{"id":611,"date":"2024-10-29T14:46:07","date_gmt":"2024-10-29T17:46:07","guid":{"rendered":"https:\/\/localhost\/wordpress\/?p=611"},"modified":"2025-09-19T13:13:41","modified_gmt":"2025-09-19T16:13:41","slug":"mulheres","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.usp.br\/mup111\/mulheres\/","title":{"rendered":"Mulheres"},"content":{"rendered":"\r\n\r\n\r\n<h2>As mineiras do s\u00e9culo XIX<\/h2>\r\n\r\n\r\n\r\n<p><strong>Julia Francisca Oliveira Correia<\/strong><\/p>\r\n<p>Spix e Martius viajaram pelo Brasil de 1817 a 1820 passando por diversos estados como S\u00e3o Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Piau\u00ed, Maranh\u00e3o, Par\u00e1 e Amazonas. Elencando uma vasta quantidade de estudos cient\u00edficos sobre o Brasil, suas observa\u00e7\u00f5es perpassam a antropologia, mineralogia, paleontologia, hist\u00f3ria, bot\u00e2nica, etnografia, entre outras produ\u00e7\u00f5es. Para registrar seu tempo no Brasil, os naturalistas publicaram um relato da viagem, intitulado Viagem pelo Brasil, em 1823. O verbete em quest\u00e3o tem como objetivo analisar o per\u00edodo de estadia de Spix e Martius em Minas Gerais e principalmente, sua impress\u00e3o sobre as mulheres mineiras.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<blockquote class=\"wp-block-quote has-text-align-right is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\r\n<p>As mulheres viajam em liteiras carregadas por bestas ou<br \/>negros, ou se sentam numa cadeirinha segura \u00e0s costas de<br \/>mulas, vestidas com larga amazona azul e chap\u00e9u redondo.<br \/>No mais, excetuando a cabe\u00e7a, que \u00e9 protegida apenas por<br \/>guarda-sol, elas vestem-se \u00e0 moda francesa, tendo a<br \/>bainha de baixo da saia branca n\u00e3o raro guarnecida com<br \/>flores, bordados ou estampados, ou mesmo com galantes<br \/>versos.&#8221;(MARTIUS, 1823, p.255)<\/p>\r\n<\/blockquote>\r\n\r\n<p>&nbsp;<\/p>\r\n\r\n<p class=\"has-text-align-left\">Os naturalistas n\u00e3o pouparam elogios ao tempo que ficaram hospedados em Minas Gerais, principalmente quanto a hospitalidade dos habitantes dessa regi\u00e3o \u201cesse costume hospitaleiro e igual bondade encontram-se em grande parte de Minas\u201d (p.246), entretanto, o que mais parece surpreender os autores s\u00e3o as vestimentas dessa popula\u00e7\u00e3o, Martius nota uma certa predile\u00e7\u00e3o dos mineiros pelos produtos e vesti\u00e1rios europeus, ele compara os trajes e o comportamento do mineiro com os de um ingl\u00eas.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p class=\"has-text-align-left\">A vista disso, seu \u00fanico par\u00e1grafo dedicado \u00e0s mulheres mineiras do s\u00e9culo XIX \u00e9 uma descri\u00e7\u00e3o de suas vestes. Os autores n\u00e3o gastam muita tinta mas, pela descri\u00e7\u00e3o, fica claro que escolheram descrever mulheres da elite mineira, visto que, eram \u201ccarregadas por bestas ou negros\u201d e se vestiam a \u201cmoda francesa\u201d, para al\u00e9m disso, n\u00e3o se encontra registros nos relatos sobre a presen\u00e7a da mulher negra e nem indigena no territ\u00f3rio. Contrariamente, os autores dedicam um espa\u00e7o consider\u00e1vel no seu relato para descrever n\u00e3o s\u00f3 as vestes dos homens mineiros como tamb\u00e9m, caracter\u00edsticas f\u00edsicas e sociais desses indiv\u00edduos, tanto os do centro quanto os do interior de Minas.<\/p>\r\n<p class=\"has-text-align-left\">Observa-se, portanto, que o carinho de Spix e Martius pela popula\u00e7\u00e3o mineira n\u00e3o se reserva apenas ao acolhimento recebido, o centro mineiro foi o mais perto da Europa que os naturalistas encontraram no Brasil do s\u00e9culo XIX, essa pequena representa\u00e7\u00e3o do que eles consideram como \u201cciviliza\u00e7\u00e3o\u201d, colaborou para enxergar o territ\u00f3rio positivamente. Nesse sentido, observa-se que a representa\u00e7\u00e3o das mulheres mineiras em \u201cViagem pelo Brasil\u201d, n\u00e3o escapa das lentes sociais que Spix e Martius prop\u00f5em, as mulheres s\u00e3o personagens secund\u00e1rias do seu relato mas ainda assim, \u00e9 poss\u00edvel enxergar sua ag\u00eancia na constru\u00e7\u00e3o do Brasil que conhecemos.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>As imagens acima n\u00e3o s\u00e3o de Minas Gerais, entretanto, por ser de um per\u00edodo semelhante, foram escolhidas como forma de ilustra\u00e7\u00e3o das liteiras, o meio de transporte utilizado pelas mineiras na descri\u00e7\u00e3o de Martius.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<div class=\"wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-9d6595d7 wp-block-columns-is-layout-flex\">\r\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\">\r\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.brasilianaiconografica.art.br\/api\/1.0\/assets\/9762\/screen\" alt=\"\" \/><\/figure>\r\n<\/div>\r\n\r\n\r\n\r\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\">\r\n<p>Une dame port\u00e9e em caderinha, allant a la<br \/>messe, 1839, Rio de janeiro, Thierry Fr\u00e8res<\/p>\r\n<\/div>\r\n<\/div>\r\n\r\n\r\n\r\n<div class=\"wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-9d6595d7 wp-block-columns-is-layout-flex\">\r\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\">\r\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.brasilianaiconografica.art.br\/api\/1.0\/assets\/9395\/screen\" alt=\"\" \/><\/figure>\r\n<\/div>\r\n\r\n\r\n\r\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\">\r\n<p>Liti\u00e8re pour voyager dans l&#8217;interieur, Thierry<br \/>Fr\u00e8res, 1835, Rio de Janeiro<\/p>\r\n<\/div>\r\n<\/div>\r\n\r\n\r\n\r\n<p class=\"has-text-align-left\"><strong>REFER\u00caNCIAS:<\/strong><\/p>\r\n<p class=\"has-text-align-left\"><br \/>MARTIUS, Karl Friedrich Von; SPIX, Johann Baptist Ritter Von. Viagem pelo Brasil<br \/>(1817-1920). Bras\u00edlia: Senado Federal, v. 1, n. 3, p. 197-255 ,2017.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p class=\"has-text-align-left\"><br \/>CAMPOS, Maria das Gra\u00e7as; GON\u00c7ALVES, Marlene; CASTRILLON, Maria de Lourdes F. As<br \/>mulheres nos relatos dos viajantes estrangeiros no s\u00e9culo XIX na prov\u00edncia de Mato Grosso.<br \/>Revista da Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o, [S. l.], v. 35, n. 1, p. 195\u2013212, 2021.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p class=\"has-text-align-left\"><br \/>Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/periodicos.unemat.br\/index.php\/ppgedu\/article\/view\/5765\">https:\/\/periodicos.unemat.br\/index.php\/ppgedu\/article\/view\/5765<\/a>.. Acesso em: 15 jun. 2024.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p class=\"has-text-align-left\">\u00a0<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p class=\"has-text-align-left\">\u00a0<\/p>\r\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As mineiras do s\u00e9culo XIX Julia Francisca Oliveira Correia Spix e Martius viajaram pelo Brasil de 1817 a 1820 passando por diversos estados como S\u00e3o Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Piau\u00ed, Maranh\u00e3o, Par\u00e1 e Amazonas. 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