Brás Cubas

Benedito Calixto (1853-1927) Retrato de Brás Cubas, 1903 Óleo sobre tela 224 x 128 cm Fundação Pinacoteca Benedicto Calixto

Fernanda Nascimento de Carvalho

  • Brás Cubas – navegador português, fundador da vila de Santos

  • Definição: Fidalgo nascido em 1507, na cidade de Porto, em Portugal. Navegou para o Brasil na frota de Martim Afonso de Sousa, atracando no litoral paulista em 1532, onde recebeu sesmarias da Coroa Portuguesa. Segundo o viajante Luís D’Alincourt, Brás Cubas fundou o hospital junto à Casa da Misericórdia para socorrer marinheiros, o qual nomeou Hospital de Todos os Santos, em imitação a um hospital em Lisboa. Atualmente em outro edifício, renomeado como Santa Casa da Misericórdia de Santos, a instituição segue atendendo a população de Santos.

  • Relação com o material estudado:

O viajante Luís D’Alincourt, engenheiro militar de origem franco-portuguesa, faz menção à figura histórica de Brás Cubas logo no primeiro capítulo de seu livro “Memórias sobre a Viagem do Porto de Santos à Cidade de Cuibá” (1825).

Brás Cubas, cavaleiro fidalgo, possuía as terras de Jeribatiba, que estão além do rio em frente a Engua-guaçu; e por ficarem muito distantes de S. Vicente, lembrou-se de fazer estabelecimento em sítio mais azado para o embarque, e desembarque dos gêneros, que, sendo de fácil comunicação com a vila, estivesse ao mesmo tempo próximo à sua fazenda: e para este fim comprou a um dos sócios parte das suas terras, a qual se achava ainda coberta de mato virgem, e compreendia o outeirinho de Santa Catarina, junto ao qual deu princípio à nova povoação em 1543; e com ele o teve igualmente a vila de Santos, que reconhece ao mesmo Brás Cubas por seu fundador. (D’Alincourt, 2006, p. 12-13)

O breve relato sobre a fundação da Vila de Santos por Brás Cubas compõe a descrição do cenário visitado por D’Alincourt em 1818. Muito elogioso em relação ao Porto de Santos, o autor descreve o desenvolvimento da vila a partir do outeiro de Santa Catarina com a fundação do Hospital de Todos os Santos junto a Casa da Misericórdia pelo fidalgo português.

Assim se conservou a povoação por alguns anos, até que o sobredito Brás Cubas fundou um hospital junto à Casa da Misericórdia, para socorro dos marinheiros, que adoeciam, e lhe deu o apelido de Santos, à imitação de um semelhante em Lisboa. Este nome bem depressa se estendeu a toda a povoação, que até hoje se ficou chamando porto de Santos, que, pelos cuidados do seu fundador, foi ereta em vila, nos fins do ano de 1546. (D’Alincourt, 2006, p. 13)

Brás Cubas, conhecido por elevar o povoado da região de Santos à categoria de Vila em 1546, hoje talvez não seja lembrado como nos tempos de D’Alincourt, pois teve seu nome emprestado a outra figura muito mais prestigiada na atualidade. Diferentemente de seu companheiro Martim Afonso, que virou personagem principal no livro Iracema, de José de Alencar, o Brás Cubas que aqui descrevemos não é o mesmo da literatura de Machado de Assis. Em uma passagem do livro, o personagem principal de “Memórias póstumas de Brás Cubas” comenta a inspiração de seu nome, escolhido para disfarçar a origem humilde de sua família.

Como este apelido de Cubas lhe cheirasse excessivamente a tanoaria, alegava meu pai, bisneto de Damião, que o dito apelido fora dado a um cavaleiro, herói nas jornadas da África, em prêmio da façanha que praticou, arrebatando trezentas cubas aos mouros. Meu pai era homem de imaginação; […] Releva notar que ele não recorreu à inventiva senão depois de experimentar a falsificação; primeiramente, entroncou-se na família daquele meu famoso homônimo, o capitão-mor, Brás Cubas, que fundou a vila de São Vicente, onde morreu em 1592, e por esse motivo é que me deu o nome de Brás. Opôsse-lhe, porém, a família do capitão-mor, e foi então que ele imaginou as trezentas cubas mouriscas. (Assis, 2018, p.11).

No começo do século XX, muito tempo após a morte do primeiro Brás Cubas em 1592, o pintor Benedito Calixto de Jesus pintou um retrato em homenagem ao navegador, no qual ele foi representado ao lado de uma construção com ferramentas aos pés, em provável referência à construção do hospital. A pintura a óleo foi doada à Câmara Municipal de Santos e está atualmente exposta na Pinacoteca Benidicto Calixto. O quadro obviamente não ilustra a imagem de Cubas como ele foi, porém, serve como fonte de memória e homenagem a este personagem relevante para o crescimento e o desenvolvimento da atual cidade de Santos.

  • Referências utilizadas:

ASSIS, Machado de. Memórias póstumas de Brás Cubas. Brasília: Câmara dos Deputados, Edições Câmara, 2018.

D’ALINCOURT, Luís. Memória sobre a viagem do Porto de Santos à cidade de Cuiabá. Brasília: Senado Federal: Conselho Editorial, 2006.

FUNDAÇÃO PINACOTECA PINACOTECA DE SANTOS. Acervo. Disponível em: https://pinacotecadesantos.org.br/pinacotecadigital.html. Acesso em: 25 jun. de 2025.

PREFEITURA DE SANTOS. 478 anos: Braz Cubas iniciou o conhecido pioneirismo da história de Santos. Disponível em: https://www.santos.sp.gov.br/?q=noticia/478-anos-braz-cubas-iniciou-o-conhecido-pioneirismo-da-historia-de-santos. Acesso em: 25 jun. de 2025.

SANTA CASA DE SANTOS. Santa Casa da Misericórdia de Santos: Sinopse Histórica. História. Disponível em: https://santacasadesantos.org.br/portal/hospital/historia. Acesso em: 25 de jun. de 2025.

  • Imagem:

Benedito Calixto (1853-1927)
Retrato de Brás Cubas, 1903
Óleo sobre tela 224 x 128 cm
Fundação Pinacoteca Benedicto Calixto

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