{"id":595,"date":"2024-10-29T14:18:03","date_gmt":"2024-10-29T17:18:03","guid":{"rendered":"https:\/\/localhost\/wordpress\/?p=595"},"modified":"2025-07-10T19:13:05","modified_gmt":"2025-07-10T22:13:05","slug":"anta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.usp.br\/mup111\/anta\/","title":{"rendered":"Anta"},"content":{"rendered":"\r\n<p><strong>Felipe Cintra Nogueira Maciel<\/strong><\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p><strong>Assunto<\/strong>: Fauna; Costumes; Alimenta\u00e7\u00e3o; Lendas e Hist\u00f3rias.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>A Anta-brasileira (Tapirus Terrestris) \u00e9 o maior mam\u00edfero terrestre do Brasil, podendo pesar at\u00e9 300 quilos, e se diferencia fisionomicamente de outras esp\u00e9cies de anta por sua crina. \u00c9 o \u00fanico remanescente da megafauna brasileira e tem uma dieta composta principalmente de frutos, com um importante papel na dispers\u00e3o de sementes de palmeiras, como o buriti. A primeira descri\u00e7\u00e3o formal da esp\u00e9cie foi feita pelo zo\u00f3logo su\u00e9co Carl Linnaeus em seu livro Systema Naturae (1758), na qual considerou a anta primordialmente como uma esp\u00e9cie do g\u00eanero hippopotamus.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>A anta tem um comportamento tipicamente crepuscular, sendo mais ativa durante o amanhecer e o anoitecer, e bastante solit\u00e1rio, sendo raramente encontrada em casais ou grupos formados por m\u00e3es e filhotes. Seus predadores s\u00e3o a on\u00e7a pintada e a (Panthera onca) e a on\u00e7a-parda (Puma concolor), predando principalmente os filhotes. Hoje a anta \u00e9 considerada uma esp\u00e9cie vulner\u00e1vel pela Uni\u00e3o Internacional para a Conserva\u00e7\u00e3o da Natureza (UICN).<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>No di\u00e1rio de Hercule Florence, registrado durante a Expedi\u00e7\u00e3o Langsdorff, o viajante descreve a ca\u00e7ada de anta que presenciou enquanto hospedado na Fazenda Pederneiras como um espet\u00e1culo em que o animal demonstrava suas excelentes habilidades como nadador, mergulhando e nadando longas dist\u00e2ncias no fundo do rio tentando escapar da morte, at\u00e9 que \u00e9 abatido ao tentar escapar por uma das margens. Florence nos conta uma hist\u00f3ria que ouvira sobre a for\u00e7a do animal que, certa vez, ao ser la\u00e7ado por dois pescadores e amarrado a uma canoa teria puxado a embarca\u00e7\u00e3o at\u00e9 a margem, fazendo a popa submergir ao seco. Al\u00e9m disso, podemos encontrar em seu di\u00e1rio relatos sobre o consumo da carne de anta por mon\u00e7oeiros e a secagem de seu couro. Na carta do Padre Anchieta sobre as Produ\u00e7\u00f5es Naturais de S\u00e3o Vicente, de 31 de maio de 1560, a anta \u00e9 descrita como um animal pr\u00f3prio para se comer, que assobia ao inv\u00e9s de gritar, e que de seu couro endurecido pelo sol os ind\u00edgenas produzem broqu\u00e9is resistentes e impenetr\u00e1veis pelas flechas, o que corrobora com as descri\u00e7\u00f5es de Hercule Florence.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<figure class=\"wp-block-image size-full wp-duotone-unset-1\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-975\" src=\"https:\/\/imagesviagenserelatos.dsl.ac\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/anta.png\" alt=\"\" \/><\/figure>\r\n\r\n<p>&nbsp;<\/p>\r\n\r\n<p><strong>Refer\u00eancias :<\/strong><\/p>\r\n<p>FLORENCE, Hercule. Viagem Fluvial do Tiet\u00ea ao Amazonas de 1825 a 1829.<br \/>Bras\u00edlia: Senado Federal, Conselho Editorial, 2007. (Edi\u00e7\u00f5es do Senado Federal). Tradu\u00e7\u00e3o<br \/>do Visconde de Taunay. Edi\u00e7\u00f5es do Senado Federal; v. 93.<\/p>\r\n<p>FLORENCE, Hercule. Viagem Fluvial do Tiet\u00ea ao Amazonas: pelas prov\u00edncias<br \/>brasileiras de S\u00e3o Paulo, Mato Grosso e Gr\u00e3o-Par\u00e1 (1825-1829). S\u00e3o Paulo: Museu de Arte de<br \/>S\u00e3o Paulo Assis Chateaubriand, 1977.<\/p>\r\n<p>IHERING, R. Von. Da vida de nossos animais. Fauna do Brasil. 3. ed., S\u00e3o Leopoldo,<br \/>Rottermund &amp; Co., 1953.<\/p>\r\n<p>PAPAVERO, Nelson; TEIXEIRA, Dante Martins. A fauna de S\u00e3o Paulo: nos s\u00e9culos<br \/>xvi a xviii, nos textos de viajantes, cronistas, mission\u00e1rios e relatos mon\u00e7oeiros. S\u00e3o Paulo:<br \/>Editora da Universidade de S\u00e3o Paulo, 2007. 300 p.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>&nbsp;<\/p>\r\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Felipe Cintra Nogueira Maciel Assunto: Fauna; Costumes; Alimenta\u00e7\u00e3o; Lendas e Hist\u00f3rias. 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