{"id":933,"date":"2021-04-19T12:36:23","date_gmt":"2021-04-19T14:36:23","guid":{"rendered":"https:\/\/sites.usp.br\/niephe\/?page_id=933"},"modified":"2021-04-19T13:02:53","modified_gmt":"2021-04-19T15:02:53","slug":"tematicas","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/sites.usp.br\/niephe\/tematicas-2\/tematicas\/","title":{"rendered":"Ascens\u00e3o na carreira docente"},"content":{"rendered":"<h2>A ascens\u00e3o na carreira docente na primeira metade do s\u00e9culo XX em S\u00e3o Paulo<\/h2>\n<p class=\"font_8\">O objetivo deste verbete \u00e9 esbo\u00e7ar alguns elementos da ascens\u00e3o na carreira docente em S\u00e3o Paulo, na primeira metade do s\u00e9culo XX. S\u00e3o diversas as perspectivas de ascens\u00e3o na carreira que podem ser abordadas. Na delimita\u00e7\u00e3o aqui feita, ascens\u00e3o na carreira significa a remo\u00e7\u00e3o para escolas mais bem estruturadas, o aprimoramento da forma\u00e7\u00e3o pela participa\u00e7\u00e3o em cursos de especializa\u00e7\u00e3o, ou ainda, a ocupa\u00e7\u00e3o de cargos mais elevados na hierarquia do magist\u00e9rio. Na primeira metade do s\u00e9culo XX, via de regra, o ingresso na carreira para as professoras normalistas se dava em escolas rurais ou escolas mais distantes das zonas centrais da cidade. A promo\u00e7\u00e3o para atuar em escolas urbanas, n\u00e3o raro, condicionava-se menos a crit\u00e9rios objetivos de tempo de carreira e mais a quest\u00f5es subjetivas como relacionamentos com pol\u00edticos e autoridades locais que pudessem conseguir a remo\u00e7\u00e3o da professora.<\/p>\n<p class=\"font_8\"><span class=\"wixGuard\">\u200b<\/span>Conforme o C\u00f3digo de Educa\u00e7\u00e3o de 1933, para efeito de primeira nomea\u00e7\u00e3o e promo\u00e7\u00e3o de professores havia quatro tipos diferentes de escolas prim\u00e1rias no Estado de S\u00e3o Paulo: as de primeiro est\u00e1gio \u2013 localizadas em pontos de dif\u00edcil acesso que, por isso, exigiam a resid\u00eancia do professor no pr\u00f3prio lugar da escola; as de segundo est\u00e1gio &#8211; localizadas em pontos de f\u00e1cil acesso, mas que exigiam a resid\u00eancia do professor no pr\u00f3prio lugar da escola; as de terceiro est\u00e1gio \u2013 s\u00e3o as de cidades populosas que permitem ao professor residir em outro lugar, viajando diariamente para dar aulas; e, por \u00faltimo, as de quarto est\u00e1gio \u2013 s\u00e3o as da Capital e arredores e permitem ao professor residir na Capital (C\u00f3digo de Educa\u00e7\u00e3o, 1933, p. 336).<\/p>\n<p class=\"font_8\"><span class=\"wixGuard\">\u200b<\/span>Ainda em 1933, pelo Decreto n. 6.197 de 9 de dezembro, outras mudan\u00e7as s\u00e3o introduzidas no magist\u00e9rio p\u00fablico prim\u00e1rio. Dentre essas, uma nova classifica\u00e7\u00e3o das escolas, a partir de ent\u00e3o, divididas em cinco est\u00e1gios. Eram do primeiro est\u00e1gio as escolas ou classes localizadas em fazendas, centros agr\u00edcolas, bairros, distritos e povoados de dif\u00edcil acesso \u00e0 sede do munic\u00edpio e que, por isso, exigiam a resid\u00eancia do professor no pr\u00f3prio local da escola ou classe e, al\u00e9m dessas, as escolas ou classes de sede de munic\u00edpio de dific\u00edlimo acesso \u00e0 Capital. As de segundo est\u00e1gio eram localizadas em fazendas, centros agr\u00edcolas, bairros, distritos ou povoados de dif\u00edcil acesso \u00e0 sede do munic\u00edpio e que, por isso, exigiam a resid\u00eancia do professor no pr\u00f3prio local da escola ou classe, devido \u00e0 falta de meios de condu\u00e7\u00e3o regulares, destinados a servir o p\u00fablico com hor\u00e1rios convenientes ao ensino. De terceiro eram as escolas ou classes localizadas em fazendas, centros agr\u00edcolas, bairros, distritos e povoados de f\u00e1cil acesso \u00e0 sede do munic\u00edpio, que permitiam ao professor viajar diariamente com pequeno disp\u00eandio e sem nenhum preju\u00edzo para o regular funcionamento da escola, podendo, portanto, residir na sede; s\u00e3o tamb\u00e9m escolas de f\u00e1cil acesso \u00e0 Capital. No quarto est\u00e1gio estavam as escolas ou classes localizadas em cidades que, pela sua import\u00e2ncia e situa\u00e7\u00e3o, se tornassem centro de converg\u00eancia das popula\u00e7\u00f5es da zona, e, por isso, fossem preferidas pelos professores da mesma zona; ainda estavam inclu\u00eddas a\u00ed, escolas localizadas nas sedes de munic\u00edpio que ficavam a uma hora de viagem da Capital por estrada de ferro. Por fim, eram do est\u00e1gio especial as escolas prim\u00e1rias anexas \u00e0s escolas normais oficiais do interior e as classes ou escolas do munic\u00edpio da Capital.<\/p>\n<p class=\"font_8\">No geral, a primeira escola, era de primeiro est\u00e1gio, mais conhecida como Escola Isolada Rural. Localizadas em pontos de dif\u00edcil acesso, o trabalho nessas escolas obrigava a professora a enfrentar dificuldades que iam al\u00e9m da mudan\u00e7a de cidade e separa\u00e7\u00e3o da fam\u00edlia. Os trabalhos de Zeila Demartini (1984) e Wiara Alc\u00e2ntara (2008) s\u00e3o f\u00e9rteis no sentido de evidenciar as lutas da professora iniciante na carreira para conseguir nomea\u00e7\u00e3o em escolas mais bem localizadas. Ambos trazem relatos de professoras do per\u00edodo que demonstram como a ascens\u00e3o na carreira estava condicionada \u00e0s interfer\u00eancias pol\u00edticas ou pedidos \u00e0s autoridades escolares. Mesmo quando eram realizados concursos, a escolha de uma professora dentre as inscritas para uma cadeira dependia de quest\u00f5es pol\u00edticas e pessoais.<\/p>\n<p class=\"font_8\"><span class=\"wixGuard\">\u200b<\/span>Quanto \u00e0 ocupa\u00e7\u00e3o de postos administrativos, pesquisas (ALC\u00c2NTARA, 2008) t\u00eam mostrado que esta poderia ser uma realidade que acontecia antes para os jovens professores. Somente ap\u00f3s longos anos de atua\u00e7\u00e3o na sala de aula \u00e9 que as professoras conseguiam galgar os postos administrativos e publicar em revistas especializadas da \u00e1rea. \u00a0\u00c9 o que relata a professora Botyra Camorim em sua autobiografia acerca de um professor rec\u00e9m-formado que j\u00e1 era diretor de escola.<\/p>\n<p class=\"font_8\"><span class=\"wixGuard\">\u200b<\/span>O Diretor das Escolas Reunidas de Vila Poranga era um jovem professor, rec\u00e9m-formado, dono de um dos tr\u00eas caminh\u00f5es que existiam no lugar. Al\u00e9m de professor, ele explorava o negocio de carretos. Transportava o algod\u00e3o dos bairros distantes para as cidades. Nas reuni\u00f5es, ele n\u00e3o titubeava em criticar e at\u00e9 as professoras que eram quatro do seu grupo e cinco de escolas isoladas, inclusive eu (CAMORIM, 1962, p. 44).<\/p>\n<p class=\"font_8\">Nota-se que, no per\u00edodo em destaque, em qualquer das formas de ascens\u00e3o na carreira aqui delimitadas, as rela\u00e7\u00f5es familiares, as interfer\u00eancias de autoridades pol\u00edticas e escolares, as rela\u00e7\u00f5es interpessoais, as redes de amizade eram elementos fundamentais para que, tanto professores, quanto professoras conseguissem nomea\u00e7\u00e3o para escolas urbanas e mais estruturadas. Quanto \u00e0 ocupa\u00e7\u00e3o dos postos administrativos do magist\u00e9rio, era uma alternativa que, via de regra, algumas professoras conseguiam gozar no final da carreira.<\/p>\n<p class=\"font_8\">Palavras-chaves:\u00a0ascens\u00e3o na carreira \u2013 carreira docente \u2013 mulheres no magist\u00e9rio.<\/p>\n<p class=\"font_8\"><span class=\"wixGuard\">\u200b<\/span><\/p>\n<p class=\"font_8\">Refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas<\/p>\n<p class=\"font_8\">ALCA\u0302NTARA, Wiara Rosa Rios. Uma vida no magiste\u0301rio: fios e meadas da histo\u0301ria de uma professora paulista. 2008. Dissertac\u0327a\u0303o de Mestrado &#8211; Universidade de Sa\u0303o Paulo (USP). Faculdade de Educac\u0327a\u0303o. Sa\u0303o Paulo.<\/p>\n<p class=\"font_8\">CAMORIM, Botyra. Uma vida no magist\u00e9rio. S\u00e3o Paulo: Saraiva, 1962.<\/p>\n<p class=\"font_8\">DEMARTINI, Zeila de Brito (Coord.). Velhos mestres das novas escolas: um estudo das mem\u00f3rias de professores da Primeira Rep\u00fablica em S\u00e3o Paulo. Sao Paulo: Centro de Estudos Rurais e Urbanos, 1984.<\/p>\n<p class=\"font_8\">S\u00c3O PAULO (Estado). Secret\u00e1ria da Educa\u00e7\u00e3o e da Sa\u00fade P\u00fablica. Decreto n. 5.884 de 21 de abril de 1933. Institui o C\u00f3digo de Educa\u00e7\u00e3o do Estado de S\u00e3o Paulo. Cole\u00e7\u00e3o das Leis e Decretos do Estado de S\u00e3o Paulo. 3\u00aa ed. S\u00e3o Paulo: Imprensa Oficial do Estado. Tomo XLIII, p. 278-449.<\/p>\n<p class=\"font_8\">S\u00c3O PAULO (Estado). Decreto n. 6.947 de 6 de fevereiro de 1935. Consolida disposi\u00e7\u00f5es anteriores e introduz modifica\u00e7\u00f5es na carreira do magist\u00e9rio prim\u00e1rio, institu\u00edda pelo Decreto n. 5.884 de 21 de abril de 1933, e alterada pelo Decreto n. 6.197, de 9 de dezembro de 1933. Cole\u00e7\u00e3o das Leis e Decretos do Estado de S\u00e3o Paulo. 2\u00aa ed. S\u00e3o Paulo: Imprensa Oficial do Estado. Tomo XLV, p. 54-63.<\/p>\n<p class=\"font_8\"><span class=\"wixGuard\">\u200b<\/span>Autoria:\u00a0Wiara Rosa Rios Alc\u00e2ntara<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A ascens\u00e3o na carreira docente na primeira metade do s\u00e9culo XX em S\u00e3o Paulo O objetivo deste verbete \u00e9 esbo\u00e7ar alguns elementos da ascens\u00e3o na carreira docente em S\u00e3o Paulo, na primeira metade do s\u00e9culo XX. S\u00e3o diversas as perspectivas de ascens\u00e3o na carreira que podem ser abordadas. 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