao explorar culturas estrangeiras e confrontar suas próprias perspectivas com as realidades que encontrou, como o regime escravocrata brasileiro. Gisele Jordana Eberspächer (2020) destaca que o relato de Pfeiffer não apenas contribui para o imaginário europeu sobre o Brasil, mas também desafia os leitores contemporâneos a um processo de autocrítica e transformação.
A literatura de viagem germânica, como a de Pfeiffer, reflete a essência de Bildung ao apresentar a viagem e a escrita como experiências formadoras. Segundo Eberspächer, a tradução desses textos é um ato de mediação que aproxima leitores de contextos culturais distantes, promovendo um diálogo intercultural e a construção de uma visão mais ampla sobre a humanidade. Este processo evidencia o papel da literatura de viagem no desenvolvimento de um universalismo cultural, baseado na visão de mundo eurocêntrica e alinhada ao ideal de Bildung como uma prática contínua de aprendizado e transformação.

