Mariana Gaia Cazassa Festa
Tags: escola; jesuítas; sistema Lancasteriano; população negra; Ida Pfeiffer; Daniel Parish Kidder.
A escola é uma instituição dedicada à formação dos indivíduos, fornecendo educação formal em várias áreas do conhecimento. No Brasil, a escola se consolidou com a chegada dos jesuítas no século XVI e se expandiu ao longo dos séculos, especialmente durante o Império, quando surgiram tentativas de universalizar a educação, como o sistema Lancasteriano. Esse modelo de ensino mútuo, desenvolvido por Lancaster, tinha como objetivo educar um grande número de alunos com poucos recursos, utilizando alunos mais avançados como monitores para ensinar seus colegas.
Ida Pfeiffer (1797-1858), em seu relato de viagem ao Brasil em 1846, faz uma observação crítica sobre o acesso à educação no país, particularmente em relação aos negros. Em suas narrativas, menciona:
Nenhuma escola é erguida para eles, eles não assistem nenhuma aula; não se oferece o mínimo para desenvolver suas capacidades. Suas mentes são mantidas aprisionadas, como era o caso em países antigos déspotas, já que o despertar deste povo deve deixar os brancos com medo. (Pfeiffer, 2019, p. 134).
Essa afirmação reflete as condições de exclusão vividas pela população negra no Brasil escravista, contrastando com o ideal europeu de educação ao qual Pfeiffer estava acostumada. No livro Reminiscências de viagens e permanência no Brasil, Daniel Parish Kidder (1815-1891) relata sua visita a uma escola em São Paulo que adotava o sistema Lancasteriano:
Esta era positivamente a mais florescente que tivemos ocasião de ver no Império. Tinha cento e cinquenta e seis alunos, na sua maioria, brancos, mas os ligeiros salpicos com que alguns mulatinhos e negrinhos pontilhavam a garotada, emprestavam certa variedade. Os alunos das diversas classes respondiam com vivacidade e inteligência às perguntas que lhes propunham, demonstrando assim o seu bom adiantamento. Vigorava então o sistema lancasteriano. (Kidder, 2001, p. 253)
Imagens:


Referências:
EBERSPÄCHER, Gisele Jordana. Ida Pfeiffer e o Brasil: literatura de viagem e sua tradução como Bildung. Dissertação (mestrado) – Universidade Federal do Paraná, Setor de Ciências Humanas, Programa de Pós-Graduação em Letras. Curitiba, 27/02/2020. Disponível: https://acervodigital.ufpr.br/xmlui/handle/1884/67638?show=full.
KIDDER, Daniel Parrish. Reminiscências de viagens e permanência no Brasil: Rio de Janeiro e província de São Paulo, compreendendo notícias históricas e geográficas do Império e das diversas províncias. Brasília: Senado Federal, 2001. p. 200-203.

