Vilas e Cidades

Itapetininga

Gabriel Guaglini dos Santos

O município de Itapetininga se originou no início dos setecentos, quando uma área próxima ao rio Itapetininga funcionava como um pouso para tropeiros no caminho da Vila de Sorocaba. Um desses tropeiros, Domingos José Vieira, estabeleceu-se na região, montando com alguns companheiros plantações na região. Conforme a área em torno do pouso foi perdendo a fertilidade, Domingos e os seus compadres abandonaram as plantações esgotadas e se mudaram para outra localização próxima. Conforme a população deste núcleo cresceu, o Morgado de Mateus, Capitão-General de São Paulo, decidiu por fundar uma vila por lá, dando início a Vila de Itapetininga em 17 de Abril de 1768. Posteriormente, foi elevada a cidade em 1855.

52 anos depois de sua fundação, Auguste de Saint-Hilaire passou pela Vila, enquanto rumava ao sul. Descreve a sua posição geográfica relativa aos locais vizinhos: ficava a 30 léguas da cidade de São Paulo, 12 das vilas de Porto Feliz e Sorocaba e a 18 de Itapeva, a sua próxima parada. Desdenhou do tamanho da Vila. Em Minas, dizia, Itapetininga não seria nada mais do que uma aldeia, enquanto que em São Paulo era um centro administrativo, de um termo e de um distrito. Era necessário que passasse pela cidade porque a estrada do sul, feita numa “bela planície coberta apenas por pastagens”, passava pelo povoado.

O formato da cidade era “mais ou menos quadrado” segundo as observações de Saint-Hilaire. Contava com 60 casas, a maioria delas pequenas, mal preservadas e quase todas feitas de taipa. A igreja, situada numa pequena praça, também foi malvista por Saint-Hilaire. Ela não tinha torres nem campanário, a torre do sino, e por isso o sino da igreja ficava do lado de fora dela, coberto por um telheiro. A cidade era praticamente deserta à maior parte da semana: os seus habitantes eram quase todos ligados à agricultura e portanto passavam a semana nas suas propriedades, onde cultivavam principalmente, segundo Saint-Hilaire, milho, arroz e e feijão, enviado para Sorocaba.. Iam para a Vila apenas aos domingos, para assistir às missas.

Os que não passavam a semana fora ficavam em sua maior parte ocupados com o comércio na Vila, que tinha algumas vendas e também lojas, mas que eram “muito mal abastadas”. Os preços chegavam quase ao dobro dos que em São Paulo e Saint-Hilaire também se queixou de que as estradas estavam em péssimo estado, dificultando o acesso a Itapetininga e, para ele, explicando os altos preços. Em todas as direções, Saint-Hilaire via espaço para a vila de Itapetininga crescer. Seria apenas necessário, segundo ele, que os colonos luso-brasileiros se livrassem dos “índios selvagens” que viviam nos campos e nas florestas “quase desabitadas” ao redor da Vila.

 

Referências:

ITAPETININGA – Histórico. In: ENCICLOPÉDIA dos Municípios Brasileiros.
Disponível em: http://web.archive.org/web/20190127233930/https://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/dtbs/saopaulo/itapetininga.pdf.  Acesso em: 18/06/2024.

ITAPETININGA. In: ENCYCLOPAEDIA Britannica. Disponível em:
https://www.britannica.com/place/Itapetininga. Acesso em: 19/06/2024.

SAINT-HILAIRE, Auguste de. Viagem à província de São Paulo. Trad. Rubens
Borba de Moraes. São Paulo: Martins, 1945. p. 272-277. Disponível em:
https://ia902800.us.archive.org/9/items/viagemprovinci00sainuoft/viagemprovinci00sainuoft.pdf. Acesso em: 18/06/2024.

 

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