{"id":951,"date":"2021-04-19T12:59:27","date_gmt":"2021-04-19T14:59:27","guid":{"rendered":"https:\/\/sites.usp.br\/niephe\/?page_id=951"},"modified":"2021-04-19T13:04:04","modified_gmt":"2021-04-19T15:04:04","slug":"mulheres-e-ensino-superior-no-brasil","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/sites.usp.br\/niephe\/tematicas-2\/mulheres-e-ensino-superior-no-brasil\/","title":{"rendered":"Ensino Superior"},"content":{"rendered":"<div id=\"site-root\">\n<div id=\"masterPage\" class=\"mesh-layout\">\n<h2>Mulheres e Ensino Superior no Brasil<\/h2>\n<div id=\"SITE_PAGES\">\n<div class=\"_3a3qX\">\n<div id=\"j28ip\" class=\"_2e6ps\">\n<div class=\"_2S9ms\">\n<div id=\"Containerj28ip\" class=\"_3Mgpu\">\n<div class=\"\" data-mesh-id=\"Containerj28ipinlineContent\" data-testid=\"inline-content\">\n<div data-mesh-id=\"Containerj28ipinlineContent-gridContainer\" data-testid=\"mesh-container-content\">\n<div id=\"comp-jgntfdm6\" class=\"_1Z_nJ\" data-testid=\"richTextElement\">\n<p class=\"font_8\">A hist\u00f3ria das mulheres no ensino superior no Brasil come\u00e7ou no final do s\u00e9culo XIX, no entanto, o acesso e a perman\u00eancia delas neste n\u00edvel de ensino foi sendo ampliado de maneira bastante lenta.\u00a0 De acordo com Cynthia Pereira de Sousa (2008), \u201ca hist\u00f3ria do acesso das mulheres ao ensino superior se iniciou em 1880, com a matr\u00edcula de Rita Lobato Velho Lopes (1867-1960?), na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro. Problemas familiares obrigaram-na a se transferir para Salvador, onde seu pai matriculou-a no 2\u00ba ano da Faculdade de Medicina da Bahia, em 1881, onde terminou seu curso em 10 de dezembro de 1887, com a seguinte observa\u00e7\u00e3o: \u2018primeira mulher diplomada em Medicina no Brasil, 1887\u2019\u201d (p. 153). Ao longo da Primeira Rep\u00fablica (1889-1930), os cursos superiores, ainda escassos no Brasil, tinham seu acesso limitado \u00e0s mulheres por dois motivos principais: o gin\u00e1sio, \u00fanico curso de levava ao ensino superior, era pouco frequentado por elas, e o curso Normal, que cuja clientela escolar feminina era expressiva, n\u00e3o permitia seu ingresso em faculdades. Segundo a autora, tal cen\u00e1rio s\u00f3 seria modificado nos anos de 1930, quando \u201crompeu-se com a limita\u00e7\u00e3o do acesso ao ensino superior pela via do ensino secund\u00e1rio ginasial dado em escolas oficiais, tanto por meio da equipara\u00e7\u00e3o dos diplomas de col\u00e9gios particulares aos dos col\u00e9gios p\u00fablicos, instaurando avan\u00e7os na quest\u00e3o da articula\u00e7\u00e3o entre ensino m\u00e9dio e superior, como por franquear cursos, principalmente das Faculdades de Filosofia, Ci\u00eancias e Letras, aos portadores de diplomas de normalistas, mulheres em sua grade maioria\u201d (op. cit., 154). Tal medida marcou a possibilidade das mulheres darem continuidade a seus estudos em n\u00edvel superior. Para Sousa (2008), \u201ccom as possibilidades abertas de forma\u00e7\u00e3o para o magist\u00e9rio secund\u00e1rio, as Faculdades de Filosofia tornar-se-iam redutos femininos\u201d (p. 154). Com influ\u00eancia europeia em sua institui\u00e7\u00e3o e em suas pr\u00e1ticas pedag\u00f3gicas, marcando uma forma particular de se relacionar com o conhecimento neste n\u00edvel de ensino, a Universidade de S\u00e3o Paulo (USP), criada em 1934, colocou em funcionamento uma das primeiras Faculdades de Filosofia, Ci\u00eancias e Letras do Brasil (SILVA, 2016).<\/p>\n<p class=\"font_8\"><span class=\"wixGuard\">\u200b<\/span>A Universidade de S\u00e3o Paulo, em sua cria\u00e7\u00e3o, pretendia realizar a forma\u00e7\u00e3o intelectual do pa\u00eds. A influ\u00eancia europeia e a \u00eanfase francesa marcaram a origem da institui\u00e7\u00e3o: de um lado estava o \u201csaber desinteressado\u201d, os conhecimentos que enriqueceriam e desenvolveriam o esp\u00edrito e, de outro lado, estavam os \u201csaberes utilit\u00e1rios\u201d, os conhecimentos que seriam \u00fateis \u00e0 vida pr\u00e1tica (F\u00c9TIZON, 1986). Em um primeiro momento, durante a cria\u00e7\u00e3o da USP, houve a tentativa por parte do Estado de implantar o modelo origin\u00e1rio \u2013 europeu &#8211; em sua forma mais pura. Segundo Beatriz F\u00e9tizon (1986), a partir de 1938 iniciou-se a primeira acomoda\u00e7\u00e3o do modelo da Faculdade de Filosofia, Ci\u00eancias e Letras (FFCL), \u201ctornada uma escola de forma\u00e7\u00e3o profissional pela cria\u00e7\u00e3o de sua quarta se\u00e7\u00e3o (Pedagogia)\u201d (op. cit., p. 399). Marcada pela meritocracia, a FFCL era voltada para a universalidade do saber de alto n\u00edvel. A contrata\u00e7\u00e3o de professores estrangeiros marcou a primeira gera\u00e7\u00e3o de intelectuais, docentes e pesquisadores formados nos procedimentos de um modelo de investiga\u00e7\u00e3o rigorosa. Neste quadro, a entrada dos estudos de educa\u00e7\u00e3o para a FFCL, como uma quarta se\u00e7\u00e3o \u2013 a de Pedagogia \u2013 em 1938, consagrou o abandono do modelo origin\u00e1rio puro. Neste sentido, a se\u00e7\u00e3o de Pedagogia marcou a Faculdade de Filosofia, Ci\u00eancias e Letras de uma forma muito particular, pois estava em uma institui\u00e7\u00e3o baseada no rigor dos procedimentos de pesquisa e no saber de car\u00e1ter desinteressado, mas precisava conduzir ao mesmo tempo uma forma\u00e7\u00e3o voltada para o trabalho e para a pr\u00e1tica (F\u00c9TIZON, 1986). De acordo com Irene Cardoso (1982), ao longo da d\u00e9cada de 1940, a pol\u00edtica social criou oportunidades que foram permitindo, aos poucos, \u00e0 classe m\u00e9dia chegar \u00e0 Universidade, trazendo para esta institui\u00e7\u00e3o uma clientela diferenciada. Contudo, as carreiras voltadas ao magist\u00e9rio eram aquelas que mais recebiam as mulheres. Vale lembrar que, no caso brasileiro, a forma\u00e7\u00e3o de professores, mediante as orienta\u00e7\u00f5es legais, s\u00f3 tornaria o ensino superior obrigat\u00f3rio para a forma\u00e7\u00e3o de professores que atuariam na educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica com a promulga\u00e7\u00e3o da Lei de Diretrizes e Bases da Educa\u00e7\u00e3o Nacional (LDB) n\u00ba 9.394\/96: \u201co artigo 62 da LDB \u00e9 muito claro a respeito das institui\u00e7\u00f5es formadoras de docentes, em n\u00edvel superior, para atuar na educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica. Somente haver\u00e1 dois caminhos para essa forma\u00e7\u00e3o: a) aquela oferecida pelas universidades e b) aquela a ser ministrada em institutos superiores de educa\u00e7\u00e3o\u201d (AZANHA, 2006, p.70).<\/p>\n<p class=\"font_8\">A participa\u00e7\u00e3o restrita das mulheres nos cursos do ensino superior condicionou tamb\u00e9m sua presen\u00e7a na produ\u00e7\u00e3o de conhecimento. Segundo a j\u00e1 mencionada Cynthia Pereira de Sousa, em observa\u00e7\u00e3o a levantamento realizado acerca de investiga\u00e7\u00f5es sobre a produ\u00e7\u00e3o cient\u00edfica das pesquisadoras, ainda nos anos de 1970 era muito pequena a contribui\u00e7\u00e3o das mulheres no desenvolvimento cient\u00edfico brasileiro e elas eram minoria em praticamente todas as \u00e1reas da ci\u00eancia. Na d\u00e9cada de 1980, elas representavam cerca de um ter\u00e7o da produ\u00e7\u00e3o cient\u00edfica do pa\u00eds: \u201cpara situar melhor sua participa\u00e7\u00e3o em cada \u00e1rea do conhecimento, seja como pesquisadoras, seja como consultoras, seja como bolsistas foram estabelecidas tr\u00eas grandes categorias: presen\u00e7a incipiente (Ci\u00eancias Exatas e da Terra; Engenharias e Ci\u00eancias Agr\u00e1rias); presen\u00e7a intermedi\u00e1ria (Ci\u00eancias Sociais e da Sa\u00fade) e presen\u00e7a efetiva (Ci\u00eancias Humanas, Biol\u00f3gicas, Lingu\u00edstica, Letras e Artes)\u201d (2008, p. 161). A maior participa\u00e7\u00e3o das mulheres na realiza\u00e7\u00e3o da pesquisa aparece condicionada \u00e0 sua inser\u00e7\u00e3o no campo universit\u00e1rio, tendo, tal qual os anos de 1930 e 1940, os cursos das Faculdades de Filosofia, Ci\u00eancias e Letras como porta de entrada. Com rela\u00e7\u00e3o \u00e0s dificuldades enfrentadas pelas mulheres ao ingressarem no ensino superior e prosseguirem na carreira universit\u00e1ria, Sousa aponta que \u201cquest\u00f5es como o processo de sua forma\u00e7\u00e3o e socializa\u00e7\u00e3o para pap\u00e9is sexuais (o que ocorre desde a entrada na escola prim\u00e1ria), escolhas profissionais, necessidade de reconhecimento e prest\u00edgio, fraca participa\u00e7\u00e3o em postos mais elevados na hierarquia acad\u00eamica, concilia\u00e7\u00e3o da vida profissional com a vida familiar\u201d (op. cit., p. 170), entre outras, \u00e0s t\u00eam colocado em situa\u00e7\u00e3o desigual se comparadas a seus colegas homens. Ao final do s\u00e9culo XX, as mulheres conquistaram mais espa\u00e7o no ensino superior, tanto como alunas nos cursos de gradua\u00e7\u00e3o e p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o, quanto como professoras e pesquisadoras. Cabe ressaltar, no caso da Universidade de S\u00e3o Paulo, que em 2006 foi eleita, e escolhida pelo governador do estado de S\u00e3o Paulo, como Reitora, Suely Vilela, da \u00e1rea de Ci\u00eancias Farmac\u00eauticas, a primeira mulher a ocupar esse cargo em uma universidade p\u00fablica no Brasil.<\/p>\n<p class=\"font_8\"><span class=\"wixGuard\">\u200b<\/span>Palavras-chave: Mulheres, Ensino Superior, Forma\u00e7\u00e3o de professores<\/p>\n<p class=\"font_8\">Refer\u00eancias:<\/p>\n<p class=\"font_8\"><span class=\"wixGuard\">\u200b<\/span>AZANHA, J. M. P. A forma\u00e7\u00e3o do professor e outros escritos. S\u00e3o Paulo: Editora Senac, 2006.<\/p>\n<p class=\"font_8\"><span class=\"wixGuard\">\u200b<\/span>F\u00c9TIZON, B. A. M. Subs\u00eddios para o estudo da Universidade de S\u00e3o Paulo (tese de doutorado), Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o da Universidade de S\u00e3o Paulo, S\u00e3o Paulo, 1986.<\/p>\n<p class=\"font_8\"><span class=\"wixGuard\">\u200b<\/span>CARDOSO, I. A. R. A universidade da comunh\u00e3o paulista: o projeto de cria\u00e7\u00e3o da Universidade de S\u00e3o Paulo S\u00e3o Paulo: Cortez\/Autores Associados, 1982.<\/p>\n<p class=\"font_8\">SILVA, K. N. \u201cDisserta\u00e7\u00f5es, Provas e Exames. Um estudo das pr\u00e1ticas de avalia\u00e7\u00e3o das aprendizagens no curso de pedagogia da USP, Brasil\u201d. Revista Iberoamericana de Educaci\u00f3n, v. 70, p. 117-128, 2016.<\/p>\n<p class=\"font_8\"><span class=\"wixGuard\">\u200b<\/span>SOUSA, C. P. \u201cG\u00eanero e Universidade no Brasil: acesso ao ensino superior e condi\u00e7\u00e3o feminina no meio universit\u00e1rio\u201d. In: Consuelo Flecha Garc\u00eda; Alicia Itat\u00ed Palermo. (Org.). Mujeres y Universidad en Espa\u00f1a y America Latina. Buenos Aires \/ Madrid: Mi\u00f1o y D\u00e1vila Editores, 2008, v. 1, p. 153-171.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"font_8\">Autoria: Katiene Nogueira da Silva<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<footer id=\"SITE_FOOTER_WRAPPER\" tabindex=\"-1\">\n<div id=\"SITE_FOOTER\" class=\"_2pCeI\">\n<div class=\"_2bvSO\"><\/div>\n<div class=\"_2QWcW\">\n<div class=\"_3oKi4\"><\/div>\n<div class=\"YkLEO\">\n<div class=\"\" data-mesh-id=\"SITE_FOOTERinlineContent\" data-testid=\"inline-content\">\n<div data-mesh-id=\"SITE_FOOTERinlineContent-gridContainer\" data-testid=\"mesh-container-content\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/footer>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mulheres e Ensino Superior no Brasil A hist\u00f3ria das mulheres no ensino superior no Brasil come\u00e7ou no final do s\u00e9culo XIX, no entanto, o acesso e a perman\u00eancia delas neste n\u00edvel de ensino foi sendo ampliado de maneira bastante lenta.\u00a0 De acordo com Cynthia Pereira de Sousa (2008), \u201ca hist\u00f3ria do acesso das mulheres ao&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":22153,"featured_media":0,"parent":936,"menu_order":19,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","meta":{"footnotes":"","_links_to":"","_links_to_target":""},"class_list":["post-951","page","type-page","status-publish","hentry","post"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.usp.br\/niephe\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/951","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.usp.br\/niephe\/wp-json\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.usp.br\/niephe\/wp-json\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/niephe\/wp-json\/wp\/v2\/users\/22153"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/niephe\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=951"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/niephe\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/951\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":959,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/niephe\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/951\/revisions\/959"}],"up":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.usp.br\/niephe\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/936"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.usp.br\/niephe\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=951"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}