Relações étnicas

Pamela Cristina Abreu

Bugre: O termo “bugre” é uma palavra historicamente usada no Brasil para se referir aos povos indígenas, frequentemente de maneira pejorativa. Originada do francês “bougre”, que também tinha conotações negativas, a palavra foi adotada pelos colonizadores europeus para descrever os nativos. Essa designação carregava estigmas de selvageria e atraso, refletindo uma visão eurocêntrica que desvalorizava e estereotipava as culturas indígenas em comparação com a cultura europeia dominante da época. No Brasil colonial e imperial, o uso do termo “bugre” era comum em diversos relatos e documentos, evidenciando os preconceitos e a marginalização sofridos pelos povos indígenas. Além de conotar uma imagem depreciativa, o termo também era usado para justificar a violência e a exploração a que os indígenas eram submetidos.

No capítulo XIII de “Viagem à província de São Paulo e resumo das viagens ao Brasil, província Cisplatina e missões do Paraguai”, intitulado “A vila de Itapeva – os indígenas bugres e os guanhanãs”, Auguste de Saint-Hilaire utiliza diversas vezes o termo “bugre” para se referir às populações indígenas próximas da vila de Itararé. Ele descreve a imagem que as populações brancas da região têm desses indígenas, caracterizando-os como selvagens, assassinos e violentos. Essa percepção negativa era utilizada para legitimar a formação de milícias que adentravam as matas com o objetivo de caçar e matar homens indígenas, além de aprisionar e escravizar mulheres e crianças.

Referências :
● GUISARD, Luís Augusto De Mola. O bugre, um João-Ninguém: um personagem
brasileiro. Revista Brasileira de Geografia, Rio de Janeiro, v. 61, n. 4, p. 27-42, dez.

SAINT-HILAIRE, Auguste de. Viagem à província de São Paulo. Trad. Regina Regis
Junqueira. São Paulo: Edusp: Belo Horizonte: Itatiaia, 1979. p. 100-101.

Imagem :

Bogres, province de Ste Catherine,1834, Biblioteca Nacional (Brasil), Litografia

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